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A Zona Franca de Manaus e o seu momento de Ucrânia

Quando líderes de instituições, ditas “respeitáveis”, começam a destruir as regras de suas próprias instituições, quando deveriam representar o interesse real dos representados, devemos acordar.

Por Augusto César Rocha
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Será que há como nós todos nos relacionarmos com civilidade? A “operação militar especial” ou a “guerra” da Ucrânia apresenta esta questão para o mundo. Como será a nossa reação como sociedade: vamos desistir da soberania e aderir ao destruidor? Aceitaremos as marionetes locais, empoderados como “líderes”, que aderem a qualquer destruidor, para dizer o que é melhor para nós?

Períodos eleitorais demandam muito cuidado, pois apenas afirmar sorrindo que “é meu amigo” ou fazer “juras” não significará que é apoio real ao nosso interesse e necessidade. Não significará que é apoio para Manaus ou para a sua Zona Franca (ZFM). Dizer-se conservador ultimamente, é afirmar-se como destruidor. A retirada de impostos do Brasil, levará a menor arrecadação para todas as instituições públicas e menor vantagem comparativa para Manaus. Nós não temos muito tempo. Precisamos agir agora.

É muito fácil falar mal de tudo e de todos. Também é muito fácil destruir coisas. É só ficar falando mal, até destruir. E como resistir a isso? O “mal falado” deve fazer o que para se defender? Estamos passando por um processo de destruição de instituições. De destruição da ZFM. Destrói-se, sorrindo e ainda afirmando-se que é para o nosso bem. Os mais jovens não lembrarão, mas um dia houve comércio forte em Manaus. A Crise dos Sudetos talvez seja o grande motivo da OTAN apoiar a Ucrânia. A crise política na questão do IPI é a razão para entender a importância do momento.

É a mesma lógica contra a política, contra negros, contra os acordos, contra a esquerda, contra a saúde pública, contra a educação básica, contra a vacina, contra a universidade pública, contra o Exu da Grande Rio, contra isso, contra aquilo. É só ser “contra” e ir destruindo. E como nos defendemos? E como seguimos a aceitar? Há gente que gosta de sofrer e há pessoas que chamam isso de “certo” e ainda de “liberdade”. A “liberdade” de destruir ou agredir o outro. É só abrir o Twitter e analisar os diálogos. Neste modelo político, um “líder” é o único certo e todos os demais “errados”.

Este movimento político surge quando alguém que “deveria ser de baixo”, de uma classe inferior, é percebido “ousando ocupar o espaço” de uma classe que se percebe como “superior”. Será que a industrialização de Manaus é percebida como uma invasão de um espaço que “não nos cabe”? Este movimento tem um nome e talvez seja ele o problema: temos obtido algum mínimo desenvolvimento e há líderes que entendem que não merecemos, pois não somos desta categoria.

Quando líderes de instituições, ditas “respeitáveis”, começam a destruir as regras de suas próprias instituições, quando deveriam representar o interesse real dos representados, devemos acordar. Como pessoas que “destroem” podem se autointitular “conservadores”? Os “destruidores” são aqueles que destroem e os conservadores aqueles que conservam. Palavras estão sendo desvirtuadas, para iludir inocentes, junto com sorrisos falsos. 

A ZFM está no alvo de destruidores de sistemas que se autointitulam “conservadores”. Ainda haverá espaço para a civilidade? “Não podemos todos nos dar bem?”, como disse Rodney King, após ser espancado injustamente. Os espancados precisam falar. E o movimento político que não aceita ascensão possui um nome, mas eu deixo a busca para o leitor, com a verificação de suas características adicionais e a sua própria busca de paralelos com o nosso momento.

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Augusto Rocha é Professor da Universidade Federal do Amazonas

II Seminário de Bioeconomia no Amazonas

9 a 12 de dezembro de 2021

O Seminário é um espaço para diálogos e troca de saberes que busca, de forma propositiva, encontrar soluções para o fortalecimento da Bioeconomia em suas diversas dimensões. O evento é presencial, e acontecerá no Espaço da Bioeconomia, na 43a Expoagro Amazonas, Kartódromo da Vila Olímpica (antigo Circo Marcos Frota), Alvorada, Manaus.

Confiram também a programação geral do Espaço da Bioeconomia – teremos cozinha, startups, feira, arte, e muito mais! Esperamos vocês lá.

Programação:

Idesam realiza segundo fórum de Bioeconomia na Amazônia (PPBio)

O evento contará com diversos atores regionais com a realização do Idesam

Com a mediação de Alfredo Lopes, editor-geral do portal BrasilAmazôniaAgora, acontecerá na próxima sexta-feira, dia 10/12, o 2º Fórum do Programa Prioritário de Bioeconomia – Inovação e Investimentos para a Amazônia.

O evento é de realização do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, o Idesam, que é o coordenador do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), contando com o apoio da Codese, o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus.

Haverá no final do evento espaço para os investidores, incubadoras, aceleradoras, startups e demais participantes prospectarem novas oportunidades e negócios para aplicação dos recursos oriundos da Lei de Informática (Nº 13.969/19).

Confira os participantes do evento:

Algumas das questões que serão abordadas no debate

1 – Fabio Calderaro (representando Algacir Polsin – Suframa)

  • O Programa Prioritário de Bioeconomia é apenas uma das agendas do ME/SUFRAMA para a promoção da Bioeconomia como principal agenda de diversificação da economia da região norte. Apresente o ecossistema de iniciativas da Suframa relativas à Bioeconomia de modo a sensibilizar os potenciais investidores e empreendedores para que compreendam todo o potencial que está disponibilizado para se consolidar um polo de inovação em bioeconomia em Manaus e região;
  • Pela expertise do CBA, qual as recomendações de investimentos para alcançarmos produtos de valor agregado diferenciados de origem amazônica?

2 – Rocío Chacchi Ruiz (Secti/Sedecti);

  • Podeapresentar as agendas defomento da Bioeconomia do Amazonas e como a inovação biotecnológica pode auxiliar com esta agenda?
  • Como soluções para os atuais entraves nas cadeias produtivas, o Estado pode ser um fomentador de soluções das cadeias produtivas adquirindo soluções e entregando como Assistência Técnica para populações locais ribeirinhas? Quais as demandas atuais do estado?

3 – Paulo Quirino (SAMSUNG/SIDIA/Manaus Tech Hub)

  • Sendo uma empresa Global na Amazônia, como a Samsung tem se posicionado relativo à promoção de agendas de promoção de bioeconomia? Mais do que P&D, a Amazônia cabe na proposta de ESG da empresa?
  • Soluções tecnológicas tem se mostrado disruptivas em todos os setores, mas ainda é incipiente na Amazônia: o que sua experiência em inovação startups pode de dar de orientação para conseguirmos o primeiro unicórnio da Bioeconomia Amazônica?
  • A parceira da Samsung com o PPBio, SIDIA e Manaus Tec Hub está começando com uma proposta bastante inovadora. Qual o spoiler que vc pode passar sobre os resultados que poderemos alcançar? (Aqui espera-se que você divulgue as futuras chamadas de soluções digitais para criação das FloresTechs da Amazônia)

4 – Ricardo Lomaski – Centro de Empreendedorismo e Inovação da Technion – Israel / Innovation Hub Brazil Israel

  • Pode apresentar de forma suscinta com o ecossitema de Israel está organizado para dinamizar a criação e consolidação de startups? Qual o maior destaque, a “faísca”, que traduz conhecimento em soluções de mercado em Israel?
  • Considerando o ecossistema de startups de Israel tão rico em startups de temas da bioeconomia (agritecs, healthtecs,…) como aproximar com a Amazônia unindo a bagagem de criação da alavancagem de startups de Israel, com o conhecimento local sobre a Amazônia, seus problemas e soluções, presentes na academia e nos empreendedores?

5 – Paula Taquita Serra – Pesquisadora e CEO da Ezscience

  • Você pode descrever um pouco do modelo de negócio que uma empresa de biotecnologia como a EZScience pratica, considerando o elevado valor inicial de infraestrutura inicial versus retorno e sucesso econômico pelo alto valor agregado de seus produtos?
  • Você pode descrever o mercado que a EZScience atua e o potencial de mercado?

6 – Esner Magalhães – Profo Eng. de Pesca da UFAM

  • Você está desenvolvendo um novo negócio a partir do conhecimento acumulado nos estudos e experiência. Pode contribuir com os demais pesquisadores que estão assistindo em como identificar que o conhecimento acumulado já é suficiente para se colocar como solução de mercado?
  • Sua futura startup tem com um dos serviços criados atender um gargalo de produção para a piscicultura da Amazônia. Mas você entra em uma cadeia produtiva muito frágil e incipiente, ainda incompleta. Isso é uma oportunidade? Qual o caminho que considera adequado formar cadeias produtivas na Amazônia que sejam mais completas de serviços, soluções e opções de agregação de valor e inclusão socioprodutiva?

Confira mais detalhes sobre o evento em https://idesam.org/forum-ppbio/

Para se inscrever clique no botão abaixo

O mundo e as corridas em curso

Enquanto continuarmos em pautas do passado, ficaremos estagnados e presos em condições ultrapassadas e cada vez mais pobres, espoliados e usurpados lentamente, não por culpa de outro, mas por culpa de nós mesmos, que ainda não acertamos nosso rumo no mundo contemporâneo.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Sempre existem corridas e competições em curso. Atualmente ela é da transformação para o digital, da sustentabilidade e da capacidade de construir diálogos entre os diferentes. Entender este panorama é fundamental para competir na arena global, com alguma chance de sucesso. Fora deste panorama, uma vitória na corrida será de uma inutilidade profunda. Como exemplo, imagine só um grande esforço coletivo para produção de borracha sem sustentabilidade.

Será praticamente inútil, pois não haverá mercado. Uma mineração poluente, onde um rio é danificado por mercúrio e por rejeitos de toda sorte. Da mesma forma, um desperdício de tempo, de recursos e de vidas. Se queremos ter um lugar ao Sol na economia global, precisaremos modernizar os projetos e as nossas aspirações. Entender as corridas em curso, para escolher as provas mais adequadas, por conter ao final um bônus maior é superimportante. Antes de empreender uma atividade é fundamental compreender a linha de chegada.

A Alemanha acaba de trocar de liderança e os ‘verdes’ compuseram o novo governo, ajustando a pauta para ainda mais sustentabilidade.
O mundo se alinha na direção de apostar mais e mais no ‘digital’. Em qual o lado do balcão ficaremos neste mundo que muda a cada dia? Quem for contra nós, tentará nos colocar sempre na direção oposta, chutando as nossas escadas que levam para posições mais elevadas. E é fácil perceber que ninguém será a nosso favor, a não ser nós mesmos.

Assim, teremos que ter uma extrema atenção sobre as pautas que valem a pena. Enquanto continuarmos em pautas do passado, ficaremos estagnados e presos em condições ultrapassadas e cada vez mais pobres, espoliados e usurpados lentamente, não por culpa de outro, mas por culpa de nós mesmos, que ainda não acertamos nosso rumo no mundo contemporâneo. Entender que o Brasil, a Amazônia, nossa cidade e cada uma de nossas ações faz parte de um cenário global é o que nos falta. Querer fazer o que nossos avós faziam para ganhar a vida é um equívoco. Deveríamos tentar entender o que nossos netos farão e começarmos a fazer logo hoje.

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.

Dois milhões de doses: Trabalho, parceria e união

Por: Secretaria Municipal de Comunicação

04.09.2021

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Manaus ultrapassa a marca de 2 milhões de doses de vacinas aplicadas contra a Covid-19. Um esforço da gestão ao longo dos últimos sete meses para proteger a população dos problemas e complicações decorrentes do novo coronavirus. Do total de vacinas aplicadas, 1,4 milhão são de primeiras doses e outras 25 mil são doses únicas do imunizante da Janssen. Com a marca, têm-se também o total de 82% da população vacinável (acima de 12 anos), que hoje é de 1,7 milhão, com ao menos uma dose da vacina. E 33% já estão com o esquema vacinal completo.

Os percentuais aplicados a cada público e faixa etária vêm superando a média nacional. E o objetivo é avançar ainda mais. Tanto que além de já estar vacinando, desde o dia 13 agosto, adolescentes a partir dos 12 anos, a gestão municipal desdobra esforços para mobilizar a população a não deixar de tomar a segunda dose da vacina.  A estratégia conta com campanha nas redes sociais e equipe com ligações telefônicas direcionadas a este público.

Há pouco mais dois meses, Manaus alcançou a marca de 1 milhão de doses de vacinas aplicadas. Sinal de que as estratégias desenvolvidas pela gestão têm eficácia e a população tem, cada vez mais, percebido a importância da imunização contra a Covid-19.

Dentro do leque de ações, está a oferta diária, em média, de mais de 30 pontos de vacinação, entre grandes pontos de mobilização, espalhados estrategicamente pela cidade, como o shopping Phelippe Daou, na zona Leste, e o Centro de Convenções (Sambódromo), além das unidades de saúde. Destaque também para os mutirões e intensificações de vacinação, responsáveis pelas maiores mobilizações de público.

Em Manaus são aplicadas as vacinas da Coronavac, Pfizer, Janssen e Astrazeneca. Essa última teve o intervalo entre as duas doses reduzido de 84 para 56 dias, conforme orientação do Ministério da Saúde. Outras estratégias para reforçar a proteção da população vêm sendo estudadas. Agora, o mais importante é não deixar de se vacinar, lembrando que quem se vacina, protege a si, aos seus e contribui para ampliar a proteção de toda a população. Um esforço e compromisso de cada um. Por isso, procure um ponto de vacinação e faça a sua parte, por si e por todos.

Onde tem vacinação, tem Prefeitura.

Prêmio Elos da Amazônia 2021 – Edição Açaí

Sobre o prêmio

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Prêmio Elos da Amazônia 2021 – Edição Açaí é um evento nacional, realizado pelo Instituto De Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Programa Prioridade de Bioeconomia (PPBio) e Impact Hub Manaus, com o apoio da rede Uma Concertação pela Amazônia, que fará uma premiação no valor de R$ 30 mil reais, distribuída para 04 tecnologias inovadoras e/ou disruptivas, que se proponham a solucionar desafios nos elos de cadeias produtivas da Amazônia. As diretrizes do prêmio têm como premissa: sustentabilidade, equilíbrio ambiental, justiça social e viabilidade econômica.

Assim, as iniciativas deverão ser economicamente viáveis, ambientalmente equilibradas e socialmente inclusivas, podendo ir de modelos teóricos a protótipos de tecnologias já criados ou mesmo em fase de validação de mercado.

Propósito

O açaí é um dos frutos mais conhecidos e tradicionais da Amazônia. Considerado uma super fruta – com propriedades funcionais elevadas e fonte de inúmeros nutrientes e fibras, ficou mundialmente famoso.

Porém, mesmo com todos estes potenciais, o açaí vem enfrentando há anos desafios básicos relacionados aos elos de sua cadeia produtiva, que incluem: práticas de extrativismo e colheita, logística, transporte e armazenagem, embalagem, energia renovável, tratamento de resíduos, pré-beneficiamento, industrialização, gestão, comercialização, entre outros

A partir destas problemáticas e buscando soluções, o Prêmio Elos da Amazônia 2021 – Edição Açaí, que se dedica a esse fruto, foi criado para dar visibilidade e reconhecimento às iniciativas com potencial de aprimorar a cadeia produtiva do açaí.

Os trabalhos selecionados serão apresentados por seus idealizadores, premiados e ainda poderão ganhar visibilidade para futuros investidores.

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QUEM PODE PARTICIPAR?

Podem concorrer ao prêmio pessoas físicas e pessoas jurídicas.

Pessoas físicas

Jovens ou adultos acima de 18 anos, brasileiro(a), que faça parte ou não de instituições de ensino e/ou pesquisa.

Membros ou não de associações comunitárias, cooperativas, OSCs (antigas ONGs), startups, negócios de impacto, universidades, escolas técnicas, institutos de pesquisa, institutos de ciência e tecnologia.

Pessoas jurídicas

Associações ou cooperativas comunitárias, OSCs (antigas ONGs), startups, negócios de impacto, universidades, escolas técnicas, institutos de pesquisa, institutos de ciência e tecnologia que estejam formalizadas e com CNPJ ativo.

Perguntas do prêmio

Tecnologia para produção

Qual a solução tecnológica para colheita, transporte e conservação da qualidade do fruto no campo/área rural/floresta?

Agregação de valor

Qual biotecnologia pode criar novos produtos para o açaí (todas as partes da fruta) consorciado com a produção de açaí para alimentos?

Gestão e relacionamento com o mercado

Qual tecnologia permite melhorar a relação do produtor/extrativista (individual ou coletivo) com o próximo elo de comercialização (contratos, bancarização, relação cooperativa-cooperado e outros)?

Premiação

Jurados

Webinar

Agenda

Agenda Elos da Amazonia

Realizadores

Realizadores Elos da Amazonia

Apoiadores

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Em seis meses, prefeitura leva proteção social a milhares de famílias

Por: Secretaria Municipal de Comunicação

14/07/2021

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Manaus vive um novo momento. A cidade está mais bonita e vem se organizando a cada dia. O colorido que vem tomando as ruas e calçadas reflete a perspectiva de dias ainda melhores.  As frentes de obras estão por todos os lados. A vacinação contra a Covid-19 avança diariamente, com mais de 1,2 milhão de doses aplicadas. A educação já vive o retorno às salas de aula, no sistema híbrido, com o compromisso de toda a comunidade escolar. Nos seis primeiros meses de um ano desafiador – com a pandemia do novo coronavírus e a maior cheia do rio Negro já registrada –, a prefeitura estendeu as mãos àqueles que mais necessitaram de amparo.  

São 180 dias de gestão e milhares de famílias e trabalhadores beneficiados em diversas áreas. O Auxílio Manauara, por exemplo, vem concedendo mensalmente o valor de R$ 200 a 40 mil famílias de baixa renda. Cinco parcelas do benefício já foram repassadas.

O Auxílio Empreendedor ajuda 6 mil profissionais autônomos e microempresários a lidarem com a crise econômica causada pelo novo coronavírus. Eles receberam o valor de R$ 300, pago em cota única.

A cheia do rio Negro, que atingiu este ano a marca de 30,02 metros, a maior da história, trouxe prejuízos não só à infraestrutura urbana, como também aos lares. Com isso, 3.462 mil famílias cadastradas pelo município vêm recebendo o valor de R$ 300 de Auxílio Aluguel e R$ 200 provenientes do Auxilio Cheia 2021. Este último passou a ser concedido em decorrência da nova gestão da Prefeitura de Manaus enxergar a defasagem do valor do Auxílio Aluguel, executado na gestão anterior.

Educação e primeira infância

Uma das prioridades do município, a área da educação recebeu especial atenção. Além do cartão Nossa Merenda, distribuído este ano aos lares de mais de 66 mil alunos, os educadores passaram a receber, desde o mês de abril, o Auxílio Conectividade, no valor de R$ 70, para ajudar nas despesas com internet durante as aulas on-line, que continuam para os alunos cujos pais optaram pela manutenção dos estudos em casa.

A preocupação com a alimentação de bebês e crianças também levou a prefeitura a retomar a entrega do Leite Ninho fases 3+, destinado a crianças de três a quatro anos e 11 meses de idade. O produto faz parte do “Programa Leite do Meu Filho”. A fórmula Ninho Fases 1+ também foi inserida no programa, que contempla, em média, 13 mil crianças em Manaus.

Em outra ponta, a Prefeitura de Manaus ofertou 16 mil vagas na edição do Bolsa Universidade 2021. Mais de 40 mil candidatos se inscreveram.

IPTU

E para ajudar milhares de lares afetados pela crise econômica, a gestão municipal concedeu a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para aproximadamente 45 mil contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, além de conceder descontos de até 30% e prorrogar a data de pagamento do imposto.

A criação dessa verdadeira rede de proteção social demonstra-se um apoio e tanto para uma cidade que trabalha para se livrar da crise e viver dias cada vez melhores.

Mapa de Manaus: mapeando toda a cidade para desenvolver o futuro

Por: Secretaria Municipal de Comunicação

Você conhece o projeto Mapa de Manaus?

Trata-se de um amplo levantamento de informações sobre a cidade, idealizado para ser uma ferramenta de planejamento de políticas públicas no município. A partir do Mapa será possível fazer um diagnóstico preciso, trabalhando-se melhorias para o cidadão em diversas áreas.

Realizado desde 2019, o projeto teve suas visitas porta a porta suspensas em março de 2020, em razão da pandemia do coronavírus, sendo retomado na última semana deste mês de maio, com os cadastradores nas ruas. Em cada bairro, estes profissionais estão abordando os moradores, fazendo perguntas com o objetivo de realizar a atualização cadastral dos proprietários e de seus imóveis. Para que o projeto seja fiel à realidade, é importante que todas as informações sejam passadas corretamente.

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Antes da visita dos cadastradores o projeto teve outras duas fases: a captação de imagens por meio de uma aeronave preparada com câmera especial e, na sequência, um veículo terrestre percorreu 4,1 quilômetros de vias da cidade para a geração de um mapa detalhado. Ambas as estruturas captaram imagens em alta resolução.

A retomada do projeto inclui agora visitas em três bairros: Flores, Parque 10 de Novembro e parte da Cidade Nova, onde serão avaliadas 18.829 inscrições imobiliárias.

Para facilitar a identificação dos cadastradores nos bairros, eles estão usando boné, colete verde e crachá. E como a pandemia continua, é importante lembrar de receber estes profissionais fazendo uso de máscaras.

Para mais informações sobre o Mapa de Manaus, o cidadão poderá acessar o site www.mapademanaus.org ou entrar em contato com a equipe do projeto, por meio do WhatsApp (92) 98421-7828.

Sua participação é importante para que possamos trabalhar ainda mais por Manaus.

Manaus inova com primeira feira flutuante do país

Por: Secretaria Municipal de Comunicação

O fenômeno da cheia dos rios e outras características peculiares da cidade levaram a Prefeitura de Manaus a encarar um projeto inovador no país: a construção de uma feira sobre as águas do Rio Negro. Localizada na Manaus Moderna, no centro da capital, a estrutura foi construída em tempo recorde e entregue no último dia 19, garantindo a continuidade das vendas dos feirantes da área.

Da mesma forma que beneficia os trabalhadores, a feira também garante condições adequadas de compra à população que costuma frequentar a Manaus Moderna em busca de produtos com qualidade e preços baixos. Sem a feira flutuante, os feirantes teriam que trabalhar de forma improvisada, sem qualquer segurança sanitária para seus clientes. Na nova estrutura estão 221 boxes, rede de tratamento de água e banheiros químicos.

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A entrega da feira faz parte das estratégias do Comitê de Enfrentamento das Cheias Fluviais, criado pela gestão municipal e realizando há mais de 30 dias a “Operação Cheia 2021”. A previsão, segundo o Serviço Hidrológico do Brasil (CPRM), é de que a enchente deste ano ultrapasse a cota dos 30 metros, o que exige ainda mais esforços das autoridades.

Para evitar maiores prejuízos também foram ou vêm sendo desenvolvidas as seguintes ações:

  • Cadastro de 3 mil famílias para receber ajuda social;
  • Construção de pontes e passarelas metálicas e de madeira. São 4 mil metros de pontes, com previsão de construção de mais 3 mil metros para atender as áreas mapeadas;
  • Pagamento de Auxílio Aluguel e Auxílio Enchente, que somados darão o valor de R$ 500 por mês;
  • Distribuição de cestas básicas, colchões, lençóis e redes;
  • Construção de barricadas e barreiras de proteção;

É para garantir o bem de todos que a Prefeitura de Manaus vem trabalhando, trazendo soluções e grandes mudanças.

Papel da Amazônia no Desenvolvimento Brasileiro

Como o Brasil pode contribuir para a redução global de emissões de gases de efeito estufa? Qual o papel da Amazônia neste processo e no modelo de desenvolvimento socioeconômico Brasileiro? Como promover o desenvolvimento da região amazônica conciliando com a descarbonização da economia?

Márcio Holland
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Dados divulgados em abril de 2021 apontam que, mais uma vez, como tem acontecido nos últimos anos, o Brasil registrou aumento no desmatamento. Contudo, é digno de registro imediato que o que se faz com o meio ambiente impacta o mundo dos negócios, os investimentos estrangeiros no País, os acordos comerciais internacionais e a imagem brasileira perante consumidores, daqui e lá de fora. Não se pode mais
dissociar as políticas de meio ambiente, o desmatamento, a queimada ilegal, a grilagem e diversos outros crimes ambientais da avalição dos negócios de empresas e de países. Mais do que isso, as melhores práticas ambientais tendem a ser, cada vez mais, mais premiadas em mercados financeiros, repercutindo positivamente no valor das empresas e na percepção de risco do País. Não há mais espaços para o debate
entre os “alarmistas” e os “negacionistas”. A partir de agora, devemos ser todos “alarmistas”.

É imperativo que caminhemos, o mais rapidamente possível, para limitar o aumento da temperatura global em 1,5ºC. Para se ter uma ideia deste desafio, em pleno ano do surto do coronavírus e da pandemia da covid-19, em 2020, as emissões de gases de efeito estufa caíram 3%, em comparação com 2019. Isso basicamente sem grandes esforços de empresas, governos e empresas, mas por imperativo das medidas de
distanciamento social e, com isso, da recessão global.

Os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, das Nações Unidas), mostram que, para limitar o crescimento do aquecimento global em 2ºC, temos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 5% ao ano, de 2020 a 2050. Mas, de acordo com o climatologista e professor Paulo Artaxo, que integra o IPCC, essa média de aquecimento significa que regiões como a Amazônica devem
aquecer 3ºC. Não tem saída. Precisamos entrar, de corpo e alma, na era da descarbonização. O estado atual da produção e do consumo é insustentável. Já não estamos mais falando do futuro, mas do nosso momento atual.

O Brasil tem uma grande contribuição a dar neste tema. E, o que é mais incrível, conduzir adequadamente o tema pode ser o seu grande motor de desenvolvimento socioeconômico sustentado de longo prazo.

Os dados estão na mesa. O Brasil responde por 60% da Amazônia. Trata-se do bioma de maior sociobiodiversidade do planeta, banhado pela maior bacia hidrográfica do mundo, com 1/5 (um quinto) de água doce do mundo que deságua nos oceanos. Ali se encontra imponente, há mais de 55 milhões de anos, a Floresta Amazônica, e o homem a habita há mais de 11 mil anos. Sua existência como tal é essencial para a segurança climática do planeta. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, se o desmatamento desta floresta chegar a 40%, podemos atingir o chamado tipping point, ou seja, o “ponto irreversível” de “savanização”.

De outro lado, dezenas de municípios da região apresentam péssimas condições de vida, como facilmente observado nos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), reflexo de moradias precárias, de falta de acesso à água potável e de tratamento de esgoto, de falta de acesso à serviços de saúde e de educação de qualidade. São 30 milhões de habitantes vivendo na região em condições difíceis.

Mesmo respondendo por metade de nosso território, viramos as costas para essa riqueza natural incomensurável. Nunca soubemos, e ainda não sabemos, o que fazer com a Amazônia.

A Amazônia Brasileira contém 120 bilhões de toneladas de carbono em suas árvores, o que equivale a 10 anos de toda a queima de todos os combustíveis fósseis do planeta. Se isso for para a atmosfera, certamente que o futuro do planeta estará sob sérios riscos.

De acordo com o INPE, depois de um longo ciclo de redução do desmatamento na Amazônia Legal, de 2004 a 2012, de 27,7 mil quilômetros quadrados para 4,6 mil quilômetros quadrados, o Brasil voltou a desmatar de modo desordenado. Nos últimos dois anos, o desmatamento foi ainda mais intenso e entramos em 2021 em ritmo acelerado de desmatamento. O mais incrível é que o que se desmatou não nos trouxe
riqueza, mas percepção e imagem negativa para os olhos dos consumidores e investidores de todo o mundo.

Vale lembrar que a Amazônia não é uma unidade homogênea, nem o desmatamento acontece lá de modo igual. Em nosso levantamento, de 1977 até 2020, 16% da cobertura natural da Amazônia Legal foi desmatada, sendo que, no Pará, 22% de seu território foi desmatado, e no Amazonas, apenas 2,8%. Mesmo pequeno, 40% do território de Rondônia foi chão abaixo.

Considerando o total desmatado, desde 1977, que foi de 814 mil quilômetros quadrados, para um território de 5,0 milhões de quilômetros quadrados, apenas dois Estados, Pará e Mato Grosso, respondem por mais de 60% do desmatamento da Amazônia Legal.

Durante a Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em meados de abril, o governo brasileiro se comprometeu a reduzir as emissões em 43%, até final desta década, e a alcançar a neutralidade em 2050. Biden anunciou um plano ousado para a economia norte-americana. Ele se comprometeu a reduzir as emissões em 50%, até 2030. Isso vai exigir dos norte-americanos um intenso processo de descarbonização da economia, acelerar a eletrificação de veículos com fortes desestímulos ao consumo de combustíveis fósseis. Vale o registro de que os EUA são o segundo maior emissor, com 5,28 bilhões de toneladas de CO2, atrás da China, que emite 10,2 bilhões de CO2.

Para o caso do Brasil, os dados são bastante díspares. Para a SEEG/Observatório do Clima, o País lançou na atmosfera 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), contra 1,98 bilhão em 2018, um aumento de 9%. Mas, para a World in Data, baseado no Global Carbon Project, as emissões do Brasil são de 4.656 milhões de toneladas de CO2. Os dados oficiais, do Ministério do Meio Ambiente, a
partir do Projeto Educaclima, reportam emissões de 1,97 a 2,068 bilhões de toneladas.

Como o Brasil pode contribuir para a redução global de emissões de gases de efeito estufa? Qual o papel da Amazônia neste processo e no modelo de desenvolvimento socioeconômico Brasileiro? Como promover o desenvolvimento da região amazônica conciliando com a descarbonização da economia?

O primeiro passo para tentarmos responder a essas questões parece ser o de voltarmos a discutir o desenvolvimento econômico na Amazônia como central para o desenvolvimento de longo prazo de todo o Brasil. A Amazônia precisa ser discutida como uma das soluções para o crescimento, os investimentos, o emprego e a renda, e não como custos e fardos para a sociedade. A Amazônia precisa ser tratada como
política de Estado, e não de governos isolados.

Marcio Holland 1
Márcio Holland é professor na Escola de Economia de São Paulo da FGV, onde coordena os ‘Diálogos Amazônicos’ e o Programa de Pós-Graduação em Finanças e Economia. Escreve artigos para o Broadcast
quinzenalmente, às quartas-feiras.

Amazônia, a bicicleta, o ministro e a desinformação

Por Wilson Périco (*)
wilson.perico@wlbp-consulting-br

Parece brincadeira de mau-gosto essa sequência de interlocução desastrosa do Governo federal quando se refere ao trato das questões vitais da economia do Amazonas.

Dessa vez, foi o ministro do Meio Ambiente, numa entrevista coletiva na última terça-feira em Brasília. Na ocasião, ele detalhou os itens dos planos reativos do Governo à pressão internacional: Força Nacional Ambiental, Secretaria da Amazônia e Conselho da Amazônia, quando soltou a seguinte pérola, “…em vez de continuar a dar subsídios a fundo perdido para o cara fabricar bicicleta na Amazônia, vamos fazer coisas que realmente precisam estar na Amazônia”. E arrematou dizendo “ … o BNDES deve ajudar a financiar isso. Já conversei com o presidente da instituição e isso (o Zoneamento Econômico e Ecológico) está bastante avançado.

O Centro de Biodiversidade da Amazônia (deve ser de Biotecnologia) vai transformar aquilo num cluster de investimentos ligados à área de biodiversidade e de bioeconomia.”

“Quanto mais eu rezo…”

O homem simples do interior costuma dizer, em situações vexatórias como esta, “quanto mais eu rezo mais assombração me aparece”. Pelo visto, as entidades místicas de nosso acervo espiritual devem estar de férias, dado o acúmulo de situações de constrangimento a que temos assistido.

“Aquilo”, senhor ministro, é a maior floresta tropical do planeta, onde borbulham 20% dos princípios ativos e onde 1/5 da água potável da Terra. Por acaso, é também o lugar onde o governo, a quem o senhor serve, confisca metade da riqueza que nós, empreendedores e trabalhadores, produzimos.

E essa riqueza, senhor ministro, segundo a Constituição do Brasil, deveria ser aplicada na região para reduzir as inaceitáveis desigualdades regionais. O Brasil deveria acanhar-se com o fato do Amazonas abrigar 11 municípios entre os 50 piores IDHs do Brasil.

Chega de confisco

Portanto, em vez de recorrer aos empréstimos do BNDES para fazer o dever de casa da União, convença o Ministro da Economia a reduzir o confisco ilegal desses recursos para que eles atendam seus legítimos destinatários, os ribeirinhos esquecidos neste fim de mundo sem fim amazônico. Um mundo que o senhor desconhece.

Quem recebe dinheiro a fundo perdido não são as empresas do Polo Industrial de Manaus. Nem o povo do Amazonas. Já lhe dissemos isso. Assim como desconhece que não há dinheiro público no programa de desenvolvimento chamado Zona Franca de Manaus. Aqui nós, do setor privado, construímos por nossa conta e risco, este generoso (principalmente para a República) modelo de desenvolvimento, aplaudido pelo mundo todo e demonizado historicamente por seguidos governos omissos desta Nação.

Não há recurso público na ZFM

O governo federal não dá um centavo para as empresas que fabricam bicicletas nem para qualquer empreendimento do Polo Industrial de Manaus. Pelo contrário, cria penduricalhos jurídicos para confiscar de vários jeitos o fruto de nosso trabalho que alimenta a máquina pública, pesada e perdulária.

Não precisa, também, mudar o decreto de estrutura do ministério para ter essa secretaria da Amazônia funcionando. Melhor seria para o país mudar essa postura proibicionista que descreve esse Ministério que o senhor dirige desde sempre, incentive o empreendedorismo, assim geramos riqueza para mitigar eventuais descuidos com os estoques naturais.

Aliás, o Amazonas é reconhecido, mundialmente, pelo foco na sustentabilidade de sua economia. Todos exaltam nossa capacidade de gerar ativos com proteção florestal.

Ajude a ampliar os benefícios da ZFM

Seja bem-vindo sempre, senhor ministro. Se aproxime de nossos acertos e nos ajude a ampliá-los. Quem sai ganhando é o país e esse pedaço esquecido da brasilidade. Não venha, porém, para dar satisfação aos europeus, eles já saquearam nossas riquezas o suficiente.

Vamos dizer para eles que a indústria de duas rodas gera mais de 10 mil empregos diretos em Manaus e chega a cravar 85% de verticaliza industrial, como é o caso da Moto Honda.

Venha, portanto, para ajudar a gerar emprego. Esteja certo de que 10 mil ribeirinhos, com emprego, plano de saúde, auxílio creche, 4 refeições por turno, não terão interesse em “desmatar a Amazônia” como o governo disse recentemente no Fórum de Davos.

Em tempo, permita-nos um presta atenção. Não envolva sua reputação ambiental com fechamento de fábricas de bicicletas. Esse veículo fantástico foi redescoberto pelos cidadãos de bom senso, pois ocupam o topo do ranking da proteção florestal e são campeões de saúde para seus usuários . Muito obrigado.

(*) Economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas

COP 25, só nos resta trabalhar!

Foto: Cristyellen Marques

Alfredo MR Lopes (*) [email protected]

Para um observador mais atento, os debates da COP 25, a Conferência do Clima em Madri, terminada de qualquer jeito no último fim de semana, não passaram de um tremendo “faz de conta que estamos falando sério!”, tal a capacidade coletiva de deixar o dito pelo não dito. Isso significa que não devemos esperar novos avanços de propósitos daqueles que buscaram, objetivamente, o entendimento em favor da Terra, da saúde do Planeta, com a ruptura deste modelo predatório de nossa civilização. Aqui, no nosso quintal amazônico, se não nos mobilizarmos de forma organizada, teremos que nos curvar a novos acordos que,  mais uma vez, de cima pra baixo, vão nos fazer adiar nossos interesses de sobrevivência e prosperidade. Só nos resta uma saída: trabalhar!

 Infinitas saídas 

Isso significa que precisamos aclarar para nós mesmos o caminho a seguir. Quem somos, o que queremos alcançar e que Utopia queremos antecipar. E para definir os instrumentos de que dispomos é preciso relembrar nossas possibilidades. Qual é a vocação viável de negócios da Amazônia ? Além dos avanços do Polo Industrial de Manaus – um programa de desenvolvimento que deu certo – esta pergunta não tem apenas uma resposta por uma razão muito simples: são infinitas as perspectivas da floresta, de seu subsolo e de seus serviços ambientais. Tudo será viável se tivermos massa crítica qualificada, capacidade gerencial  e boas parcerias. Para se ter uma ideia, pouco mais de 5% do banco de germoplasma foi para os laboratórios. Por isso, na ótica da Bioeconomia, dos recursos geológicos e minerais, energéticos… etc.,  poderíamos escrever bibliotecas físicas e digitais impensáveis sobre a região. 

Fóruns de startups e de oportunidades

E é com esta premissa que temos sido palco de diversos eventos exploratórios, desde o Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia, há um ano,  sob a coordenação do Idesam, e um amontoado de parceiros, patrocinadores e expositores atuantes na região. Depois, vieram diversos eventos na área de Turismo, Inovação Tecnológica é setor Agropecuário, para desembarcar na II Feira do Polo Digital de Manaus e na I fesPIM, evento vitrine do que está sendo feito nos diversos segmentos. Só falta juntar entusiasmo e despedir vaidades, além, é claro, de lutar para que os recursos gerados para promoção do desenvolvimento e inovação tecnológica sejam aplicados de acordo com a Lei. 

Moedas verdes 

Quando falamos em inovação, queremos afirmar tão somente que é possível criar espaços de novas respostas para velhos problemas. E as estatísticas revelam que, a despeito da crise, nunca foi tão graticante vivenciar a Amazônia, degustar seus sabores, aspirar seus aromas, viajar em seus encantos e formatação criativa de novos negócios, de seu fantástico patrimônio natural. O termo Bioeconomia  ganha status de negócio inovador e os serviços ambientais viram moedas verdes nos empreendimentos climáticos abençoados pelas grandes corporações a procura de imprimir o impacto positivo de uma economia de maos dadas com a ecologia e a proteção do planeta.

Impactos sociais

Explodem startups na floresta como gases do contraponto ao efeito estufa que se materializam em novas oportunidades. E é exatamente esta a premissa robusta de nossa resposta ao faz de conta climático local. Temos que debater com as mangas arregaçadas, implantando, promovendo e premiando os Negócios Sustentáveis da Amazônia. Um momento único de diálogo em cima do concreto, do movimento inadiável da mudança, da troca entre as startups, coletivos empreendedores, inovadoras amazônicas e mobilizando os potenciais investidores, nacionais e internacionais. Trata-se de uma trilha inovadora sem volta  do sentido e do alcance das iniciativas sociais associadas aos investimentos de impacto na região mais cobiçada pelo imaginário da humanidade e dos investidores.

(*) Alfredo é filósofo e ensaísta.

FesPIM, a vitrine de avanços da ZFM

Foto: Bruno Zanardo

Com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, a Suframa abriu nesta quarta-feira, no Studio 5 Centro de Convenções, em Manaus, a solenidade de abertura da primeira edição da Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (1ª FesPIM). Um acontecimento pleno de avanços e conquistas deste programa de desenvolvimento tão açoitado pela difamação. Trata-se de uma vitrine que, não fossem tantos os embargos, boicotes e confiscos, exibiria a diversificação, o adensamento e a regionalização de suas conquistas.

Integrar a ZFM ao Brasil

No uso da palavra sobre o evento, o presidente Bolsonaro foi enfático: “Amazonas é o pedaço de terra ‘mais rico do mundo’ no que diz respeito a minerais, biodiversidade e água potável e que por conta disso, existe “cobiça” internacional. A Amazônia é Brasil, mas quando a riqueza é grande devemos redobrar a nossa preocupação. Final do governo Sarney, houve a criação do programa ‘Calha Norte’, para preservar as nossas terras. Por fraqueza de governos após o Sarney, veio a indústria da demarcação das terras indígenas. Por isso, temos o Amazonas tomado por políticas ambientalistas que, em parte, prejudicaram o crescimento do Brasil e a Zona Franca veio para mostrar que o Brasil é nosso, para integrá-la ao resto do País”.

Sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento.

Foram planejadas as exibições de 130 stands, todos focados na essência deste programa de desenvolvimento regional, a sustentabilidade. São esperados 40 mil visitantes em três dias de duração, a feira que está sob responsabilidade do Instituto de Inteligência Socioambiental Estratégica da Amazônia (Piatam), que firmou termo de cooperação técnica com a Suframa. A programação, bastante diversificada, tem por propósito aproveitar o caráter vitrine das ações mais importantes do desenvolvimento regional e utilizar para isso a mobilização de especialistas locais, nacionais e estrangeiros, exposição e comercialização de produtos e ações de disseminação de projetos e ações sustentáveis. A ordem é mostrar a importância estratégica do PIM para o crescimento socioeconômico da região, integrada com todo o País com base em conceitos de sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento.

Defesa da ZFM e valorização do PIM

O superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, definiu a I FesPIM como “novo conceito de defesa do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) e de valorização do Polo Industrial de Manaus como indústria verde do País”. Agradeceu a presença do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro – sinal do “amor do presidente pela Amazônia e pelo Brasil” –, bem como a confiança de todos os patrocinadores e empreendedores que acreditaram e apostaram na realização do evento, um cenário econômico, político e ambiental para o Brasil compreender as perspectivas futuras da ZFM no contexto do desenvolvimento regional.

Diversificação com a Bioeconomia O presidente do Instituto Piatam, Alexandre Rivas, destacou o estudo “Instrumentos Econômicos para a Proteção da Amazônia – A experiência do Polo Industrial de Manaus”, o qual, com rigor técnico-científico de padrão internacional, demonstrou que “o PIM não apenas cumpriu sua missão desenvolvimentista, mas, além disso, produziu bônus altamente relevante para a sociedade contemporânea, tornando-se, assim, o maior projeto de proteção de florestas tropicais do Planeta, que tem elevada relevância no atual contexto das mudanças climáticas”.

E arrematou: “Esta feira é uma ação de altíssima relevância e não utilizou R$ 1 sequer de dinheiro público. Tudo que está aqui foi patrocinado pelas empresas do PIM, fato muito importante porque mostra um aumento da responsabilidade e consciência coletiva da importância do PIM e dos desafios à frente: a necessidade de mudarmos uma economia fóssil para uma bioeconomia”.

CIEAM 40 anos: Acertos e avanços em 2019

Os políticos estão distantes do chão de fábrica assim como os empresários não entendem facilmente as regras do jogo político. Por essa e outras razões, podemos considerar um grande avanço de 2019 a presença dos parlamentares federais do Amazonas nos debates sobre a importância de assegurar os direitos da economia do Amazonas na Reforma Tributária, promovidos por Cieam e Fieam. Da mesma forma, a ida dos empresários do setor produtivo do Polo Industrial de Manaus a Brasília, para sentir a temperatura das discussões da reforma, ampliou o diálogo, expandiu a colaboração e permitiu o estreitamento de uma parceria fecunda e promissora à luz do interesse público. “Acima de tudo, o que importa é proteger a Zona Franca de Manaus. E se estamos atentos aos movimentos de discussões e rumos da Reforma Tributária no Congresso Nacional, é porque estão em jogo os investimentos e empregos gerados pelas atividades industriais da ZFM”., insistiu o presidente do Conselho do Cieam, o empresário Luiz Augusto Barreto Rocha.

PEC 169, empregos e investimentos

Nesse contexto, decidiu-se pela elaboração de um formato de Proposta de Emenda Constitucional que, nos entendimentos das lideranças empresariais, tendo à frente o dirigente do Cieam, Wilson Périco, assegurassem empregos e investimentos nas bases hoje existentes e no resguardo das condições de expansão, diversificação e adensamento da planta industrial de Manaus. Essa proposta se consolidou a partir de múltiplos debates com o poder público estadual, representantes da academia, juristas e tributaristas de renome estadual e nacional. Foram estes especialistas que confirmaram a informação dos parlamentares segundo a qual as propostas em tramitação nas duas casas legislativas apresentavam pontos extremamente danosos à Zona Franca de Manaus. Ipso facto, as entidades empresariais da indústria do Amazonas encaminharam à bancada do Amazonas, para discussão e detalhamento a proposta 169, de Emenda Constitucional para preservar as vantagens competitivas originais de nossa economia.

Empenho parlamentar  

A iniciativa conjunta da Emenda 169, assinada e apresentada por todos os deputados da bancada federal do Amazonas, é – fundamentalmente – alternativa à PEC 45, proposta inicial da Reforma Tributária, com cartas marcadas e de olho, na opinião de especialistas, no interesse maior do establishment, ou seja, o sistema financeiro. O texto da PEC 169 foi inspirado no mandamento constitucional previsto nos Artigos 40, 92 e 92-A do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias com o objetivo de garantir, no novo sistema tributário proposto, tratamento tributário que resguarda os direitos da ZFM, mantendo suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, até o ano de 2073.

Cieam 40 anos

Do diálogo fecundo entre poder público e setor produtivo, focado na expansão do Polo Industrial de Manaus, nos primórdios de consolidação da atividade produtiva, surgiu e foi instalado o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), em agosto de 1979. Neste ano, o empresário Sebastião Guerreiro, filho do fundador da entidade, Mário Expedito Guerreiro, localizou um documento de extrema importância e valor inestimável: o Discurso de abertura e instalação do Cieam, escrito e corrigido com anotações preciosas por seu pai.

O Documento foi entregue ao presidente reeleito da entidade, Wilson Périco. Neste espaço da Follow-up, reproduzimos em 4 edições o texto integral, comentado pelo presidente e disponível no Portal Cieam. “Existe uma compulsão na natureza humana que conduz o homem para a formação de grupos sociais definidos…” Era 10 de agosto de 1979 e assim começava o pronunciamento de seu idealizador, Mario Guerreiro. “…Subordinados a esse determinismo, estamos nós, no dia de hoje, aqui reunidos para instalar o Centro da Indústria do Estado do Amazonas – Cieam”. E com muita clareza de propósitos define os objetivos: “O Cieam surge da necessidade imperiosa de complementar as atividades fecundas da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas. Com efeito, o Centro, na condição de sociedade civil, sem jurisdição do Poder Público, o que lhe confere maior flexibilidade nos seus objetivos e no desempenho de suas funções”.

Dessa maneira, o Cieam é organizado para somar e ombrear-se aos órgãos representativos do setor industrial do Amazonas, buscando sempre soluções adequadas, que venham ao encontro dos empresários e, principalmente, da comunidade amazonense. Essa visão de mundo e de compromisso com a terra tem sido a marca do Cieam, de seu presidente e conselheiros, o que inclui uma insistência permanente de ver os recursos pagos pela Indústria serem aplicados de acordo com a exigência legal de promoção do desenvolvimento regional, qualificação acadêmica e técnica, fortalecimento do turismo e Interiorização da economia.

“Olho gordo na Amazônia”

Alfredo MR LOPES [email protected]

O professor e ex-governador do Amazonas, Arthur Cézar Ferreira Reis, um dos grandes estudiosos da cobiça internacional da Amazônia, prefaciou umblivro raro, com informações preciosas que traduzem um debate “antigo e sempre belo”, como diria Santo Agostinho. Trata-se de “Olho grande na Amazônia”, escrito pelo amazonense Almirante Roberto Gama e Silva, que integrou a equipe ministerial do último governo militar do general João Batista de Figueiredo, no segmento de Informações e Segurança Nacional. O amazonense era devotado aos estudos minerais estratégicos da região, e denunciava as tentativas do “Olho Grande..” de por a mão nos minerais da Floresta, uma cobiça que se tinha radicalizado depois que o empresário Eliezer Batista levou adiante o Projeto Radam, o levantamento aerofotogramétrico da província mineral do Estado, nos anos 70.

Universidade do Juruá


Esse debate teve origem nos Saraus Amazônicos, conhecido por Universidade do Juruá, na Casa da Paraíba, que ficava no n.334, residência da família Baraúna Pinheiro. “Nas varandas daquela Casa se reuniam para confabulações frequentes alguns expoentes da cultura e erudição regional do Amazonas, em torno de uma garrafa de café, uma cesta com tucumãs ou uma tigela de coalhada fresca(*)”. Um time da pesada mobilizado por seo Petronio Augusto Pinheiro, que incluía Epaminondas Barahúna, José Alípio de Carvalho, José Ribamar Bentes Siqueira, Alfredo Jacaúna Pinheiro, Ambrósio Assayag, Cesare de Florio La Rocca, Guilherme Fregapanni, Orlando Garcia, Heitor Dourado e, vez por outra, José Lindoso, Roberto Gama e Silva, Severiano Mário Porto, Mário Antonio Susman e Rui Lins, para citar os mais assíduos.


Como promover o desenvolvimento inteligente?


O tema central do falatório era invariavelmente o mesmo: a Amazônia no contexto nacional e as oportunidades que se vislumbravam com o advento da Zona Franca de Manaus. Na pauta da prosa amazônica não poderiam faltar as especulações e as teses históricas para elucidar a derrocada dos seringais. O que fazer para evitar uma nova débâcle? Como assegurar a perenidade do modelo ZFM? A competitividade assegurada em Lei e mais tarde petrificada, literalmente, nas disposições transitórias da Constituição Federal de 1988, sempre representou inquietação e incertezas pelas ameaças empunhadas por compatriotas que não conseguiram desenvolver o laço de pertencimento em relação à Amazônia. Além de tudo isso, um tema recorrente eram as riquezas minerais do Estado e qual a melhor forma de aproveitá-las.


Para recompor o saque …


Certamente, ali nasceu, sob os ímpetos nacionalistas reinantes e pelos estudos de Gama e Silva, a ideia de resguardar a reserva de cobre e outros minerais, chamada Renca, a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), uma extensa reserva mineral, uma área maior que a Dinamarca, que o governo Michel Temer tentou entregar ao “Olho Gordo”, através de Decreto. Cosmopolitas por formação e nativos por opção e compromisso, aquela confraria cabocla determinou uma visão de mundo e as escolhas e alternativas assumidas desde então. Ali estavam homens públicos e empreendedores visionários que sonharam com um AMAZONAS próspero sob a ótica da racionalidade sustentável, não com o entreguismo para a cobiça estrangeira para recompor as contas públicas, saqueadas pela contravenção.

Parcerias inteligentes e inadiáveis


Um quinto dos princípios ativos do planeta habita por aqui e este é o desafio científico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Menos de 10%, porém, foi levado aos laboratórios. Surto de nacionalismo de Getúlio Vargas, o Inpa ilustra o enfrentamento da poderosa Unesco que queria ocupar a Amazônia – sob a coordenação de Washington – escalada pelo “Olho Grande” para ocupar a região. Reconstrução dos escombros da II Guerra, utilização de seus espaços para refugiados sem pátria e insumos para mitigar a insegurança alimentar, medicinal e apropriação dos tesouros minerais, eram as desculpas para oficializar o saque.

(Com informações doMuseu Multimídia www.memorialpetroniopinheiro.com.br.)
(*) ALFREDO é filósofo e ensaísta.

PEC 169, como evitar o caos

Por Alfredo MR Lopes

Em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, na semana passada, o escritor amazonense Márcio Souza, demonstrou as razões históricas pelas quais o Brasil Central considera a Amazônia uma região que permanece ignorada com uma população que deve se manter sem rosto, isto é, sem identidade e atendimento de necessidades . Tem sido assim desde a Guerra da Cabanagem, na primeira metade do século XlX. A Amazônia, então chamada de Grão Pará e Rio Negro, teve 60% da sua população dizimada, a maioria era de jovens. A Modernidade amazônica não se compatibilizou com o Brasil escravagista e latifundiário. E pagou caro por isso, porque aqui sopravam os ares libertários da Revolução Francesa, emanados da convivência de nossa região com os domínios franceses das Guianas.

Geração de empregos

Antes de ser instalada a ZFM no final dos anos 60, a classe política do Rio de Janeiro – que havia perdido o status de Capital Federal- se movimentou para usurpar nossa conquista de contrapartida fiscal. Este, porém, não foi um episódio isolado. Manaus, que havia galgado o patamar de metrópole global, por conta dos negócios da borracha, foi rebaixada, no país da primeira classe, a uma região anódina. Cinquenta anos depois, ficou demonstrado que essa contrapartida fiscal, longe de causar problemas para o país, foi o melhor arranjo para reduzir as diferenças absurdas entre as regiões brasileiras. Essa situação fiscal tem sido pauta dos “teclados de aluguel” para maldizer a economia do Amazonas. Temos a vaidade de afirmar que geramos muito mais empregos e oportunidades fora de nosso Estado que em seus limites geográficos. Temos um entreposto da ZFM no Estado do Rio de Janeiro, um dos mais completos em disponibilizar produtos de alta qualidade com preços acessíveis. E mais: todos aqueles que fornecem insumos, partes e peças para produtos fabricados em Manaus pegam carona fiscal do Decreto 288/67 que autoriza a contrapartida fiscal – de 8,5% do bolo fiscal do país – para a Amazônia Ocidental, mais o estado do Amapá.

ZFM e ZFSP

O montante de ítens adquirido em São Paulo equivale a 3 vezes o faturamento da ZFM, com descontos de impostos na base de 80%. Portanto, existe uma Zona Franca Paulista no estado mais próspero da federação que, apesar de deter 40% da economia brasileira, usa 50% dos incentivos da Receita. Sobre isso não há registro de qualquer reclamação na imprensa do Sudeste. Lembremos que Constituição Brasileira concede incentivos fiscais para regiões remotas e empobrecidas como é o caso do Amazonas, onde nada havia antes da ZFM e hoje essa economia ajuda o país. Por isso, as entidades do setor produtivo instaladas em Manaus formularam um projeto de emenda constitucional, a PEC 169, para resguardar os direitos constitucionais de que precisamos para trabalhar, dos quais depende 80% da economia do Amazonas. As entidades iniciaram a discussão da proposta com a Bancada Parlamentar do Amazonas para inserir esses direitos na iminente Reforma Tributária.

Cabanagem nunca mais!

Assim procedendo, as entidades entendem que o formato atual de nossa economia não pode ser alterado sob pena de provocar uma desestruturação danosa, de consequências graves e imensuráveis. Entre elas, a geração de emprego, a partir do Amazonas e em todo o país, o esvaziamento da Universidade do Estado do Amazonas, o encerramento das contribuições do setor privado para o turismo, interiorização do desenvolvimento, apoio às micro e pequenas empresas e a geração de múltiplas oportunidades que isso representa. Isso equivale a dizer que uma nova Cabanagem se abateria sobre nossa região, com a exacerbação da violência, da exclusão social e da miséria. Esta bandeira precisa ser empunhada por todos, lembrando que, por seus Estatutos, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas, para dar o exemplo, mesmo sendo uma entidade representativa dos empreendedores aqui instalados, tem compromissos inalienáveis com o desenvolvimento do Amazonas, sua integração com os demais estados da região e com a manutenção de um Brasil único e integrado pela prosperidade e igualdade socioeconômica.
(*) Alfredo é filósofo, ensaísta e consultor do CIEAM Centro da Indústria do Estado do Amazonas

 A Amazônia fervilha com e por empreendedorismo

A despeito do que crê maior parte da população brasileira, a Amazônia não é um grande espaço vazio de gente e cheio de árvores.  O atributo principal de seu povo é a vitalidade, amplamente à vista para quem se embrenhar em seus rios e percorrer suas estradas.  Aqui o brasileiro encontrou terra fértil para se desenvolver.  Entretanto, nos últimos 30 anos, o destino da Amazônia e seus habitantes tem sido cerceado constantemente por repetidas inovações burocráticas que visam a redução do desmatamento.  O intuito é correto; o Brasil já tem a capacidade de reduzir drasticamente o desmatamento e até mesmo reflorestar parte de áreas degradadas.  Mas o preço não pode ser remover o futuro econômico de mais de 25 milhões de brasileiros, relegando-os ao rol de bolsa família, aposentadoria rural e seguro defeso.  Não, a Amazônia pode e deve ser um espaço onde o Brasil se reinventa no século XXI, onde a dicotomia do ambiental versus o econômico se dissolve em um novo equilíbrio de prosperidade sustentável.

As premissas de um novo modelo devem ser claras.  Não existe mais espaço para a pecuária extensiva sem tecnologia.  O cenário onde um hectare de preciosa floresta é substituído por produtividade de 0,5 cabeças de gado precisa ser abolido.  Também não é razoável o cenário do corte raso para plantio de soja / cana / dendê, exceto onde já seja área degradada ou compensado por replantio.  

Ao mesmo tempo que algumas atividades não-sustentáveis não deveriam ocorrer na região, é preciso criar condições para que algumas atividades sustentáveis do ponto de vista ambiental também os sejam do ponto de vista econômico.  Por exemplo, o manejo florestal, atividade praticada no mundo todo em pequena e grande escala, na Amazônia não vingou.  Temos uma floresta imensa, com enorme densidade florestal, entretanto não somos significativos produtores de madeira no mundo.  O estado de Oregon nos EUA produz mais que o Brasil, ao menos legalmente.  A pergunta que precisamos fazer é: por que uma atividade como o manejo não prosperou na Amazônia, local óbvio para seu desenvolvimento??

Se o manejo florestal sustentável se viabiliza, em seu vácuo vem a silvicultura.  Com clima e chuvas propícios para o desenvolvimento rápido de algumas espécies, a Amazônia poderia ser o palco do maior experimento global de replantio, com enorme impacto sobre emissões de carbono.

E nas áreas já degradadas, o que devemos fazer?  Para início, a pecuária com algum investimento e tecnologia pode evoluir para 3 a 4 cabeças de gado por hectare.  Aumentos de produtividade como este são o cerne do enriquecimento de uma população.  Multiplicar o PIB pecuário atual na Amazônia por 8 sem derrubar mais uma árvore enriqueceria a região de forma tão intensa que mudaria a dinâmica social e econômica como um todo.  Alternativamente, utilizar áreas degradadas para piscicultura, atividade de melhor afinidade com a abundância de água na região, tem potencial enriquecedor ainda maior.  Um hectare de piscicultura tem o potencial de gerar dez toneladas de peixe, ou renda de cerca de R$50 mil por ano, muito mais do que pecuária pode ousar.

Estes são cenários que não envolveriam desmatamento adicional ao já existente.  Áreas onde ainda fosse necessário ou viável desmatamento seriam compensadas por replantio em outros locais, tornando impactos ambientais neutros.  Empresários na região certamente aceitariam os custos associados ao replantio em troca da rapidez das instituições públicas no processamento de licenças.  

Quais áreas seriam necessárias trabalhar?  1) Simplificação de regras, com grandes ganhos econômicos e ambientais.  2) Investimentos em ciência e tecnologia, para que aprendamos formas mais produtivas, enriquecedoras e inteligentes de utilizar nossos recursos naturais.  3) Infraestrutura para conectar a região e viabilizar economicamente atividades desejadas.  4) Estimular o empreendedorismo e a migração para a região, onde há de se criar um novo Brasil, com bases mais sólidas para a prosperidade.

Na Amazônia o Brasil tem a oportunidade de se reinventar, de largar as amarras burocráticas e deixar de lado modelos econômicos insustentáveis e improdutivos, em busca de uma economia e sociedade do século XXI.

Indústria da floresta: o crescimento que protege

Coluna Follow-Up

Quando a borracha perdeu protagonismo no mercado internacional, nas primeiras décadas do século passado, Manaus experimentou um fenômeno que marcaria profundamente sua relação com o restante do país. A cidade que havia financiado teatros, portos, iluminação pública e algumas das experiências urbanas mais sofisticadas da América Latina viu sua importância econômica diminuir rapidamente. Ao mesmo tempo, o eixo decisório nacional deslocava-se cada vez mais para o Centro-Sul.

Nas décadas seguintes, a economia brasileira passou por transformações profundas. A industrialização ganhou velocidade, novas rodovias conectaram mercados, grandes centros urbanos consolidaram-se como polos de investimento e consumo. Enquanto isso, a Amazônia permanecia distante dos circuitos que organizavam o crescimento nacional.

Uma resposta para o vazio

A criação da Zona Franca de Manaus, há quase 60 anos, nasceu desse contexto. Não foi uma concessão regional. Foi uma tentativa de responder a um problema concreto de ocupação econômica, integração territorial e soberania nacional numa região que ocupava mais da metade do território brasileiro e reunia menos de uma décima parte da população.

A distância dos julgamentos

Desde então, a história da Zona Franca passou a conviver com um paradoxo recorrente.

Embora os indicadores de arrecadação, emprego e conservação ambiental tenham se acumulado ao longo dos anos, o modelo permaneceu frequentemente submetido a avaliações formuladas a milhares de quilômetros da realidade amazônica. Em muitos casos, a análise partia de comparações entre Manaus e regiões dotadas de ferrovias, rodovias duplicadas, mercados consumidores próximos e cadeias produtivas construídas ao longo de mais de um século.

Um novo movimento da economia brasileira

A reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta semana chama atenção justamente porque emerge de uma lógica diferente.

Ao examinar os efeitos da Reforma Tributária sobre a indústria eletroeletrônica, o jornal identifica uma tendência que começa a ser percebida por empresas, consultorias e investidores: a reorganização do sistema tributário brasileiro tende a reforçar a atratividade relativa da Zona Franca de Manaus para determinados segmentos industriais.

Não se trata de uma hipótese construída por lideranças amazonenses. A observação aparece a partir das próprias projeções feitas para empresas instaladas em outras regiões do país.

A reportagem menciona que a retirada progressiva dos incentivos estaduais poderá alterar significativamente a equação de competitividade de diversos empreendimentos. Em determinados casos, os custos tributários futuros passam a aproximar-se de patamares que tornam Manaus uma alternativa cada vez mais considerada nos planejamentos corporativos de longo prazo.

Os sinais que chegam a Manaus

O momento coincide com outra informação relevante. Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, confirmou a existência de aproximadamente duzentos novos projetos industriais em tramitação ou implantação no Polo Industrial de Manaus.

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O número chama atenção não apenas pelo volume. Ele surge num período em que a indústria mundial atravessa um processo de reorganização produtiva impulsionado por disputas geopolíticas, busca por segurança nas cadeias de suprimentos, digitalização e transição energética.

A movimentação observada em Manaus faz parte desse cenário mais amplo. Durante a Conferência Zona Franca de Manaus 2050, realizada em Brasília por iniciativa da FIEAM, do CIEAM e da Confederação Nacional da Indústria, essa percepção apareceu em diferentes momentos do debate.

O economista Márcio Holland, da Fundação Getulio Vargas, recuperou uma questão antiga da economia brasileira. Durante muito tempo acreditou-se que o crescimento nacional acabaria reduzindo naturalmente as diferenças regionais. Os dados das últimas décadas mostram uma realidade mais complexa. As assimetrias persistem e continuam condicionando oportunidades, renda e qualidade de vida.

Ao analisar a Amazônia, Holland chamou atenção para um aspecto frequentemente negligenciado. O desafio regional não se resume à preservação ambiental ou à expansão econômica. Ele envolve infraestrutura, energia, conectividade, ciência, educação e capacidade institucional para transformar potencial em atividade produtiva.

A Amazônia real

A observação dialoga com uma preocupação recorrente entre empresários da região. Rebecca Garcia costuma lembrar que a Amazônia continua sendo comparada a realidades que não são as suas. Quem produz em Manaus enfrenta distâncias continentais, custos logísticos diferenciados, sazonalidades fluviais e limitações de infraestrutura que não encontram paralelo em grande parte do território nacional. Ainda assim, o Polo Industrial consolidou uma das mais importantes bases manufatureiras da América Latina.

Os números ajudam a compreender essa trajetória. Mais de 130 mil empregos diretos, centenas de milhares de ocupações indiretas, centros de pesquisa vinculados à Lei de Informática, investimentos permanentes em inovação e uma estrutura produtiva capaz de atender mercados nacionais e internacionais.

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Crescimento e floresta

Antônio Silva, presidente da FIEAM, tem observado que esses resultados foram alcançados sem que o Amazonas repetisse a dinâmica de devastação registrada em outras fronteiras econômicas. Enquanto a indústria crescia, a cobertura florestal permaneceu amplamente preservada.

Esse dado costuma aparecer nas estatísticas ambientais. Mas ele também pode ser observado na paisagem. Basta percorrer algumas horas além dos limites urbanos de Manaus para compreender que a floresta continua sendo o elemento dominante do território.

Essa singularidade amazônica ajuda a compreender um aspecto raramente percebido fora da região. Cada novo investimento industrial aprovado na Zona Franca amplia uma economia formal que reduz pressões sobre a floresta. Em certo sentido, todo investidor que aposta em Manaus passa a integrar uma rede econômica que contribui para a manutenção da floresta em pé.

O que fazer com a força acumulada

Foi justamente essa convivência entre atividade econômica e conservação que levou Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho do CIEAM, a defender uma reflexão mais ampla sobre o papel da Zona Franca nas próximas décadas.

A Agenda ZFM 2050 parte de uma constatação simples. A indústria instalada em Manaus não encerra as possibilidades de desenvolvimento da Amazônia. Ela constitui uma base a partir da qual novas cadeias econômicas podem ser estruturadas.

Nesse contexto surgem temas como bioeconomia, digitalização, pesquisa aplicada, empreendedorismo regional, infraestrutura logística, energia limpa e conectividade.

Denis Minev, líder empresarial, tem insistido numa observação que merece atenção. A biodiversidade amazônica, por si só, não produz riqueza. O valor econômico surge quando conhecimento, tecnologia, capital e organização produtiva conseguem transformar recursos naturais em produtos, serviços, processos e propriedade intelectual.

Essa transformação exige tempo. Exige instituições. Exige investimento continuado. Exige uma economia capaz de sustentar ciência, pesquisa e inovação.

Por isso, talvez o aspecto mais interessante das notícias recentes não esteja apenas na possibilidade de novos investimentos industriais chegarem a Manaus.

O que emerge desses movimentos é a percepção gradual de que a Amazônia voltou a ocupar espaço nos cálculos estratégicos do país. Não como um problema a ser administrado à distância. Nem como uma paisagem a ser contemplada.

Mas como um território onde se cruzam temas que passaram a influenciar o futuro da economia mundial: segurança climática, biodiversidade, energia, tecnologia, soberania e produção industrial.

A Reforma Tributária não criou essa realidade. Os projetos anunciados pela Suframa também não. Ambos apenas ajudam a iluminar um processo que já vinha se desenhando silenciosamente.

Depois de décadas tentando explicar sua relevância ao restante do país, a Amazônia começa a ser observada novamente por razões que ela própria ajudou a construir ao longo de sua história recente.


Follow-Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal BrasilAmazoniaAgora. 

Com desmate como argumento, tarifaço contra o Brasil poupa setores críticos 

Investigação dos EUA cita desmatamento ilegal para embasar tarifaço contra o Brasil, mas poupa carne, madeira e ouro da lista de sobretaxas.

O desmatamento ilegal no Brasil foi usado pelo governo dos Estados Unidos como um dos principais argumentos para propor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), afirma que falhas na fiscalização ambiental permitiriam a entrada no mercado de produtos ligados a crimes ambientais, como madeira e carne bovina, criando uma vantagem competitiva considerada desleal para produtores norte-americanos.

Apesar do peso dado ao tema ambiental, o tarifaço contra o Brasil apresenta contradições. A lista de exceções poupa parte dos setores mais citados no relatório, como cortes de carne bovina, diferentes tipos de madeira tropical e ouro. Para especialistas ouvidos pelo G1, a decisão enfraquece o argumento ambiental usado pelos Estados Unidos, já que mantém fora da taxação produtos associados a cadeias produtivas vulneráveis ao desmatamento, à grilagem e à exploração ilegal de recursos naturais.

O documento norte-americano aponta que o Brasil teria dificuldades para impedir fraudes no Cadastro Ambiental Rural (CAR), falhas no controle da origem da madeira e problemas na rastreabilidade do gado. Além de citar estudos que estimam que 91% do desmatamento na Amazônia entre 2023 e 2024 teria ocorrido de forma ilegal, além de mencionar o avanço registrado em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro.

No entanto, a investigação é criticada por recorrer a dados considerados defasados e por não incorporar avanços recentes. O texto não destaca, por exemplo, que a Amazônia registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento em mais de dez anos, após reforço em ações de fiscalização, monitoramento por satélite e aplicação de sanções ambientais.

Outro ponto do tarifaço contra o Brasil que é contestado é a afirmação de que o país não investiria de forma suficiente em tecnologia de fiscalização. Pesquisadores brasileiros afirmam que o país é referência internacional em monitoramento por satélite, com sistemas capazes de acompanhar áreas de risco, identificar desmate em tempo real e apoiar a aplicação de multas e restrições de crédito. O uso de imagens de satélite e inteligência artificial também é citado como ferramenta para impedir financiamento a propriedades com irregularidades ambientais.

O relatório dos EUA também menciona a chamada “lavagem de gado“, prática em que animais criados em áreas ilegais são transferidos para propriedades regulares antes do abate. O problema é reconhecido por especialistas, mas eles destacam que mecanismos de controle foram ampliados nos últimos anos, como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos e o TAC da Carne, acordo firmado entre frigoríficos e o Ministério Público Federal para reduzir compras de áreas desmatadas ilegalmente.

Mesmo com essas medidas, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais. Projetos recentes no Congresso, como propostas que limitam multas baseadas em imagens de satélite e reduzem áreas protegidas, são apontados por ambientalistas como retrocessos. Esses pontos, porém, não aparecem com a mesma ênfase na investigação norte-americana sobre o tarifaço contra o Brasil.

Para o governo brasileiro, os dados apresentados aos Estados Unidos mostram uma trajetória de queda no desmatamento e aumento da fiscalização. O Ministério do Meio Ambiente afirma que houve crescimento nas multas, nas apreensões e nas ações de controle em diferentes biomas.

A proposta de sobretaxa ainda não está em vigor. O USTR abriu consulta pública e prevê uma audiência em julho antes da decisão final. Até lá, o tarifaço contra o Brasil segue cercado por questionamentos: embora use problemas ambientais reais como justificativa, poupa produtos diretamente relacionados às cadeias mais sensíveis ao desmatamento e ignora parte dos avanços recentes no controle ambiental brasileiro.

Eleições na Amazônia 2026: Amapá reduz desmatamento, mas petróleo desafia discurso sustentável

Amapá reduz desmate e estrutura políticas climáticas, mas a defesa de petróleo e o caso do Garimpo do Lourenço testam a governança ambiental.

Esta é a terceira reportagem da série Eleições na Amazônia 2026: o saldo que chega às urnas, que analisa os principais desafios e avanços socioambientais herdados pelos estados amazônicos às vésperas da próxima disputa eleitoral.

Com uma das maiores áreas de floresta preservada do país, o Amapá encerra o último mandato do governo estadual em busca de consolidação como referência em desenvolvimento sustentável na Amazônia. Sob a gestão de Clécio Luís (União), o estado avançou em indicadores ambientais, reduziu o desmatamento, estruturou políticas climáticas e lançou planos voltados à sociobioeconomia. Esses movimentos buscam transformar a floresta em pé em ativo econômico capaz de gerar renda, atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas da biodiversidade.

Esse projeto, no entanto, não é isento de tensões. A defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, o licenciamento de atividades minerárias em áreas sensíveis e os conflitos envolvendo povos tradicionais revelam os desafios de uma agenda que precisa conciliar preservação ambiental, transição energética e crescimento econômico. No centro desse debate está a pergunta que define o dilema do estado: como transformar seu patrimônio ambiental em desenvolvimento concreto sem ampliar riscos socioambientais,  nem enfraquecer os direitos das populações que vivem na floresta?

A floresta em pé como eixo de governo

Antes de chegar ao governo do Amapá, Clécio Luís construiu sua trajetória pública em áreas diretamente relacionadas à gestão territorial e ambiental. Formado em Geografia pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), com especialização em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), ele atuou como professor, policial civil, secretário estadual de Educação e presidente da Agência de Fomento do Amapá (Afap).

A sua experiência administrativa mais relevante antes do governo estadual foi à frente da Prefeitura de Macapá, onde exerceu dois mandatos entre 2013 e 2020. Na campanha ao governo do Amapá, em 2022, Clécio Luís apresentou um plano estruturado em eixos que conectaram preservação ambiental, desenvolvimento econômico, inclusão social e valorização dos povos tradicionais. 

O documento registrou propostas específicas nas áreas de Gestão Ambiental, Povos Indígenas, Igualdade Racial e Ações Afirmativas, Agricultura Familiar, Ciência e Inovação. A ideia central era transformar a conservação da floresta em uma plataforma de desenvolvimento, em vez de tratá-la como obstáculo ao crescimento econômico.

Essa proposta dialoga com uma característica central do Amapá: o estado mantém cerca de 97% de sua cobertura florestal preservada, condição frequentemente apresentada pelo governo como ativo ambiental e econômico. A promessa de campanha, portanto, partia da defesa de que a floresta em pé poderia gerar negócios, atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas da sociobiodiversidade e melhorar os indicadores sociais do estado.

No campo ambiental, uma das principais diretrizes associadas a essa agenda foi o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais do Estado do Amapá (PPCDAP 2022-2025). O plano estabeleceu como meta reduzir o desmatamento ilegal em 36% até 2025, tendo como base a média anual de 24,25 km² registrada pelo sistema PRODES/INPE nos quatro anos anteriores. 

As promessas de campanha de Clécio Luís no campo socioambiental podem ser sintetizadas em quatro eixos: reduzir o desmatamento e fortalecer a fiscalização; transformar a floresta em ativo econômico por meio da bioeconomia e dos serviços ambientais; ampliar políticas para povos tradicionais, indígenas e quilombolas e diversificar a matriz econômica e energética do estado. 

Queda no desmatamento sustenta discurso de preservação

No campo do desmatamento e da preservação florestal, a gestão de Clécio Luís teve como principal marca a redução da perda de cobertura vegetal no Amapá. O governo estadual adotou como diretriz o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais do Estado do Amapá (PPCDAP 2022-2025), que estabeleceu a meta de reduzir o desmatamento ilegal em 36% até 2025. A referência usada foi a média anual de 24,25 km² registrada pelo sistema PRODES/Inpe nos quatro anos anteriores.

Segundo os dados consolidados do PRODES/Inpe para o período entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Amapá superou a meta prevista no plano estadual. A redução registrada foi de 48,15%, a segunda maior queda percentual da Amazônia Legal, atrás apenas do Tocantins. Em termos físicos, a área desmatada caiu de cerca de 2.500 campos de futebol em 2024 para aproximadamente 1.300 campos de futebol em 2025, de acordo com dados do ICMBio.

Outro ponto relevante foi o desempenho nas áreas protegidas, onde a queda acumulada do desmatamento desde o início da gestão, em 2022. Esse recorte inclui florestas nacionais, parques, reservas biológicas e terras indígenas, indicando que a estratégia de controle priorizou territórios de maior sensibilidade socioambiental.

A gestão também buscou reforçar o monitoramento e a fiscalização. As ações envolveram articulação entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), forças de segurança pública, Ibama e ICMBio, com uso de alertas em tempo real do sistema DETER/Inpe. Essa combinação de fiscalização preventiva, inteligência territorial e atuação integrada é um dos fatores que explicam a queda do desmatamento.

Além da dimensão operacional, o governo avançou na construção de uma base legal para a política ambiental. Um dos principais marcos foi a sanção da Lei nº 3.128/2024, que instituiu a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação e Incentivos aos Serviços Ambientais (PECISA). A legislação criou o Sistema Estadual do Clima e o Comitê Técnico-Científico, além de estabelecer diretrizes para Zoneamento Ecológico-Econômico, monitoramento de emissões, valorização da floresta em pé e proteção de comunidades tradicionais.

Com a PECISA, o combate ao desmatamento passou a ser associado também à geração de valor econômico a partir da conservação. O governo iniciou tratativas com empresas do mercado voluntário de carbono, como a Future Carbon, com o objetivo de transformar serviços ambientais em fonte de receita por meio de mecanismos como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e créditos de carbono. A proposta é direcionar parte desses benefícios a pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades locais.

Assim, o balanço da gestão no tema mostra dois movimentos principais: de um lado, resultados concretos na redução do desmatamento e fortalecimento do monitoramento florestal; de outro, a tentativa de transformar a preservação em ativo econômico. 

A queda expressiva no desmate reforça a posição do Amapá como um dos estados mais preservados da Amazônia Legal, enquanto a estruturação da PECISA indica uma mudança de abordagem: a floresta em pé passa a ser tratada não apenas como patrimônio ambiental, mas também como base para uma nova estratégia de desenvolvimento econômico.

Além disso, o dado também fortaleceu a estratégia do governo de projetar o Amapá como referência internacional em conservação florestal. Na COP28, em Dubai, Clécio Luís defendeu que o estado opera como um território de “carbono negativo”, por manter grande parte de sua cobertura vegetal preservada e capturar mais gases de efeito estufa do que emite. Com esse argumento, o governo passou a reivindicar compensações financeiras mais justas pelos serviços ambientais prestados pelo Amapá ao equilíbrio climático global. 

Bioeconomia avança como aposta, mas ainda busca escala

Na agenda de bioeconomia, a gestão de Clécio Luís foi marcada pela tentativa de transformar a conservação da floresta em base para um novo modelo econômico no Amapá. O principal instrumento dessa estratégia foi o Plano Estadual de Apoio à Sociobioeconomia (PEAS), instituído pelo Decreto nº 4.616, de 5 de junho de 2024, como política voltada ao fortalecimento de cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da sociobiodiversidade e do extrativismo.

O plano consolidou uma das promessas de campanha associadas à transição para uma economia de baixo carbono: gerar renda a partir da floresta em pé, sem ampliar a pressão sobre o desmatamento. Para isso, o governo mapeou o território amapaense e definiu cadeias produtivas prioritárias, como açaí, óleos naturais, madeira certificada e rastreada, artesanato, gastronomia tradicional, biotecnologia, biofármacos e biocosméticos.

O PEAS também buscou combinar conservação ambiental, inclusão produtiva e atração de investimentos. Entre os mecanismos previstos estão suporte técnico, incentivos fiscais, acesso a mercados e parcerias institucionais. O governo firmou cooperação com o Sebrae-AP para qualificação de pequenos produtores e articulou apoio de instituições como a Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas, USAID e Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT).

Sementes da floresta amazônica representam o potencial genético e produtivo da bioeconomia no Amazonas.

Outro ponto que demarcou a gestão foi a tentativa de dar visibilidade internacional à bioeconomia amapaense. O lançamento oficial do PEAS ocorreu durante a COP30, em Belém, no estande do Amapá, com o objetivo de apresentar o estado como território capaz de aliar preservação florestal, inovação e geração de renda. Segundo o governo estadual, o plano marca o início de uma estratégia econômica baseada na valorização dos saberes tradicionais, da inovação e da manutenção da floresta viva.

Na esfera local, a agenda de sociobioeconomia foi vinculada também à agricultura familiar e à compra pública de alimentos. Um dos exemplos foi o repasse de R$ 1 milhão ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no município de Amapá, medida apresentada como forma de garantir mercado para a produção local e fortalecer a renda de agricultores familiares.

Apesar do avanço institucional, o principal limite da agenda está na execução. O PEAS organiza diretrizes, cadeias produtivas e parcerias, mas a consolidação da bioeconomia como alternativa real ao desmatamento depende de escala produtiva, infraestrutura, assistência técnica, crédito, rastreabilidade e acesso contínuo a mercados. Assim, a gestão Clécio Luís avançou ao estruturar a bioeconomia como eixo de governo, mas ainda enfrenta o desafio de transformar o potencial da floresta em renda efetiva para comunidades, pequenos produtores e empreendedores locais.

Avanços para povos tradicionais esbarram em conflitos socioambientais

Na agenda voltada aos povos tradicionais, a gestão de Clécio Luís foi marcada por avanços institucionais, entregas culturais e ações emergenciais, mas também por conflitos relacionados à participação das comunidades em decisões sobre grandes projetos econômicos. 

Entre as principais entregas está a regulamentação do programa Amapá Afro, por meio do Decreto nº 4.740, assinado em abril de 2025, que efetivou uma lei aguardada havia quase 15 anos pelos movimentos negros e quilombolas. O programa passou a orientar políticas públicas com recorte racial em áreas como saúde, educação, assistência social e cultura, sob coordenação da Fundação Marabaixo.

No campo indígena, o governo associou a agenda de povos tradicionais à preservação cultural e à ampliação de serviços públicos. Entre os exemplos estão a requalificação do Museu Kuahí dos Povos Indígenas de Oiapoque, devolvido à gestão das próprias lideranças indígenas, e a entrega de quatro escolas indígenas nas Terras Wajãpi, em Pedra Branca do Amapari. A gestão também atuou na crise fitossanitária que atingiu plantações de mandioca, em Oiapoque, base alimentar e econômica de mais de 10 mil indígenas em 66 aldeias, com entrega de 4.117 kits de alimentos pelo Programa Acolher e apoio técnico para a retomada das lavouras.

As comunidades quilombolas também foram incluídas em ações de fomento e regularização ambiental. Durante o 1º Encontro dos Quilombos do Amapá, no Quilombo do Rosa, o governo participou da assinatura de termo de cooperação para acesso a linhas de crédito do Pronaf, além da entrega de quatro Cadastros Ambientais Rurais coletivos, beneficiando 262 famílias tradicionais. A medida buscou facilitar o acesso de comunidades quilombolas a políticas de crédito, identificação territorial e valorização da origem de seus produtos.

Apesar dessas entregas, a relação com povos tradicionais foi tensionada pela defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial. O Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), que representa povos como Karipuna, Palikur-Arukwayene, Galibi Marworno e Galibi Kali’na, manifestou oposição ao avanço do licenciamento do Bloco 59 pela Petrobras. As lideranças cobraram o cumprimento rigoroso do direito à Consulta Prévia, Livre e Informada, previsto na Convenção 169 da OIT, e apontaram riscos socioambientais e falhas na escuta das comunidades afetadas.

Outro ponto de conflito está na distância entre as promessas de inserção econômica e os resultados percebidos nos territórios. Em reunião na Aldeia Manga, representantes da Petrobras informaram a existência de apenas 20 contratados no aeroporto de Oiapoque, dos quais três eram indígenas, dado que reforçou críticas sobre o alcance real dos benefícios locais associados ao projeto petrolífero. 

Ao mesmo tempo, lideranças indígenas afirmaram que ações emergenciais, como a entrega de alimentos durante a crise da mandioca, precisam ser acompanhadas por medidas estruturantes, como fornecimento de ramas saudáveis, apoio técnico contínuo e recuperação da autonomia produtiva.

O balanço da gestão Clécio Luís em relação aos povos tradicionais combina reconhecimento institucional, ações culturais e fomento produtivo com conflitos sobre consulta prévia, impactos territoriais e participação efetiva. A tensão central está em conciliar políticas de valorização de indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais com uma agenda de desenvolvimento apoiada em projetos de alto impacto — petróleo, infraestrutura e expansão econômica em áreas sensíveis da Amazônia amapaense.

Amapá mapeia potencial solar enquanto aposta na Margem Equatorial

A agenda energética da gestão Clécio Luís revela uma das principais dualidades do projeto de desenvolvimento sustentável defendido pelo governo do Amapá. De um lado, o estado avançou na estruturação de alternativas renováveis, com o principal avanço técnico sendo o lançamento do primeiro Atlas Solar do Amapá, em 2024. 

Desenvolvido ao longo de 2 anos pelo Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), em parceria com o SENAI Amapá, o Atlas mapeou os níveis de irradiação solar em unidades de conservação, terras indígenas, savanas e sítios arqueológicos, 

O mapeamento revelou o potencial técnico de produção de energia solar em torno de 56  gigawatts (GW). O volume é 50 vezes maior que toda a potência instalada nas 5 usinas hidrelétricas em operação no estado. 

Ao mesmo tempo, a gestão manteve uma defesa enfática da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial da bacia da Foz do Amazonas, especialmente no bloco FZA-M-59, localizado na costa do Amapá. Para o governo, a pesquisa petrolífera é apresentada como questão de soberania, segurança energética e oportunidade econômica para financiar a transição energética, a bioeconomia e políticas sociais. 

Essa posição, no entanto, abriu uma das principais frentes de conflito socioambiental do mandato com o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, além de impulsionar críticas de organizações ambientais e lideranças indígenas, que apontam riscos climáticos, possíveis falhas no licenciamento e ausência de consulta prévia adequada às comunidades impactadas.

Organizações socioambientais ligadas ao Observatório do Clima e movimentos de representação indígena recorreram à Justiça para tentar anular o licenciamento concedido pelo Ibama à Petrobras, alegando falhas técnicas no processo e ausência de consulta prévia adequada às comunidades potencialmente afetadas. 

A controvérsia também expõe um risco reputacional para o estado, que busca se apresentar em fóruns nacionais e internacionais como “guardião da floresta” e referência em conservação. Para ambientalistas, a aposta em uma nova fronteira de petróleo na Amazônia contradiz o discurso de transição energética e de valorização da floresta em pé. 

Garimpo do Lourenço expõe fragilidades na fiscalização ambiental

Além das tensões em torno do petróleo, a mineração também aparece como um ponto sensível da agenda socioambiental do Amapá. O caso mais emblemático é o Garimpo do Lourenço, no município de Calçoene, onde os processos de licenciamento e operação da Cooperativa dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal) expõem contradições crônicas na fiscalização ambiental do estado.

O episódio é complexo porque a autorização ocorreu poucos meses após a própria cooperativa e seu ex-presidente terem sido condenados pela Justiça Federal por crimes ambientais de grande magnitude, com aplicação de penalidades milionárias. A situação ganha maior gravidade porque avaliações técnicas anteriores de órgãos reguladores já haviam apontado risco crítico de rompimento na barragem de rejeitos da lavra de ouro operada pela Coogal.

Inspeções envolvendo Sema, Defesa Civil, a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ibama e a Polícia Federal indicaram a possibilidade de um desastre humano e ecológico na região. O histórico do Garimpo do Lourenço também inclui passivos associados à usurpação de patrimônio público, contaminação hídrica e trabalho análogo à escravidão, o que reforçou os questionamentos sobre a segurança e a adequação do licenciamento.

A fragilidade do controle sobre a atividade mineral provocou reação do Ministério Público Federal. Em maio de 2026, o MPF recomendou que investigações sobre usurpação de bens minerais e exploração clandestina de ouro em Calçoene fossem encaminhadas à Polícia Federal e ao próprio MPF. O órgão argumentou que os recursos minerais pertencem à União e, por isso, crimes ligados à extração ilegal devem ser apurados na esfera federal, especialmente quando envolvem minério sem autorização legal.

O caso também ocorre em meio à entrada em vigor da Lei Complementar Estadual nº 169/2025, que instituiu o Código de Governança Socioambiental, Uso Sustentável dos Recursos Naturais e Mudança do Clima. O novo marco buscou modernizar a gestão ambiental e redefinir a articulação de colegiados históricos, como o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema) e o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH). Para o governo e setores produtivos, a legislação busca dar mais segurança jurídica, simplificar processos e modernizar a gestão ambiental.

No entanto, o episódio do Garimpo do Lourenço mostra que a modernização normativa ainda enfrenta um teste prático: garantir que a desburocratização não resulte em flexibilização de atividades de alto impacto. Enquanto representantes do setor produtivo veem o novo código como instrumento para destravar a economia, setores acadêmicos e socioambientais alertam que a regularização de empreendimentos sensíveis pode ampliar conflitos territoriais e riscos ambientais. Assim, a mineração se soma ao petróleo como uma das principais contradições da gestão Clécio Luís, colocando em debate a capacidade do estado de conciliar desenvolvimento econômico, fiscalização efetiva e proteção dos recursos naturais e direitos humanos.

O balanço da gestão Clécio Luís mostra um Amapá que avançou em indicadores de preservação, reduziu o desmatamento e estruturou políticas voltadas à bioeconomia, ao mercado de carbono e à transição energética. Ao mesmo tempo, o estado ainda precisa provar que esse projeto é capaz de transformar a floresta em pé em renda, infraestrutura e qualidade de vida para sua população, sem ampliar pressões sobre territórios tradicionais e áreas sensíveis. Entre o potencial solar, a sociobioeconomia e a aposta no petróleo e na mineração, o principal desafio do governo será conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e participação efetiva das comunidades que sustentam a conservação da Amazônia amapaense.

“Manaus produz. São Paulo fatura” – Entrevista com Nelson Azevedo

BAA — A reportagem da Folha afirma que a reforma tributária pode aumentar em 30% o número de empresas na Zona Franca de Manaus. O senhor ficou surpreso?

Nelson Azevedo: Não. A reforma trouxe algo que o investidor valoriza muito: previsibilidade. Quando existe segurança jurídica, o capital se movimenta. O que estamos vendo é uma consequência natural desse ambiente de maior confiança.


BAA — Parte do setor industrial paulista vê esse movimento com preocupação. Faz sentido?

Nelson Azevedo: Eu acredito que não. Essa preocupação parte de uma visão incompleta da realidade econômica. São Paulo e Manaus não são adversários. São parceiros dentro da mesma cadeia produtiva nacional.


BAA — O senhor costuma dizer que a Zona Franca compra muito mais de São Paulo do que se imagina.

Nelson Azevedo: Exatamente. Grande parte dos componentes, máquinas, equipamentos, insumos e serviços utilizados pelas indústrias de Manaus vem de São Paulo. Quando uma fábrica cresce aqui, ela aumenta as encomendas para fornecedores paulistas.


BAA — Então o crescimento de Manaus gera negócios para São Paulo?

Nelson Azevedo: Sem dúvida. Os números mostram isso. São Paulo é um dos maiores fornecedores da Zona Franca. Existe uma integração produtiva construída ao longo de décadas. O sucesso de Manaus gera demanda para a indústria paulista.

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Nelson Azevedo

BAA — Há risco de migração em massa de empresas do Sudeste para o Amazonas?

Nelson Azevedo: Não existe fundamento econômico para essa tese. São Paulo possui mais de 170 mil estabelecimentos industriais. O Polo Industrial de Manaus tem cerca de 600 grandes fábricas. Estamos falando de escalas completamente diferentes.


BAA — Então por que essa narrativa continua aparecendo?

Nelson Azevedo: Porque ela é antiga. Desde a criação da Zona Franca existe uma resistência de alguns setores que enxergam qualquer política de desenvolvimento regional como uma ameaça. Mas a experiência de quase sessenta anos mostra justamente o contrário.


BAA — A discussão costuma ficar restrita aos incentivos fiscais. O que está faltando nesse debate?

Nelson Azevedo: Falta incluir o valor ambiental da Amazônia. O Polo Industrial de Manaus não é apenas um projeto econômico. Ele é também uma estratégia de conservação florestal.


BAA — Como assim?

Nelson Azevedo: Ao gerar emprego urbano e renda industrial, o modelo reduz pressões sobre a floresta. O Amazonas preserva cerca de 97% de sua cobertura vegetal. Isso produz benefícios para todo o Brasil.


BAA — Inclusive para o agronegócio?

Nelson Azevedo: Principalmente para o agronegócio. Os rios voadores que nascem na Amazônia ajudam a sustentar os regimes de chuva do Centro-Oeste e do Sudeste. A floresta preservada é um ativo econômico nacional.

Manaus produz
Criador: by Kim Schandorff | Crédito: Getty Images

BAA — O que o senhor responderia à Faria Lima quando afirma que a Zona Franca recebe privilégios?

Nelson Azevedo: Eu responderia que a Constituição brasileira reconheceu a necessidade de compensar desigualdades regionais históricas. Não se trata de privilégio. Trata-se de uma política nacional de equilíbrio federativo.


BAA — Qual é o maior equívoco dos críticos da Zona Franca?

Nelson Azevedo: Acreditar que o desenvolvimento da Amazônia acontece às custas de outras regiões. A realidade demonstra o contrário. Quando a Amazônia cresce, o mercado nacional cresce junto.


BAA — Em uma frase, qual é a principal mensagem dessa nova fase da Zona Franca?

Nelson Azevedo: O Brasil precisa compreender que a Amazônia não é um problema a ser compensado. É uma oportunidade estratégica capaz de gerar indústria, inovação, conservação ambiental e prosperidade compartilhada para toda a Federação.


Espécie de peixe sem machos desafia a ciência ao escapar da extinção há 100 mil anos

Estudo mostra como a molinésia-amazona, um peixe sem machos, usa reparos no DNA para manter o genoma saudável e contraria previsões da evolução. 

Uma espécie de peixe formada apenas por fêmeas intriga cientistas há quase um século. A molinésia-amazona (Poecilia formosa), encontrada em rios do México e do sul do Texas, é um peixe sem machos da própria espécie, ela existe há cerca de 100 mil anos e continua geneticamente saudável. 

Apesar do nome, o peixe não tem relação com a Amazônia brasileira. A referência vem das amazonas da mitologia grega, grupo de mulheres guerreiras. No caso da espécie, o paralelo está no fato de todos os indivíduos serem fêmeas.

A reprodução ocorre por um processo chamado ginogênese. As fêmeas se aproximam de machos de espécies aparentadas e usam o esperma dessas outras espécies apenas como gatilho para iniciar o desenvolvimento dos ovos. O DNA paterno, porém, não é incorporado à prole. Assim, os filhotes nascem como clones da mãe e também são fêmeas.

O fenômeno chama atenção porque contraria uma das ideias clássicas da biologia evolutiva. Em geral, a reprodução sexuada é considerada importante para manter a diversidade genética das populações. Ao misturar genes de dois indivíduos, o sexo ajuda a produzir combinações novas e pode facilitar a eliminação de mutações prejudiciais.

Em espécies clonais, por outro lado, espera-se que erros no DNA sejam acumulados geração após geração. Esse processo é conhecido como catraca de Müller. Com o tempo, a tendência seria a degradação do genoma e, em muitos casos, a extinção da linhagem.

A molinésia-amazona, porém, parece ter encontrado uma rota alternativa. Pesquisas recentes indicam que a chave pode estar em um mecanismo chamado conversão genética, uma forma de reparo do DNA presente em diversos organismos, inclusive nos seres humanos.

Nesse processo, uma cópia de um gene pode servir de modelo para corrigir outra. É uma espécie de “copia e cola” biológico. Na molinésia-amazona, os cientistas observaram que esse mecanismo ocorre com frequência elevada em determinadas regiões do genoma, especialmente em trechos onde mutações seriam mais perigosas.

Com isso, o peixe sem machos consegue limitar parte dos danos genéticos que, em teoria, deveriam se acumular em uma linhagem sem reprodução sexual. A descoberta sugere que a recombinação gerada pelo sexo não é a única forma possível de preservar a estabilidade de um genoma ao longo do tempo.

A origem da molinésia-amazona também ajuda a explicar sua resistência. A espécie surgiu de um cruzamento raro entre uma fêmea de molinésia-do-atlântico e um macho de molinésia-latipina. Esse evento deu origem a uma linhagem híbrida com material genético de duas espécies diferentes, oferecendo uma diversidade inicial incomum para um organismo clonal.

A molinésia-amazona não é o único animal assexuado de longa duração. Outros organismos, como os rotíferos bdeloídeos, também sobrevivem há milhões de anos sem reprodução sexual. No caso deles, os pesquisadores investigam mecanismos como a transferência horizontal de genes, quando o organismo incorpora DNA do ambiente ou de seres sem parentesco direto.

Ainda há dúvidas sobre por quanto tempo a conversão genética pode manter a molinésia-amazona protegida contra o acúmulo de mutações. Mesmo assim, o caso do peixe sem machos amplia a compreensão sobre as diferentes estratégias da natureza para lidar com erros genéticos.

Para os cientistas, estudar esses mecanismos pode trazer implicações mais amplas para a biologia, inclusive para áreas relacionadas a mutações e doenças. A principal conclusão, por enquanto, é que a vida pode encontrar caminhos evolutivos mais variados do que se imaginava.

Lendas amazônicas: os animais que guardam mistérios da floresta

Lendas amazônicas ajudam a contar a relação entre povos da floresta e natureza, unindo animais reais, imaginário popular e preservação da biodiversidade. 

Na Amazônia, biodiversidade e cultura caminham juntas. Entre rios, copas de árvores e rastros na mata, a floresta abriga não apenas uma das maiores riquezas naturais do planeta, mas também um vasto universo de histórias transmitidas de geração em geração. Essas lendas amazônicas revelam, talvez com mais precisão do que qualquer inventário científico, a relação profunda entre os povos da floresta e a natureza que os cerca.

Nas narrativas indígenas e populares, os animais raramente aparecem como simples fauna. Eles assumem papéis de guardiões, mensageiros e encantadores, entidades que habitam a fronteira entre o visível e o sagrado. A seguir, conheça alguns dos animais amazônicos que inspiraram essas histórias e continuam vivos no imaginário da região.

Boto-cor-de-rosa: o sedutor das águas

O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um dos personagens mais conhecidos das lendas amazônicas. Segundo a tradição popular, nas noites de festa, ele sai dos rios e se transforma em um jovem elegante, vestido de branco e usando chapéu para esconder o orifício de respiração no topo da cabeça. Nas lendas amazônicas, ele encanta moças das comunidades ribeirinhas e desaparece nas águas ao amanhecer.

Na vida real, o boto-cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce do mundo e pode chegar a cerca de 2,55 metros de comprimento e pesar até 207 quilos. Encontrado nos rios amazônicos, é um animal ativo durante o dia e à noite, alimentando-se principalmente de peixes.

A sua inteligência, comportamento social e presença marcante nos rios ajudam a explicar por que a espécie ganhou um lugar tão forte no imaginário amazônico. Entre o encanto da lenda e a importância ecológica, o boto segue como símbolo das águas da floresta. 

Veado-mateiro: o espírito guardião da floresta

Em algumas narrativas indígenas, o Anhangá é descrito como um espírito protetor da floresta, muitas vezes associado à forma de um cervo de olhos flamejantes. Acredita-se nas lendas amazônicas que ele confunde caçadores desavisados e os afasta de suas presas, protegendo os animais da mata.

Esse mito costuma ser relacionado ao veado-mateiro (Mazama americana), espécie que habita florestas densas e se destaca pela capacidade de se camuflar entre a vegetação. Os adultos pesam, em média, 30 quilos e medem entre 67 e 80 centímetros de altura.

Herbívoros, os veados-mateiros têm papel importante no ecossistema amazônico, pois ajudam na dispersão de sementes. Assim, a imagem do animal como guardião da floresta nas lendas amazônicas também encontra eco em sua função ecológica: ao se alimentar e se deslocar pela mata, ele contribui para a renovação da vegetação.

Uirapuru: a melodia do amor e da sorte

Pequeno e discreto, o uirapuru (Cyphorhinus arada) é uma das aves mais simbólicas da Amazônia. Em muitas regiões, é visto como um pássaro mágico, capaz de realizar desejos ou trazer sorte a quem escuta seu canto.

Uma das lendas amazônicas conta que um jovem guerreiro indígena, apaixonado pela filha de um grande cacique, pediu a Tupã que o transformasse em pássaro para poder se aproximar da amada. Assim teria surgido o uirapuru, dono de um canto tão belo que faria a floresta silenciar para ouvi-lo.

Na natureza, o uirapuru mede cerca de 12,5 centímetros e vive no solo ou entre folhagens, alimentando-se principalmente de insetos e também de frutas. O seu canto complexo e melodioso reforça a aura mística que envolve a espécie.

Há ainda a crença de que seu canto atrai outras aves. Esse comportamento, observado na floresta, pode estar relacionado a estratégias de busca por alimento, mas, para o imaginário popular, continua sendo um dos sinais de seu encanto.

Cobra-grande: a guardiã dos rios

A cobra-grande, também conhecida como Boiúna, é uma das lendas amazônicas mais poderosas. Segundo a tradição, trata-se de uma enorme serpente que habita as profundezas dos rios, capaz de mudar o curso das águas, atacar embarcações e proteger segredos escondidos no fundo dos rios.

A lenda costuma ser associada à sucuri (Eunectes murinus), uma das maiores serpentes do mundo. A espécie pode ultrapassar cinco metros de comprimento e pesar mais de 90 quilos. Apesar do tamanho impressionante, não é peçonhenta e não representa perigo direto aos seres humanos quando não é ameaçada.

Nos ecossistemas aquáticos, a sucuri tem papel importante no equilíbrio das cadeias alimentares. Como predadora, ajuda a regular as populações de outros animais. Na cultura amazônica, sua força e presença silenciosa nas águas explicam por que se tornou símbolo de mistério e temor.

Gavião-real: a ave celestial

O gavião-real (Harpia harpyja) é uma das maiores aves de rapina do mundo. Também conhecido como uiraçu, termo de origem tupi que significa “ave grande”, ele é associado à força, à proteção e à altivez.

Em algumas tradições indígenas, o gavião-real é visto como mensageiro espiritual ou como representação da liderança. A sua presença imponente, o voo majestoso e as garras poderosas fazem dele um alvo de respeito na floresta.

As fêmeas podem alcançar mais de dois metros de envergadura e pesar até nove quilos, enquanto os machos costumam pesar cerca de cinco quilos. A espécie vive em florestas densas e depende de ambientes preservados para sobreviver.

Além de sua importância ecológica como predador de topo, o gavião-real é também um ícone da biodiversidade amazônica e da espiritualidade ligada à floresta.

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Onça-pintada: o poder do pajé-onça

Entre muitos povos amazônicos, a onça-pintada não é vista apenas como um grande predador. Ela aparece em narrativas das lendas amazônicas ligadas ao poder espiritual, à proteção e à transformação. Em algumas tradições, pajés poderosos teriam a capacidade de se transformar em onças para defender a comunidade, caçar invasores ou circular entre o mundo humano e o mundo dos espíritos.

Conhecida como uma das espécies mais emblemáticas da fauna brasileira, a onça-pintada ocupa o topo da cadeia alimentar e exerce papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. A sua presença indica ambientes mais saudáveis e preservados. Nas lendas, a onça exige respeito. Mais do que um animal temido, ela representa força, sabedoria e conexão com a floresta.

Martim-pererê: o assobio que protege a mata

Embora nem sempre seja representada por uma ave específica, a Matinta Pereira costuma ser associada a diferentes pássaros, como a coruja rasga-mortalha ou suindara (Tyto furcata ou Tyto alba) e o martim-pererê, também conhecido como saci (Tapera naevia). Em muitas versões, sua imagem aparece mais ligada ao martim-pererê.

Segundo a lenda, essa entidade ronda a mata durante a noite, emitindo um assobio agudo e assustador. Quem escuta deve prometer tabaco ou fumo, que será cobrado no dia seguinte por uma senhora idosa.

Em algumas versões, a Matinta é uma mulher amaldiçoada, já em outras, uma entidade que protege a floresta, espantando caçadores e madeireiros. A crença popular amplia a ideia de que a natureza observa e cobra respeito de quem entra em seu território.

ZFM 2050: quando o futuro da Amazônia volta à mesa de decisões do Brasil

Coluna Follow-Up

A Conferência ZFM 2050 – Agenda Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, promovida pela CNI em parceria com a FIEAM e o CIEAM, ocorre em um momento particularmente sensível para a economia amazônica. Não se trata apenas de uma discussão sobre planejamento de longo prazo.

O encontro acontece enquanto se acumulam pressões políticas, fiscais e institucionais sobre o modelo Zona Franca de Manaus, justamente quando o mundo redescobre o valor estratégico da floresta em pé, dos minerais críticos, da bioeconomia e da soberania territorial.

Nas últimas décadas, poucos instrumentos de política pública foram tão questionados e, ao mesmo tempo, tão resilientes quanto a Zona Franca de Manaus. A cada ciclo de reforma tributária, ajuste fiscal ou reorganização federativa, ressurge a tentativa de apresentar os incentivos regionais como um privilégio a ser reduzido ou eliminado.

O curioso é que essa pressão frequentemente parte de setores econômicos concentrados nas regiões mais desenvolvidas do país, justamente aquelas que já dispõem da maior parte da infraestrutura, do crédito, dos mercados consumidores e dos investimentos públicos nacionais.

ZFM 2050

Ao reunir lideranças industriais, economistas, representantes da política nacional e formuladores de políticas públicas, a conferência sinaliza que a discussão sobre a Amazônia não pode continuar limitada a uma disputa contábil sobre incentivos fiscais. A questão central passa a ser outra: qual é o papel da Amazônia na estratégia nacional de desenvolvimento dos próximos 25 anos?

A apresentação do documento “Zona Franca de Manaus 2050”, conduzida pelo professor Márcio Holland, da FGV, sugere um esforço de construção de uma visão de longo prazo baseada em evidências, cenários econômicos e tendências globais. O simples fato de projetar o horizonte para 2050 já representa uma mudança de perspectiva. Enquanto parte do debate nacional continua presa às urgências do próximo exercício fiscal, a Amazônia exige planejamento compatível com ciclos de infraestrutura, inovação, educação e transição energética.

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Professor Márcio Holland

Mais interessante ainda é o painel dedicado à visão dos planos de governo para 2026. Em ano pré-eleitoral, a presença de representantes das principais campanhas presidenciais pode oferecer uma oportunidade rara para verificar se a Amazônia aparece apenas como discurso ambiental ou se passa a ser compreendida como ativo geopolítico, econômico e tecnológico do Brasil.

Os candidatos enxergam a Amazônia apenas como uma área a ser protegida ou como uma plataforma de desenvolvimento sustentável capaz de posicionar o país nas novas cadeias globais de valor?

A disputa internacional por minerais estratégicos, a reorganização das cadeias produtivas globais, a transição energética, a economia de baixo carbono e os mercados de ativos ambientais colocaram a Amazônia no centro da geopolítica do século XXI. O Brasil possui uma vantagem comparativa rara. Mas vantagens não se transformam automaticamente em prosperidade. Exigem estratégia.

O modelo deixou de ser apenas um mecanismo de compensação regional. Hoje, ele pode ser interpretado como uma infraestrutura institucional já existente para apoiar uma nova economia baseada em inovação, tecnologia, bioeconomia, indústria verde, pesquisa científica e integração regional.

A conferência também ocorre em um momento em que o setor industrial amazônico busca reposicionar sua narrativa. Durante anos, a defesa da Zona Franca concentrou-se na preservação dos incentivos. Agora, a discussão parece migrar para algo mais amplo: qual Amazônia o Brasil pretende construir até 2050?

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Não por acaso, o evento adota como lema três conceitos que raramente aparecem juntos no debate nacional: indústria forte, Amazônia viva e futuro sustentável.

Em vez de discutir apenas a sobrevivência do modelo, a iniciativa recoloca a Amazônia na condição de protagonista do futuro brasileiro. E faz isso num momento em que o país parece cada vez mais obrigado a decidir se continuará tratando a região como periferia econômica ou se finalmente a reconhecerá como um dos seus maiores ativos estratégicos.

Porque a Amazônia de 2050 está sendo desenhada agora. E quem não participar dessa conversa corre o risco de apenas assistir às decisões depois de tomadas.

Transparência, competitividade e confiança: por que o Brasil não pode recuar

“Se o Brasil pretende liderar a construção de soluções para o desenvolvimento sustentável, especialmente a partir da Amazônia, precisa fortalecer instrumentos de credibilidade e confiança. A transparência é um deles”

A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de revogar a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade merece reflexão cuidadosa, sobretudo em um momento em que os mercados globais avançam justamente na direção da ampliação da transparência corporativa.

A discussão não se limita ao campo jurídico, embora os questionamentos apresentados pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) sobre consulta pública, análise de impacto regulatório e segurança normativa sejam relevantes. O tema alcança uma dimensão econômica, estratégica e geopolítica que afeta diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

O brasil

Nos últimos anos, investidores, instituições financeiras, seguradoras, agências de classificação de risco e organismos multilaterais passaram a incorporar fatores ambientais, sociais e de governança em suas decisões. Trata-se de uma transformação estrutural do capitalismo contemporâneo. O acesso ao capital está cada vez mais associado à capacidade das empresas de demonstrar, de forma transparente e comparável, como administram seus riscos climáticos, ambientais e sociais.

Nesse contexto, os relatórios de sustentabilidade deixaram de ser instrumentos meramente reputacionais. Tornaram-se ferramentas de gestão, governança e atração de investimentos.

São décadas de investimentos em certificação em todas as áreas de conformidade ambiental, gestão de resíduos, eficiência energética, economia circular, pesquisa, inovação e geração de emprego formal em uma região estratégica para o equilíbrio climático global.

Por essa razão, a transparência não deve ser compreendida como obrigação burocrática. Ela constitui um ativo estratégico.

A adoção de padrões internacionais de reporte cria uma linguagem comum entre empresas, investidores e mercados. Reduz assimetrias de informação, aumenta a previsibilidade, fortalece a governança e contribui para a formação de um ambiente de negócios mais seguro e competitivo.

Quando o Brasil reduz exigências de divulgação justamente no momento em que outras economias ampliam seus mecanismos de transparência, corre o risco de transmitir sinais contraditórios ao mercado internacional. A consequência pode ser o aumento da percepção de risco, a elevação do custo de capital e a perda de atratividade para investimentos de longo prazo.

A questão torna-se ainda mais sensível diante da crescente relevância da agenda climática mundial e da responsabilidade que o país assumirá nos debates globais sobre sustentabilidade, bioeconomia, transição energética e financiamento climático.

Se o Brasil pretende liderar a construção de soluções para o desenvolvimento sustentável, especialmente a partir da Amazônia, precisa fortalecer instrumentos de credibilidade e confiança. A transparência é um deles.

Os relatórios de sustentabilidade ajudam investidores a compreender riscos e oportunidades, permitem comparações objetivas entre empresas e fortalecem a reputação dos mercados. Em um cenário global cada vez mais orientado por critérios ESG, a divulgação consistente dessas informações representa uma vantagem competitiva.

A sustentabilidade deixou de ser um diferencial opcional. Ela integra a infraestrutura de confiança sobre a qual se apoiam os investimentos, a inovação e o desenvolvimento econômico do século XXI.

Escutar para acolher e servir

Entre as muitas virtudes que uma instituição pública deve cultivar, poucas são tão decisivas quanto a capacidade de escutar.

Escutar parece um gesto simples. Mas, na vida das pessoas e das organizações, trata-se de uma das tarefas mais complexas. Exige atenção, humildade, disposição para compreender diferentes perspectivas e coragem para acolher demandas que nem sempre chegam de forma organizada ou confortável.

Talvez por viver na Amazônia eu perceba essa necessidade com ainda mais clareza.

Nossa região ensina diariamente que a convivência depende da escuta. Os povos originários aprenderam, ao longo de séculos, a interpretar os sinais dos rios, das chuvas, das florestas e das estações. As comunidades tradicionais construíram seus modos de vida observando os ritmos da natureza e compreendendo que nenhuma relação duradoura se estabelece sem respeito e sem atenção ao outro.

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Foto: Maurício Lima/New York Times

Governar, fiscalizar, planejar ou julgar exige conhecimento técnico e segurança jurídica. Um acolhimento integral. Mas exige igualmente sensibilidade para compreender as necessidades da sociedade. Nenhuma instituição cumpre plenamente sua missão quando fala apenas para si mesma.

É nesse contexto que a Ouvidoria ocupa um papel cada vez mais estratégico. Ela representa um espaço permanente de diálogo entre o cidadão e o poder público. É por meio dela que chegam sugestões, críticas, dúvidas, denúncias e percepções que ajudam a aprimorar os serviços oferecidos à população.

A realização da Semana C, promovida pela Ouvidoria do Tribunal de Contas do Amazonas, oferece uma oportunidade para refletirmos sobre esse compromisso. Ao fortalecer a divulgação e a atualização da Carta de Serviços, estamos ampliando o acesso à informação e tornando mais claros os caminhos pelos quais o cidadão pode exercer seus direitos e buscar atendimento.

A Carta de Serviços não é somente um documento administrativo. Ela representa um pacto de transparência. É a forma pela qual a instituição informa quem é, o que faz, como atua e quais compromissos assume perante a sociedade.

Quando as informações são acessíveis, claras e atualizadas, a confiança se fortalece. Quando os canais de atendimento funcionam adequadamente, a participação cidadã se amplia. Quando a escuta se torna prática cotidiana, a administração pública se aproxima das pessoas.

Essa aproximação é particularmente importante em um estado com as dimensões geográficas e os desafios sociais do Amazonas. Muitas vezes, as distâncias físicas são grandes. Por isso, precisamos reduzir as distâncias institucionais.

A tecnologia oferece instrumentos valiosos para essa tarefa, mas nenhum recurso digital substitui a disposição genuína de ouvir.

Acredito que essa seja uma das responsabilidades mais importantes do nosso tempo. Em um mundo marcado pelo excesso de ruído, ouvir tornou-se um exercício de inteligência institucional. Em uma democracia, tornou-se também um dever.

Na Amazônia, onde aprendemos diariamente que a vida prospera por meio das conexões, talvez possamos oferecer ao país uma contribuição valiosa: a compreensão de que a boa governança começa pela escuta.

Escutar as pessoas. Escutar as comunidades. Escutar os servidores. Escutar a sociedade.

E, quem sabe, aprender também a escutar os sinais da própria floresta, cuja existência continua lembrando à humanidade que coexistir é sempre mais sábio do que impor.

Porque servir ao interesse público começa, antes de tudo, por ouvir.

Primeiro leilão de baterias impulsiona indústria nacional e geração renovável

Iniciativa inédita, leilão de baterias quer contratar empresas em larga escala para apoiar fontes renováveis, reforçar o sistema elétrico e fortalecer a indústria nacional. 

O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou as diretrizes do primeiro leilão de baterias do Brasil, voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia. O certame, previsto para dezembro, busca ampliar a segurança do sistema elétrico nacional e apoiar a integração de fontes renováveis, como solar e eólica, que dependem das condições climáticas para gerar energia.

Os sistemas de armazenamento, conhecidos pela sigla BESS, permitem guardar a eletricidade produzida em determinados períodos para uso posterior. Na prática, ajudam a reduzir os efeitos da intermitência das renováveis e aumentam a flexibilidade da operação elétrica, sem depender exclusivamente de usinas fósseis para garantir oferta em horários de maior demanda.

A concorrência será dividida em dois leilões. O primeiro, marcado para 2 de dezembro, será destinado a projetos que cumpram requisitos mínimos de conteúdo nacional, conforme o Sistema de Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI) do BNDES. A medida atende a uma demanda de fabricantes instalados no país, como WEG, Moura e UCB Power. O segundo leilão, previsto para 4 de dezembro, será aberto a projetos sem exigência de nacionalização.

A UCB Power, que tem unidade produtiva na Zona Franca de Manaus, reúne experiência em soluções de armazenamento aplicadas à Amazônia, incluindo projetos de energia limpa em comunidades isoladas, onde baterias e sistemas fotovoltaicos ajudam a substituir o uso de geradores a diesel e ampliar o acesso à eletricidade.

A demanda estimada para o leilão de baterias é de pelo menos 2 gigawatts (GW). Os contratos serão de disponibilidade de potência, medidos em megawatts (MW), com prazo de suprimento de 15 anos e início previsto para 1º de agosto de 2028. A remuneração ocorrerá por meio de uma receita fixa anual, reajustada pelo IPCA e paga em 12 parcelas mensais.

Além do incentivo à indústria nacional, o leilão terá critérios de localização. Projetos instalados em áreas consideradas prioritárias pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) terão vantagem competitiva. A portaria aponta barramentos em Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte como locais estratégicos.

A escolha reflete a concentração da geração solar e eólica nessas regiões, especialmente no Nordeste e em Minas Gerais. A instalação de baterias próximas a esses polos pode melhorar o aproveitamento da energia renovável, reduzir gargalos na transmissão e reforçar a confiabilidade do sistema.

Entre as exigências técnicas, os projetos deverão ter disponibilidade mínima de 30 MW, capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência total mínima de 85% e tempo máximo de recarga completa de seis horas. Também será obrigatório atender aos comandos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), tanto na programação diária quanto na operação em tempo real.

A regulamentação avança em paralelo à definição das regras de tarifação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para sistemas despachados integralmente pelo ONS, a cobrança pelo uso da rede ocorrerá apenas no momento da descarga, quando a energia é injetada no sistema. Já os sistemas autônomos, não controlados diretamente pelo operador, também pagarão tarifa durante o carregamento das baterias.

Com o leilão de baterias, o Brasil dá um passo para incorporar o armazenamento de energia à matriz elétrica em escala comercial. A expectativa é que a medida fortaleça a transição energética, estimule a cadeia produtiva nacional e aumente a segurança do abastecimento em um sistema cada vez mais renovável.