Garimpeiros seguem se retirando da reserva com avanço da fiscalização

Enquanto os agentes do IBAMA e de outros órgãos federais avançam sobre a Terra Yanomami, garimpeiros e outros invasores seguem se retirando da reserva. Mesmo operadores políticos favoráveis à atividade garimpeira, que costumam defender a permanência deles no território indígena, passaram a se organizar para facilitar a saída.

Agência Pública conversou com Jailson Reis de Mesquita, integrante do “Movimento Garimpo Livre”, que atuou durante o governo Bolsonaro para liberar a atividade garimpeira. Agora, a ideia do grupo é dialogar com o novo governo federal para viabilizar a saída voluntária dos garimpeiros.

“O nosso pedido é que todos saiam. Até para evitar qualquer tipo de conflito, de confronto”, disse Mesquita. “O próprio governo federal – é uma grata surpresa para nós – está se dispondo a buscar o diálogo. Já se fala em buscar novas áreas para realocamento de pessoas”.

De fato, o governo federal tem atuado para evitar o risco de conflito entre as forças de segurança pública e os garimpeiros na Terra Yanomami. Por essa razão, a Aeronáutica mantém o espaço aéreo parcialmente aberto para a saída de aeronaves levando garimpeiros para fora do território. No entanto, o governo já sinalizou que os corredores aéreos serão fechados em 6 de abril, data a partir da qual os agentes federais poderão adotar medidas mais duras para retirada dos garimpeiros, como sua prisão.

De acordo com a Folha de Boa Vista, as equipes do IBAMA que atuam no território Yanomami desde fevereiro já fecharam 108 acampamentos de garimpeiros dentro da reserva.
Garimpeiros
Acampamento dos Garimpeiros- Foto divulgação

Outras sete estruturas de apoio logístico foram destruídas e dois portos utilizados para embarque e desembarque de pessoas e insumos foram inutilizados. Além disso, os agentes apreenderam 19,2 toneladas de cassiterita, 570 gramas de ouro e 3,4 kg de mercúrio.

Com a presença governamental mais significativa, o IBGE iniciou nesta semana a última etapa do Censo 2022 no território Yanomami. Os recenseadores visitarão 169 aldeias no próximo mês para levantar as principais informações sobre a população Yanomami, dados que ainda estavam pendentes no Censo. A Agência Brasil deu mais informações.

N’O Globo, Míriam Leitão detalhou a força-tarefa montada pelo governo federal para viabilizar o Censo na Terra Yanomami. O trabalho contará com equipes dos Ministérios do Planejamento, Saúde, Justiça, Defesa, Povos Indígenas e Casa Civil. No ano passado, os recenseadores não conseguiram ir ao território por causa da falta de apoio do governo Bolsonaro, que recusou o uso de um helicóptero da Saúde para transportar o pessoal.

Em tempo 1: Mais do que retirar os garimpeiros, o governo federal precisa ir atrás de quem financia e se beneficia com a retirada ilegal de minérios de Terras Indígenas no Brasil. Essa é a recomendação de Joci Aguiar, coordenadora executiva do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), em entrevista à CartaCapital. “Sem prender essas pessoas graúdas, a extração ilegal continuará, os rios continuarão sendo contaminados, as pessoas continuarão morrendo e nossos parentes continuarão em perigo. O governo tem que ter a coragem de chegar aos verdadeiros donos do garimpo ilegal”, afirmou.

Em tempo 2: A Folha noticiou que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um parecer favorável ao argumento da “boa fé” para atestar a origem legal do ouro comercializado no Brasil.

A Lei do Garimpo de 2013 é apontada por especialistas como um dos fatores que contribuíram para a intensificação dessa atividade na última década, já que flexibilizou os requisitos legais para que empresas que comercializam o metal comprovem a legalidade da mercadoria. O parecer foi apresentado pela AGU no final de fevereiro, mesmo com o Ministério da Justiça e outros setores do próprio governo concordando que a legislação é falha e precisa ser modificada.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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