Ventania em São Paulo deixa três mortos e provoca estragos

A ventania em São Paulo, com rajadas próximas de 125 km/h, derrubou árvores, interrompeu o fornecimento de energia e afetou voos. Defesa Civil prevê ventos mais fracos nesta quinta-feira (30).

A passagem de uma frente fria deixou três mortos e ao menos nove feridos no estado de São Paulo nesta quarta-feira (29). Segundo a Defesa Civil, as vítimas fatais foram registradas em Santos, São Sebastião e Cesário Lange. No litoral, duas pessoas ficaram feridas após uma embarcação virar em São Sebastião. Outras sete sofreram ferimentos em Ubatuba, no litoral Norte paulista.

A ventania em São Paulo atingiu grande parte do estado, com rajadas de até 124,9 km/h em Itaporanga e Itaí. Taquarituba registrou ventos de 117 km/h; Arandu, 113,1 km/h; Paranapanema, 113 km/h; e Itanhaém, 111 km/h. Em Santos, a velocidade alcançou 83,7 km/h, enquanto Cesário Lange teve rajadas de 65,5 km/h.

Na capital paulista, os ventos chegaram a 75,3 km/h e causaram quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia em diferentes regiões. O transporte aéreo também foi afetado: 30 voos foram cancelados no Aeroporto de Congonhas. Para esta quinta-feira (30), a Defesa Civil prevê a possibilidade de novas rajadas, mas com intensidade inferior à observada no dia anterior. No litoral, os ventos devem variar de fracos a moderados.

Contraste entre massas de ar intensificou rajadas

A força da ventania em São Paulo está relacionada ao encontro entre massas de ar com temperaturas e níveis de umidade muito diferentes. Antes da mudança no tempo, o Sudeste enfrentava condições de calor e baixa umidade. Ao avançar pelo Sul do país, a frente fria levou ar mais frio e úmido para áreas paulistas e fluminenses. O contato desse sistema com a atmosfera quente e seca favoreceu a formação de uma frente de rajada. O fenômeno ocorre quando uma massa de ar frio e denso avança perto da superfície e força o ar quente a subir, gerando uma faixa organizada de ventos fortes.

Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, o contraste térmico e de umidade entre as duas massas acelerou os ventos principalmente ao longo dos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Uma frente de rajada pode avançar por dezenas ou centenas de quilômetros e alcançar diferentes municípios em sequência.

Os ventos costumam chegar de maneira repentina, inclusive antes da chuva ou em locais onde a precipitação é pouco intensa. Esse comportamento ajuda a explicar os impactos registrados no interior, na região metropolitana e no litoral paulista em um intervalo curto. Apesar da intensidade, o fenômeno não deve ser confundido com um tornado. Enquanto o tornado apresenta circulação de ventos ao redor de um eixo e costuma atingir uma faixa mais estreita, a frente de rajada se desloca horizontalmente e pode alcançar uma área consideravelmente maior.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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