A Desordem dos Objetivos da ONU

Mesmo com o reconhecido esforço de organizações pelo mundo, é impraticável obter resultados sem a iniciativa dos governos; os ODS precisam de marcos regulatórios nacionais e concatenados entre sí e entre as nações, tarefa que a sociedade civil sozinha não tem instrumentos para executar. A Rio + 40 em 2032 precisará redesenhar a agenda e o calendário do planeta. Vamos torcer para ainda dar tempo.

Juarez Baldoino da Costa
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Na Rio+20 em 2012, foram redefinidos os antigos Objetivos do Milênio da ONU e convertidos nos 17 atuais ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
A numeração deles parece estar em ordem de prioridade, mas não necessariamente:

  1. Erradicação da pobreza
  2. Fome zero e agricultura sustentável
  3. Saúde e bem-estar
  4. Educação de qualidade
  5. Igualdade de gênero
  6. Água potável e saneamento
  7. Energia limpa e acessível
  8. Trabalho decente e crescimento econômico
  9. Indústria, Inovação infraestrutura
  10. Redução das desigualdades
  11. Cidades e comunidades sustentáveis
  12. Consumo e produção responsáveis
  13. Ação contra a mudança global do clima
  14. Vida na água
  15. Vida terrestre
  16. Paz, justiça e instituições eficazes
  17. Parcerias e meios de implementação

A implementação pelas nações se iniciou em 2015 e foi projetada para ser concluída em 2030. Ano que vem, 2022, se chegará à metade do prazo.

Com o processo de impeachment da presidente Dilma de dezembro de 2015 até agosto de 2016, a sua substituição pelo vice-presidente Michel Temer que precisou de 2017 para assentar seu governo, mais o conturbado ano eleitoral de 2018 com a eleição de Bolsonaro, o Brasil não conseguiu avançar eficazmente na sua tarefa para os compromissos com os ODS.
Com a inicio do novo governo em 2019 e os movimentos das reformas previdenciária e tributária para tratar, a agenda do país também não conseguiu evoluir com os objetivos, e a pandemia de 2020 retardou ainda mais as iniciativas consistentes para o tema, neste caso inclusive para os demais países do globo.

Pelo mundo, mesmo sem pandemia e sem impeachment, a tarefa já seria das mais difíceis, e com as posições relevantes da China e dos EUA até 2020 em resistirem à agenda ambiental como um todo, as perspectivas são ainda mais restritas, já que num PIB mundial de 85 trilhões de dólares, China e EUA somam USD 35 trilhões, equivalentes a 41%.
O que se observa agora é uma aceleração mais retórica do que prática, e provavelmente o cronograma mundial deverá ser revisto.
Para atender os primeiros 4 itens, por exemplo, seria necessário primeiro atingir um determinado patamar do número 8; sem o crescimento econômico é tecnicamente impossível diminuir a pobreza, quiçá erradica-la.

Além disto, cada item deveria ter um prazo e um plano de ação próprio, e não apenas pretendermos simultaneamente atendermos tudo no mesmo prazo; não transmite convicção este formato.

Mesmo com o reconhecido esforço de organizações pelo mundo, é impraticável obter resultados sem a iniciativa dos governos; os ODS precisam de marcos regulatórios nacionais e concatenados entre sí e entre as nações, tarefa que a sociedade civil sozinha não tem instrumentos para executar.

A Rio + 40 em 2032 precisará redesenhar a agenda e o calendário do planeta.

Vamos torcer para ainda dar tempo.

Juarez Baldoino da Costa 2
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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