A eleição do novo Papa Leão XIV, nome adotado pelo norte-americano Robert Prevost — naturalizado peruano e membro da ordem de Santo Agostinho — não é apenas um fato relevante para o mundo católico. É também um evento simbólico de forte repercussão geopolítica, ética e ambiental, especialmente para os que vivem, empreendem e lutam por um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
A vergonha, portanto, não repousa sobre a bioeconomia que ainda engatinha. Ela recai sobre os que, dispondo dos meios, vacilam em mudar o destino de uma das regiões mais estratégicas do planeta. Ainda há tempo. Mas, como aprendemos com o ritmo lento dos rios e o furor imprevisível das cheias, o tempo amazônico é paciente, mas tem limites. Como diz Rocha, “…só poderemos transcender o pessimismo sobre a Amazônia quando começarmos a perceber um uso responsável de seus recursos e um encolhimento da fome e da pobreza no seu interior profundo.” Afinal, ninguém pode adiar direitos e benefícios para sempre.
Manaus, a metrópole encravada na maior floresta tropical do mundo, vive um paradoxo climático e civilizatório: é uma cidade sem árvores. Não que faltem espécies — ao contrário, a Amazônia abriga mais de 16 mil tipos diferentes de árvores, catalogadas ao longo de décadas por pesquisadores do INPA, cuja coleção botânica é uma das maiores do país. O que falta é decisão política, visão urbanística e sensibilidade cultural para traduzir essa riqueza em infraestrutura verde.
“A descarbonização, enquanto meta simbólica, pode ser útil. Mas, se não for acompanhada de precisão técnica e consciência ecológica, corre o risco de gerar...