Amazônia do futuro

Precisamos repensar o conceito de Amazônia Legal. Isso não implica em ruptura do pacto federativo. Significa sobretudo assegurar o objeto de nosso compromisso sagrado. A economia do centro-oeste, um suporte poderoso de nossa balança comercial, já disse a ministra da Agricultura, não pode avançar sua fronteira pecuária em cima da floresta.

Antônio Silva
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A Amazônia e a Zona Franca de Manaus são referenciais indissociáveis que exigem as mesmas preocupações. Para nós, a premissa sagrada do formato de desenvolvimento que defendemos é que a economia do programa de desenvolvimento regional aqui adotado ande de braços dados com a ecologia. Somente assim cumpriremos um papel fundamental de garantir que a indústria do Amazonas se curve diante do altar da sociobiodiversidade amazônica. Isso é nossa aprendizagem na Amazônia desde quando esta política do Estado Brasileiro aqui se instalou. E há consenso a respeito entre as lideranças empresariais nesta economia no futuro que já começou.

Para nós, sejamos sensatos, não nos atrai o conceito de futuro desconectado da história vivida até aqui. Este desafio diário de reduzir as desigualdades regionais e os constrangedores IDHs – Índice de desenvolvimento humano de nossa região são elementos de uma trajetória: avanços, incompreensões e eventuais equívocos. O futuro não pode ser aceito como algo imponderável, idealista e desconectado do agora. Manter a floresta e proteger seus habitantes é exigir que o poder público aplique na região a riqueza que aqui é produzida, pois se trata de um preceito constitucional.

O documento Amazônia do Futuro se assenta exatamente nestes pilares. Ele foi produzido pelas entidades da indústria, com a participação dos atores locais, tanto em economia como em desenvolvimento regional, e a colaboração direta e crítica da Fundação Getúlio Vargas. E uma de suas premissas é a criação de um colegiado regionalmente representativo para garantir este compromisso com transparência, eficácia, métricas e propósitos com a sociedade. Não faz sentido estar no topo do ranking dos contribuintes da Receita Federal e ser um estado com 11 dos 50 piores IDH municipais do Brasil.

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Precisamos repensar o conceito de Amazônia Legal. Isso não implica em ruptura do pacto federativo. Significa sobretudo assegurar o objeto de nosso compromisso sagrado. A economia do centro-oeste, um suporte poderoso de nossa balança comercial, já disse a ministra da Agricultura, não pode avançar sua fronteira pecuária em cima da floresta.

Queimadas e desmatamento que ocorrem no Amazonas prejudicam o bioma, e também a economia do Centro-Oeste, bem como a reputação do Brasil.

Nesta segunda-feira, nos Diálogos Amazônicos na FGV, tivemos a presença do reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), uma instituição mantida pela indústria e uma parceira de vital importância no fortalecimento da equação economia e ecologia. A UEA atua em todos os municípios do Amazonas, e é a referência da qualificação dos recursos humanos de que precisamos para diversificar, adensar e interiorizar a economia resguardando a proteção florestal. E como faz isso?

Assista ao evento Diálogos Amazônicos – Zona Franca de Manaus no Desenvolvimento da Amazônia | da FGV

Já está claro que os parâmetros fundamentais desta iniciativa de desenvolvimento regional supõe 2 eixos, os programas prioritários de bioeconomia e tecnologia da informação e comunicação. São compromissos priorizados pela Suframa para, enfim, aplicar uma parcela, ainda tímida, da riqueza aqui produzida em programas regionais sustentáveis de emprego, renda e prosperidade de nossa gente. E isso é muito urgente.

Antonio Silva
Antônio Silva presidente da FIEAM e vice presidente da CNI
Antônio Silva
Antônio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

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