Desmatamento na Mata Atlântica recua 40% e atinge menor marca histórica

Mesmo com o menor índice em 40 anos, o desmatamento na Mata Atlântica ainda eliminou quase 24 hectares por dia e gerou milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

O desmatamento na Mata Atlântica atingiu, em 2025, o menor patamar registrado em quatro décadas. Segundo levantamento divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma perdeu 8.658 hectares de vegetação nativa no período de 2024-2025, área equivalente a uma média de 23,7 hectares por dia.

O resultado representa uma queda expressiva em relação ao ciclo anterior, quando foram desmatados 14.366 hectares. A redução foi de 40% na comparação com 2023-2024 e consolida uma trajetória de queda, observada nos últimos anos. Desde o período 2020-2021, a perda de vegetação no bioma caiu cerca de 60%, de acordo com a organização.

A série histórica do Atlas da Mata Atlântica, produzida pela SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acompanha o desmatamento na Mata Atlântica desde 1985. O dado mais recente é, portanto, o menor já identificado pelo monitoramento ao longo de 40 anos.

Apesar do avanço, a perda registrada em 2025 ainda teve impacto climático relevante. A supressão de 8.658 hectares de vegetação corresponde à emissão estimada de 4,14 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, conforme parâmetros do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

O levantamento aponta que cinco estados concentraram a maior parte da destruição no bioma. Minas Gerais liderou o ranking, com 3.092 hectares desmatados, seguido por Bahia, com 2.889 hectares; Mato Grosso do Sul, com 841 hectares; Piauí, com 659 hectares; e Paraná, com 411 hectares.

Juntos, esses cinco estados responderam por 7.893 hectares de vegetação suprimida, o equivalente a 91% de toda a perda registrada no período analisado. Ainda assim, alguns deles apresentaram queda relevante em relação ao ciclo anterior. A Bahia, historicamente entre os maiores desmatadores do bioma, reduziu o desmate em 39%. No Piauí, a retração foi ainda mais intensa, chegando a 78%.

Por outro lado, quatro estados tiveram aumento na perda de vegetação nativa: Pernambuco, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. O dado indica que, mesmo diante do melhor resultado da série histórica, a pressão sobre remanescentes florestais ainda persiste em diferentes regiões.

A Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros e é um dos biomas mais ameaçados do país. Ao mesmo tempo, sua conservação é estratégica para a segurança hídrica, a regulação do clima, a proteção da biodiversidade e a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais para áreas densamente povoadas e economicamente relevantes.

Para a SOS Mata Atlântica, o desafio agora é manter a tendência de queda e avançar rumo ao desmatamento zero até 2030. A meta está alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e é considerada fundamental para reduzir emissões, proteger recursos naturais e garantir estabilidade ambiental em uma região que concentra grande parte da população e da economia nacional.

A continuidade da redução do desmatamento na Mata Atlântica dependerá do fortalecimento da fiscalização, da restauração de áreas degradadas e da adoção de políticas capazes de conciliar conservação, produção e planejamento territorial.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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