A ideia de que os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus seriam suficientes para garantir o desenvolvimento da Amazônia é uma falácia cruel. Esses incentivos não são um privilégio, mas a contrapartida institucional mínima diante da distância, dos custos logísticos, da ausência do Estado e das barreiras impostas pelo próprio sistema tributário nacional. Na verdade, a contrapartida fiscal é um contrato com o governo brasileiro no contexto da redução das desigualdades regionais. Então, não há renúncia. Há um amontoado de benefícios de mão única para os cofres da Receita.
Em tempos de narrativas fáceis e números manipulados, ouvir Serafim Corrêa é como reencontrar a razão em meio ao ruído. Sua fala na 314ª reunião do CODAM, nesta terça-feira, foi mais que uma defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM). Foi um chamado à decência federativa.
Porque não se trata apenas de proteger incentivos — mas de afirmar a dignidade de um povo, a soberania de uma região, e a inteligência de um modelo que gera desenvolvimento com floresta em pé.
A Amazônia não pode continuar sendo tratado como exceção ou passivo. Ao contrário: a floresta em pé, a ciência aplicada, a industrialização limpa e o conhecimento dos povos amazônicos devem ser reconhecidos como ativos centrais do novo ciclo de desenvolvimento nacional.
“A recente transição de comando no Pacto Global da ONU Brasil após denúncias de assédio mostra o quanto as instituições estão sendo cobradas a alinhar discurso e prática.”