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Governo inicia obras da BR-319 sem plano claro de proteção ambiental

Plano ambiental prometido para a BR-319 só deve sair do papel nos próximos anos, mas obras podem começar antes de medidas efetivas de proteção territorial. 

A promessa de transformar a BR-319 na estrada “ambientalmente mais moderna do mundo” reacendeu o debate sobre os riscos socioambientais da pavimentação do chamado trecho do meio, uma das áreas mais preservadas da Amazônia. A declaração foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita às obras da rodovia, na quarta-feira (27/5).

Embora o governo federal reconheça que a reconstrução da BR-319 pode intensificar o desmatamento, a grilagem de terras e as ameaças a povos indígenas e populações tradicionais, entidades socioambientais alertam que as medidas anunciadas ainda não apresentam garantias concretas para evitar os impactos já em curso.

O plano apresentado pelo governo prevê ações como bases de fiscalização, passagens de fauna, pontes e criação de Unidades de Conservação. No entanto, para o Observatório do Clima (OC), a proposta ainda não enfrenta de forma efetiva os impactos gerados pela retomada das obras, especialmente porque a pavimentação da BR-319 avança antes da implementação das medidas de proteção.

“Qualquer plano para a região precisa ser detalhado, discutido com a sociedade e formalmente protocolado para análise tanto na ação judicial que está tramitando desde 2024 quanto no processo de licenciamento ambiental em curso no IBAMA. Necessita incluir claramente, também, garantia concreta de recursos para sua implementação”, afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC.

Integrantes do Executivo ouvidos pela Folha afirmaram que o plano para a rodovia deve incluir bases de fiscalização, mais de 170 passagens de fauna, 50 pontes e a criação de uma faixa de controle ambiental com mais de 40 mil km², área próxima ao território do estado do Rio de Janeiro. A proposta também prevê novas Unidades de Conservação, regularização fundiária para mais de 20 mil propriedades e um modelo de fiscalização com participação da iniciativa privada, por meio de concessões.

A previsão do governo é que as ações socioambientais sejam implementadas até 2028. Por outro lado, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que toda a BR-319 deve estar em obras até o fim de junho. Na prática, isso significa que intervenções contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) podem ocorrer nos próximos meses antes da consolidação do plano de proteção.

A rodovia, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), é alvo de disputas judiciais há cerca de duas décadas. Até o momento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) não concedeu a Licença de Instalação (LI) para a pavimentação do trecho central.

Mesmo assim, o governo busca avançar com os trabalhos com base em um dispositivo incluído na legislação que flexibilizou o licenciamento ambiental. O mecanismo, inicialmente vetado pelo presidente, passou a ser usado como caminho para permitir a continuidade das obras sem seguir o rito tradicional de análise do IBAMA.

Para organizações socioambientais, o principal problema está no descompasso entre o ritmo das obras e a ausência de um plano detalhado. “Porém, não adianta um plano para proteger a floresta no futuro, sendo que a pavimentação vai iniciar agora e causará impactos imediatos. Não dá pra construir agora e proteger depois”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.

Pesquisas sobre a área de influência da BR-319 indicam que a simples expectativa de pavimentação já pressiona a região, com aumento do desmatamento e avanço de atividades ilegais. Estudos também apontam que, sem governança socioambiental efetiva, a destruição florestal pode quadruplicar no entorno da rodovia.

A preocupação se soma ao desafio brasileiro de cumprir a meta de zerar o desmatamento. Para especialistas, a abertura de um novo eixo de ocupação em uma área ainda preservada pode ampliar a fragmentação da floresta e dificultar o controle territorial.

Enquanto o governo defende a obra como estratégica para a integração regional, ambientalistas cobram transparência, participação social e garantias de execução das medidas de proteção antes da expansão do asfalto.

BR-319 terá obra de R$ 362 milhões com construtora investigada por corrupção

Construtora Etam assume lote da BR-319 após aparecer em investigação da PF, enquanto a obra segue cercada por alertas ambientais e jurídicos.

A construtora Etam venceu um edital do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para executar obras no “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A homologação do resultado ocorreu na segunda-feira (25/5) e envolve o lote entre os quilômetros 469 e 590 da estrada.

A proposta apresentada pela empresa foi de R$ 362 milhões, valor inferior ao orçamento previsto pelo DNIT, estimado em R$ 430 milhões. A escolha, no entanto, reacendeu questionamentos sobre a obra, já cercada por controvérsias ambientais e fundiárias. Segundo reportagem de O Globo, a Etam foi alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de corrupção.

A construtora aparece em desdobramentos da Operação Ptolomeu, investigação que mirou a cúpula do governo de Gladson Cameli (PP), ex-governador do Acre. Cameli renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado. Porém, em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou o ex-governador a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.

De acordo com as investigações, houve desvios em contratos de obras de infraestrutura e manutenção de unidades de saúde e escolas no Acre. O pai de Gladson Cameli é sócio-administrador da Etam. Em 2023, a empresa chegou a ter suas atividades econômicas suspensas por 90 dias por decisão do STJ, como consequência das apurações.

Procurado, o DNIT afirmou que seus processos licitatórios seguem a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, os princípios da administração pública e as orientações do Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão também sustentou que os contratos em andamento tratam de “melhoramento” da rodovia e não de pavimentação.

Com a vitória da Etam, o DNIT concluiu dois dos quatro processos licitatórios lançados para intervenções na BR-319. O primeiro edital, referente ao Pregão nº 90129/2026, teve como vencedora a empresa LCM Construção e Comércio, de Minas Gerais.

O projeto também é criticado por não possuir licença ambiental para o trecho mais sensível e por não ter realizado a Consulta Prévia, Livre e Informada com comunidades indígenas afetadas, como determina a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A contratação da Etam acrescenta uma nova camada de controvérsia a uma obra considerada estratégica, mas vista por especialistas e organizações ambientais como uma das principais ameaças à preservação da Amazônia, caso executada sem governança.

STF cobra plano contra incêndios diante do risco de Super El Niño

Com pico previsto para o período mais crítico do fogo, Super El Niño pressiona governos a reforçar prevenção na Amazônia e no Pantanal. 

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal informem, em até dez dias úteis, quais medidas estão sendo adotadas para enfrentar o aumento do risco de incêndios florestais.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (25), diante de projeções que apontam para temperaturas acima da média e continuidade da estiagem em áreas amazônicas e pantaneiras ao longo de 2026. Segundo o despacho, o cenário exige resposta preventiva do poder público, especialmente porque o período mais crítico para a propagação do fogo deve coincidir com o pico previsto do Super El Niño, entre setembro e outubro.

O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes regiões do planeta. Embora tenha origem no Pacífico, seus efeitos podem ser sentidos em vários continentes, inclusive no Brasil.

Pesquisadores têm alertado para a possibilidade de eventos cada vez mais intensos. Em nota técnica, especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que modelos climáticos internacionais indicam chance de formação de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027, cenário associado ao avanço do Super El Niño.

Caso essa previsão se confirme, o país pode enfrentar impactos semelhantes aos registrados durante o El Niño de 2023/2024, período marcado por extremos climáticos, seca severa e aumento da vulnerabilidade ambiental em diferentes biomas.

Na Amazônia e no Pantanal, a combinação entre falta de chuva, calor intenso e vegetação ressecada pode ampliar a ocorrência e a velocidade de propagação dos incêndios florestais. O risco preocupa especialmente porque essas regiões já enfrentam pressões relacionadas ao desmatamento, à ocupação irregular e às limitações das ações de comando e controle.

Apesar de 2025 ter apresentado indicadores melhores em relação aos focos de fogo na Amazônia e no Pantanal, o STF avalia que o cenário projetado para os próximos meses exige planejamento antecipado. Para Flávio Dino, os órgãos públicos precisam demonstrar quais providências já foram tomadas para evitar que a crise climática se transforme em nova emergência ambiental.

A cobrança envolve ações de prevenção, monitoramento, fiscalização e resposta rápida. A expectativa é que governos federal e estaduais apresentem estratégias capazes de reduzir danos ambientais, proteger populações vulneráveis e impedir que o avanço do fogo, intensificado pelo Super El Niño, comprometa ainda mais a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos desses biomas.

FIESP contra a Amazônia, com sua obsessão que ultrapassa os limites da irresponsabilidade

Coluna Follow-Up

Existe um momento em que o debate econômico deixa de ser legítima divergência empresarial e passa a representar uma ameaça concreta ao equilíbrio institucional do país.

A ação da FIESP contra os mecanismos de competitividade da Zona Franca de Manaus aproxima-se perigosamente desse limite. E não por avaliação emocional da Amazônia.

Mas porque a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão técnico da União responsável pela defesa jurídica dos interesses fiscais do país, advertiu oficialmente para os “efeitos nefastos e irreversíveis” que eventual suspensão poderá produzir sobre a ZFM.

Essa expressão possui enorme gravidade. Não é figura de linguagem. Não é retórica política.

É uma manifestação jurídica formal do Estado brasileiro alertando para riscos concretos à estabilidade econômica regional.

A pergunta inevitável é simples: o que exatamente pretende a FIESP ao insistir nessa ofensiva permanente contra a economia formal Amazônia?

Porque não existe aqui qualquer emergência econômica nacional.

A própria PGFN afirmou que não foi demonstrado perigo concreto, dano iminente ou urgência capaz de justificar medida extrema contra o modelo.

Ou seja, não há colapso industrial. Não há ruptura concorrencial comprovada. Não há crise fiscal produzida pela ZFM. O que existe é inconformismo. E má fé.

E talvez algo mais profundo: a velha resistência histórica de setores concentradores do país em aceitar que a Amazônia possua instrumentos legítimos de competitividade econômica. A gravidade aumenta porque não se trata de um benefício ocasional criado artificialmente por governo transitório.

A Zona Franca de Manaus está protegida pela Constituição Federal.

Vista aerea do Distrito Industrial de Manaus Arquivo AC zfm zona franca de manaus edited

Foi reafirmada pelo Congresso Nacional. Foi preservada pela reforma tributária. Foi reconhecida como mecanismo legítimo de redução das desigualdades regionais. Ainda assim, insiste-se em submetê-la a permanente sabotagem judicial.

E isso começa a produzir um efeito intolerável.

Nenhuma economia regional suporta viver sob estado contínuo de ameaça institucional. Nenhum investidor sério decide bilhões de reais sob ambiente permanente de litigância. Nenhum trabalhador encontra estabilidade quando entidades poderosas insistem em lançar dúvidas recorrentes sobre o futuro do principal modelo econômico da região.

A ação da FIESP não atinge abstrações tributárias. Ela atinge empregos. Famílias. Arrecadação pública. Confiança econômica. Planejamento industrial. Estabilidade social.

E atinge justamente a única experiência industrial brasileira que conseguiu combinar atividade econômica de grande escala com preservação ambiental maciça.

Esse é, certamente, o aspecto mais revoltante de toda a discussão.

Enquanto o mundo inteiro debate mecanismos para manter florestas tropicais em pé, enquanto governos buscam soluções para financiar bioeconomia, enquanto o El Niño se aproxima questionando discursos de sustentabilidade e transição climática, setores internos do próprio Brasil tentam enfraquecer o principal modelo econômico que ajuda a impedir a devastação da Amazônia Ocidental, ironicamente a origem da produção dos Rios Voadores que asseguram a água do agronegócio e dos reservatórios do Sudeste.

É uma contradição histórica.

E uma demonstração alarmante de cegueira estratégica. A Amazônia não possui as rodovias do Sudeste. Não possui sua infraestrutura logística. Não possui sua proximidade dos grandes mercados consumidores. Não possui a concentração histórica de investimentos públicos recebida por outras regiões ao longo de décadas.

A ZFM não nasceu como privilégio. Nasceu como compensação federativa. Compensação pela distância. Pela exclusão estrutural. Pelo abandono histórico. Pela necessidade de integrar economicamente um território gigantesco e sensível do ponto de vista geopolítico.

Atacar esse mecanismo sem apresentar alternativa concreta para a região beira a irresponsabilidade nacional.

Porque toda vez que a economia formal enfraquece na Amazônia, cresce o espaço para ilegalidade, garimpo predatório, grilagem, narcotráfico ambiental e ocupação desordenada.

A realidade amazônica não tolera simplificações de escritório.

Este é um daqueles momentos extremos para recorrer ao Judiciário brasileiro para resgatar a dimensão histórica de suas decisões sobre a Zona Franca de Manaus.

Não se trata apenas de créditos tributários. Trata-se de soberania territorial. De segurança regional. De estabilidade econômica. De preservação florestal. De integração nacional.

E sobretudo de impedir que interesses corporativos localizados continuem tratando a Amazônia como variável descartável do desenvolvimento brasileiro.


Follow-Up é publicada às quartas, quintas e sextas feiras no Jornal do Comércio do Amazonas, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, do portal brasilamazoniaagora.com.br

Anotações para o novo lustro da economia brasileira – 2026 a 2030

Comentários de Alfredo Lopes – BrasilAmazoniaAgora

Em um momento em que o Brasil volta a discutir crescimento, reindustrialização, desigualdade social e transição ecológica, o economista Paulo Haddad propõe uma reflexão ampla sobre os caminhos possíveis para o país no período de 2026 a 2030. Em Anotações para o Novo Lustro da Economia Brasileira: 2026 a 2030 – A Grande Transformação, no décimo caderno, Haddad constrói uma espécie de mapa conceitual para reposicionar o desenvolvimento brasileiro diante das crises estruturais do século XXI.

A obra parte de uma constatação desconfortável: o Brasil “está bem, mas vai mal”. O país permanece entre as maiores economias do mundo, mas preso à chamada “armadilha da renda média”, fenômeno em que nações que já alcançaram determinado estágio de industrialização perdem capacidade de avançar para padrões mais elevados de prosperidade e inovação. Haddad recorre ao economista Philippe Aghion para mostrar que o desafio brasileiro não é apenas crescer, mas encontrar uma nova estratégia de crescimento baseada em inovação, produtividade e sustentabilidade.

Ao longo das anotações, Haddad sustenta que o Brasil atravessa três impasses simultâneos: baixo crescimento econômico, desigualdade social persistente e uso não sustentável do sistema natural. O autor argumenta que o país perdeu a capacidade de promover ciclos duradouros de expansão econômica como os observados no Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e no II PND do governo Geisel. Desde então, segundo ele, o crescimento brasileiro se tornou episódico, dependente de choques externos ou momentos conjunturais específicos.

Nesse ponto, a obra adquire grande relevância para o debate amazônico e regional. Haddad insiste que o desenvolvimento sustentável não pode ser reduzido a uma agenda ambiental isolada. Para ele, trata-se da integração entre crescimento econômico, justiça social e preservação ecológica. Essa abordagem dialoga diretamente com os desafios contemporâneos da Amazônia, sobretudo diante da pressão internacional sobre o bioma, das mudanças climáticas e da necessidade de criar alternativas econômicas compatíveis com a floresta em pé.

O autor também critica a visão tradicional da macroeconomia, que trata os impactos ambientais apenas como “externalidades”. Em contraposição, defende uma economia integrada ao ecossistema, na qual os recursos naturais deixam de ser vistos como infinitos e passam a ser reconhecidos como fatores limitantes do próprio crescimento econômico. Nesse sentido, a obra aproxima economia ecológica, planejamento estratégico e políticas públicas de longo prazo.

Há um aspecto particularmente importante para o Brasil Amazônia Agora: Paulo Haddad recoloca o planejamento como instrumento central do desenvolvimento nacional. Em sua avaliação, o país abandonou a capacidade de pensar estrategicamente o futuro e passou a operar sob a lógica do curto prazo, da improvisação e das respostas emergenciais. O planejamento de longo prazo, segundo ele, deveria orientar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, articulando crescimento, distribuição de renda e preservação ambiental.

A reflexão ganha força quando Haddad aborda os desequilíbrios regionais brasileiros. Ele descreve a chamada “loteria regional da vida”, em que as oportunidades de um brasileiro variam drasticamente conforme o território em que nasce. Ao citar áreas economicamente deprimidas do Nordeste, do interior do país e da Amazônia, o economista evidencia que a desigualdade brasileira possui também uma dimensão espacial e geopolítica.

A Amazônia aparece nesse contexto como uma encruzilhada histórica. Em diferentes momentos do texto, Haddad sugere que o futuro brasileiro dependerá da capacidade de construir um novo paradigma de desenvolvimento regional, baseado em inovação, bioeconomia, infraestrutura sustentável e valorização do capital natural. A crítica ao modelo predatório e à incapacidade histórica de integrar crescimento econômico com conservação ambiental atravessa toda a obra.

Outro mérito do livro está na tentativa de conectar economia, ética e civilização. Ao discutir conceitos como economia circular, capacidade de suporte do ecossistema e sustentabilidade intergeracional, Haddad ultrapassa o debate puramente técnico. Sua preocupação não é apenas com indicadores macroeconômicos, mas com o tipo de sociedade que o Brasil pretende construir nas próximas décadas.

As Anotações para o Novo Lustro da Economia Brasileira não constituem um plano fechado de governo. Funcionam mais como um grande caderno de provocação intelectual e estratégica. Haddad propõe ideias, recupera experiências históricas, revisita conceitos econômicos e procura reorganizar as bases do debate nacional em torno de uma pergunta central: qual modelo de desenvolvimento pode permitir ao Brasil crescer sem aprofundar desigualdades e sem destruir seus ecossistemas?

Em tempos de transição energética, emergência climática e reorganização da economia global, a obra oferece uma contribuição relevante para pensar o Brasil além dos ciclos eleitorais e das disputas conjunturais. Trata-se de uma defesa contundente da retomada do planejamento estratégico, da valorização do desenvolvimento regional e da construção de uma nova economia capaz de reconciliar prosperidade, inclusão social e sustentabilidade.

TEXTOS PUBLICADOS PELO PORTAL

SOS Amazônia: o Super El Niño já começou

Super El Niño pode intensificar secas, calor extremo e pressão sobre rios e comunidades na Amazônia, ampliando o desafio da adaptação climática no Brasil.

Há um silêncio estranho antes das grandes crises amazônicas. Foi assim antes de Manaus sufocar sob a própria fumaça, antes dos rios virarem corredores de lama isolados, antes de as crianças indígenas não terem água potável. 

Agora, o silêncio volta a se formar. Enquanto Brasília discute reforma fiscal, guerra tarifária e calendário eleitoral, o Oceano Pacífico aquece rapidamente em níveis que os principais centros climáticos do planeta já observam com preocupação crescente. 

NOAA, ECMWF, INPE, INMET e CENSIPAM convergem no mesmo diagnóstico de que um novo El Niño está em formação. E existe possibilidade concreta de que ele alcance intensidade extrema entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Na linguagem fria dos relatórios internacionais, o fenômeno corresponde a anomalias oceânicas acima de 2°C. Na Amazônia, porém, esse dado ganha forma em rios secos, municípios isolados, pesca em colapso, hospitais tomados pela fumaça e uma economia regional que para antes de qualquer decreto de emergência.

Para o Amazonas, esse cenário não é uma hipótese distante. É uma memória recente.

Em 2023 e 2024, a seca histórica revelou algo que o país ainda resiste em compreender: a Amazônia entrou em uma nova era climática. Todos os 62 municípios do estado decretaram emergência. Mais de 600 mil pessoas ficaram isoladas. 

O Rio Negro atingiu, em Manaus, a menor marca em 120 anos de medição. No Lago Tefé, a temperatura da água passou de 39°C e matou mais de 150 botos. A exceção começa a se repetir em intervalos cada vez menores e os eventos extremos, antes vistos como episódios isolados, passam lentamente a compor a nova normalidade da floresta. 

A diferença, agora, é o alerta da ciência de que o próximo ciclo pode ser ainda mais severo e a floresta não terá tempo de respirar entre um evento extremo e outro.

Mas talvez o dado mais inquietante seja outro. Um Super El Niño em 2026-2027 não encontrará a mesma Amazônia de décadas atrás. Encontrará uma floresta mais quente, mais seca e mais inflamável, já pressionada pelo desmatamento, pela degradação e por extremos climáticos cada vez mais frequentes, com rios sobrecarregados e comunidades ainda marcadas pela última crise.

Encontrará também, como em outros momentos, um sistema público que reage mais à tragédia instalada do que investe em prevenção. A pergunta, portanto, já não é se a próxima grande seca chegará, mas o que o Amazonas e o Brasil farão antes dela. Se continuarão gastando bilhões em socorro tardio ou se, finalmente, financiarão a adaptação climática antes que a crise se instale.

O tempo da preparação é agora. Só assim será possível evitar que o Super El Niño se transforme em uma nova tragédia anunciada.

Dia da Indústria: a força produtiva da Amazônia e o protagonismo feminino na construção do futuro

Coluna Follow-Up

No Amazonas, celebrar o Dia da Indústria significa reconhecer uma atividade econômica que ajudou a sustentar empregos, inovação e estabilidade social no coração da maior floresta tropical do planeta. Em meio aos desafios históricos da região, o avanço da liderança feminina no setor industrial simboliza uma nova etapa da Amazônia produtiva, tecnológica e sustentável.

O Dia da Indústria costuma ser associado aos números da produção, aos investimentos, às exportações e aos indicadores econômicos. No Amazonas, porém, essa data carrega um significado mais amplo. Ela ajuda a compreender como desenvolvimento, soberania territorial, estabilidade social e preservação ambiental passaram a caminhar juntos numa das regiões mais estratégicas do planeta.

Falar da indústria amazonense significa falar de resistência

Poucas regiões industriais do mundo convivem diariamente com desafios logísticos tão severos. Produzir no coração da Amazônia exige enfrentar grandes distâncias, limitações históricas de infraestrutura, dependência hidroviária, elevados custos operacionais e uma permanente necessidade de adaptação.

Ainda assim, o Polo Industrial de Manaus consolidou uma das experiências econômicas mais singulares do país.

Ao longo de décadas, a indústria ajudou a gerar empregos, arrecadação, inovação tecnológica e estabilidade social numa região frequentemente pressionada por modelos predatórios de ocupação territorial. Em tempos de crise climática, esse papel ganhou ainda mais relevância.

O mundo passou a discutir a Amazônia como eixo central da estabilidade ambiental global. Nesse cenário, a existência de uma economia formal, tecnológica e industrial na floresta deixou de ser apenas uma questão regional. Tornou-se parte de uma discussão geopolítica, ambiental e estratégica de dimensão internacional.

Mas o Dia da Indústria também precisa servir para reconhecer as pessoas que sustentam essa trajetória.

E entre essas forças construtivas, a presença feminina ocupa um espaço cada vez mais decisivo.

Durante décadas, o ambiente industrial brasileiro foi marcado por estruturas predominantemente masculinas, especialmente nos espaços de comando, formulação estratégica e representação institucional. A indústria amazonense também precisou atravessar essa transformação.

Hoje, mulheres ocupam posições centrais na condução empresarial, na inovação tecnológica, na gestão industrial, nas entidades representativas e nos processos de formulação de políticas públicas ligadas ao desenvolvimento regional.

Protagonismo efetivo

A trajetória de lideranças como Rebecca Garcia e Mariana Barrella ajuda a representar essa mudança histórica.

Rebecca Garcia consolidou uma atuação marcada pela capacidade de articulação institucional, visão estratégica e compromisso com o desenvolvimento regional. Sua presença nos debates sobre indústria, inovação e sustentabilidade ajudou a ampliar a compreensão sobre o papel da Amazônia dentro da economia nacional.

Mariana Barrella simboliza a força da gestão empresarial comprometida com eficiência, competitividade e responsabilidade social. Sua atuação reflete uma geração de mulheres que conquistou espaço em ambientes historicamente desafiadores sem abrir mão da sensibilidade, da firmeza e da capacidade de liderança.

As duas ajudam a representar algo maior que suas próprias trajetórias.

Representam a consolidação da inteligência feminina dentro de uma indústria que precisou aprender a dialogar simultaneamente com produtividade, sustentabilidade e transformação social.

Num momento em que o debate público muitas vezes se reduz a simplificações superficiais e polarizações improdutivas, trajetórias como essas ajudam a recordar que desenvolvimento verdadeiro exige preparo técnico, capacidade de diálogo, visão de longo prazo e compromisso coletivo.

A própria experiência industrial do Amazonas demonstra isso.

Durante muito tempo, a Zona Franca de Manaus foi reduzida por setores externos a uma leitura puramente tributária. Pouco se discutia sobre os custos extraordinários de produzir na Amazônia ou sobre o papel que a indústria desempenhou na preservação relativa da floresta e na organização socioeconômica da região.

Hoje, essa percepção começa a mudar

A crise climática global ampliou a compreensão de que proteger a Amazônia também depende da existência de alternativas econômicas sustentáveis, tecnológicas e capazes de gerar oportunidades formais para milhões de brasileiros.

Nesse processo, a contribuição das mulheres tornou-se incontornável.

Elas passaram a ocupar posições estratégicas não apenas nas empresas, mas também nos ambientes de inovação, ciência, sustentabilidade, articulação institucional e construção de novos modelos econômicos ligados à bioeconomia e à transição energética.

O Dia da Indústria, portanto, não celebra apenas fábricas ou indicadores de desempenho. Celebra pessoas.

Celebra trabalhadores, pesquisadores, empreendedores e lideranças que ajudaram a construir uma economia complexa no interior da maior floresta tropical do planeta.

E celebra também a força das mulheres amazônidas, cuja presença crescente nos espaços de liderança industrial ajuda a projetar uma Amazônia mais preparada, mais inteligente, mais sustentável e mais conectada aos desafios do futuro.


Quem vai pagar a despesa na confraternização da escala 6×1?


A discussão sobre a revisão da escala 6×1 chegou ao Brasil embalada por um sentimento compreensível de modernização das relações de trabalho. O debate existe no mundo inteiro. Economias maduras têm buscado ampliar o tempo de descanso, reduzir jornadas exaustivas e reorganizar a relação entre produtividade, bem-estar e qualidade de vida. Trata-se de uma agenda legítima.

O que a indústria chama de “realidade”?

O problema brasileiro começa quando temas complexos são apresentados como soluções instantâneas, quase mágicas, sem o devido encontro com a realidade concreta de cada setor produtivo. E poucos segmentos conhecem tão profundamente a palavra “realidade” quanto a indústria.

Por decreto emocional, eleitoral 

A indústria não funciona na lógica simplificada do discurso político. Uma linha de produção não se reorganiza por decreto emocional, nem por impulso de campanha eleitoral. Há calendários anuais de programação fabril, contratos internacionais, ciclos de fornecimento, planejamento tributário, metas de exportação, sazonalidades de mercado, turnos especializados, estoques reguladores e uma cadeia logística inteira sincronizada com meses de antecedência.

No caso amazônico, a equação se torna ainda mais delicada.

Quem produz na Amazônia industrial convive diariamente com variáveis que o restante do país muitas vezes desconhece ou prefere ignorar. A logística depende dos rios, do clima, das oscilações hidrológicas, da precariedade portuária, da deficiência rodoviária, do custo energético, das distâncias continentais e de emergências ambientais que já não podem ser classificadas como excepcionais. Vazantes severas, secas históricas, interrupções de navegação e gargalos de abastecimento passaram a integrar o cotidiano operacional das fábricas.

Previsibilidade, transição e adaptação técnica

Nesse ambiente, qualquer alteração estrutural no regime de trabalho exige previsibilidade, transição e adaptação técnica. Não se trata apenas de perguntar quem pagará a conta. A pergunta mais séria talvez seja outra: haverá tempo adequado para os ajustes necessários em cada segmento econômico?

Porque os impactos não são homogêneos.

O comércio possui dinâmicas próprias de escala e reposição de mão de obra. O setor de serviços opera com outra elasticidade operacional. A agricultura obedece aos ciclos biológicos e safras específicas. Já a indústria trabalha com integração contínua de processos, dependência logística pesada, sincronização de fornecedores e custos elevados de interrupção produtiva.

Cadeias globais integradas

Na Zona Franca de Manaus, por exemplo, há plantas industriais que operam em cadeias globais altamente integradas. Pequenos desequilíbrios de jornada podem produzir efeitos em sequência sobre produtividade, custos unitários, competitividade internacional e capacidade de entrega. E isso num ambiente em que o setor já absorve encargos logísticos gigantescos para compensar o isolamento geográfico e a deficiência histórica de infraestrutura.

Maior proteção costuma resultar em maior produção

Naturalmente, isso não significa oposição automática à modernização trabalhista. Seria um erro simplificar a questão dessa maneira. A própria indústria compreende que trabalhadores mais descansados, valorizados e protegidos tendem a produzir melhor e viver com mais dignidade. O desafio de mudar a escala 6×1 está em construir essa transição sem destruir competitividade, empregos e capacidade produtiva.

O país parece, mais uma vez, seduzido pela tentação da pressa

Debates complexos vêm sendo conduzidos em velocidade eleitoral, como se a simples aprovação formal de uma medida resolvesse automaticamente seus efeitos econômicos, regionais e operacionais. A experiência brasileira recomenda cautela. Muitas vezes celebramos a intenção e negligenciamos a execução.

E é justamente na execução que mora a rotina industrial amazônica

Porque na Amazônia a fábrica não enfrenta apenas concorrência de mercado. Enfrenta rios imprevisíveis, infraestrutura incompleta, energia cara, distâncias brutais e uma geografia que exige planejamento quase cirúrgico para manter a produção funcionando regularmente.

A política, a realidade e a responsabilidade 

Talvez a pergunta fundamental continue atual. Antes de desenhar estratégias grandiosas no quadro político, convinha combinar com quem paga a despesa, geralmente deixada para quem costuma celebrar a confraternização até o final. Neste caso, combinar com a fábrica. Com a logística. Com os trabalhadores reais. Com os prazos possíveis. Com a Amazônia concreta,  a quem compete autorizar  o calendário efetivo da produção.


Carro movido a hidrogênio mira recorde mundial de velocidade e emissão zero

Com dois motores e 1.600 cv, carro movido a hidrogênio será testado nos EUA em tentativa de recorde que une engenharia extrema e inovação limpa.

A JCB, multinacional britânica conhecida pela fabricação de máquinas agrícolas e de construção, prepara uma tentativa inédita de recorde mundial com um carro movido a hidrogênio. O projeto, batizado de JCB Hydromax, busca ultrapassar a marca de 563 km/h e se tornar o veículo a hidrogênio mais rápido do mundo.

Com quase 10 metros de comprimento, o modelo foi desenvolvido como um carro-foguete de emissão zero, usando a experiência da empresa em engenharia pesada e alta performance. A JCB já detém marcas de velocidade com veículos a diesel, retroescavadeiras e tratores, e agora pretende demonstrar o potencial do hidrogênio em aplicações de grande potência.

Diferente dos carros elétricos a bateria, o Hydromax utiliza motores de combustão interna movidos a hidrogênio. Segundo a empresa, a tecnologia parte da mesma base de motores que vem sendo estudada para uso em escavadeiras e outros equipamentos pesados. A proposta é oferecer uma alternativa para setores em que baterias muito grandes podem ser pouco práticas, especialmente pela necessidade de autonomia, força contínua e reabastecimento rápido.

O carro movido a hidrogênio terá dois motores, cada um calibrado para entregar cerca de 800 cavalos de potência. A tração será distribuída para as quatro rodas por meio de um sistema com transmissão e dupla embreagem. A carroceria também foi projetada com foco em aerodinâmica, para reduzir a resistência do ar e ampliar a estabilidade em velocidades extremas.

A tentativa oficial está prevista para agosto, durante a Bonneville SpeedWeek, nas salinas de Bonneville, no estado de Utah, nos Estados Unidos. O evento reúne veículos de diferentes categorias em disputas de velocidade em linha reta e é tradicional pela quebra de recordes mundiais.

O veículo será conduzido por Andy Green, piloto de caça britânico que detém, desde 1997, o recorde mundial absoluto de velocidade terrestre. Antes da viagem aos Estados Unidos, a equipe realizará testes no Reino Unido para avaliar sistemas de suspensão, controle de tração, aerodinâmica e demais componentes essenciais para a segurança e o desempenho do carro movido a hidrogênio.

Atualmente, o recorde para um veículo com motor de combustão interna a hidrogênio é de 185,5 mph. Já entre os carros com célula de combustível de hidrogênio, a marca chega a 303 mph, enquanto veículos elétricos alcançaram 342 mph. A JCB também pretende buscar reconhecimento oficial da FIA, entidade internacional que regula o automobilismo.

Eco Invest Brasil: Leilão decide investir R$ 13,2 bi para bioeconomia e infraestrutura no país

Nova rodada do Eco Invest Brasil combina recursos públicos e privados para ampliar investimentos em bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura verde.

A quarta edição do leilão do Eco Invest Brasil deve viabilizar R$ 13,2 bilhões em investimentos voltados à bioeconomia, ao turismo sustentável e à infraestrutura. Do total, cerca de R$ 9 bilhões têm como destino projetos na Amazônia Legal.

O resultado foi anunciado nesta segunda-feira (25), em São Paulo, pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda, por meio do Tesouro Nacional. A chamada foi apresentada durante a COP30 e teve foco em iniciativas capazes de impulsionar a economia verde, especialmente na região amazônica.

Ao todo, oito instituições financeiras participaram do leilão: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, ABC Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Citibank, Itaú e Santander. A demanda por recursos catalíticos, usados para destravar ou atrair outros investimentos, superou R$ 7,1 bilhões, com potencial de mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.

Foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico da linha principal, a partir das propostas apresentadas por ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. Esses recursos devem destravar os R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões provenientes de captação internacional.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a nova rodada representa um avanço na estruturação de instrumentos financeiros voltados à agenda climática e ao desenvolvimento sustentável. Para o ministro João Paulo Capobianco, o leilão voltado à bioeconomia e à infraestrutura verde na Amazônia representa uma inovação importante na atração de capital para projetos estratégicos.

O Eco Invest Brasil funciona por meio do chamado blended finance, modelo que combina recursos públicos e privados para reduzir riscos e ampliar a capacidade de investimento. Nesse formato, o capital público atua como indutor, tornando os projetos mais atrativos para investidores privados.

No programa, o Tesouro Nacional concede empréstimos a instituições financeiras com taxa de 1% ao ano. Além disso, ao menos 60% desse capital privado precisa vir de investidores estrangeiros.

Na prática, o mecanismo permite que cada R$ 1 em recurso público ajude a mobilizar R$ 3 adicionais da iniciativa privada, multiplicando em 4 vezes o volume aplicado inicialmente pelo governo.

Criado para facilitar a entrada de investimentos privados estrangeiros na transformação ecológica do Brasil, o Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica, iniciativa do governo federal voltada à construção de um modelo econômico mais inclusivo, sustentável e de baixo carbono.

Com as quatro edições já realizadas, direcionadas a áreas como transição energética, recuperação de terras degradadas e bioeconomia, o programa já mobilizou mais de R$ 140 bilhões.

Também nesta segunda-feira, o governo federal lançou a quinta rodada do programa. A nova edição será voltada à inovação e deve contemplar projetos em fertilizantes verdes, combustíveis avançados, inteligência artificial aplicada à indústria, minerais críticos, baterias, veículos elétricos, química verde, biomateriais e reaproveitamento de resíduos. A expectativa é movimentar mais de R$ 50 bilhões.