Bolsonaro na ONU: as cobranças ambientais do mundo e a falta de respostas convincentes do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro abrirá nesta 3ª feira (21/9), a partir das 10h (horário de Brasília), a reunião da Assembleia Geral da ONU em Nova York. A expectativa em torno do discurso do brasileiro é mista: por um lado, auxiliares ainda tentam convencê-lo a adotar um tom mais moderado, com sinalizações sobre os compromissos ambientais e climáticos do Brasil para aplacar a irritação internacional com o país. Por outro, como Hussein Kalout escreveu no Estadão, Bolsonaro segue mais interessado em falar para seus apoiadores mais radicais, “ainda que isso dilacere ainda mais a nada vistosa imagem do país no mundo”.

Já BBC Brasil e Reuters especularam sobre o conteúdo do discurso de Bolsonaro na ONU. Pelas sinalizações recentes, ele deve adotar um meio-termo, com reafirmação sobre a disposição do governo brasileiro em proteger a Amazônia e o meio ambiente e agir contra a mudança do clima, sem deixar de lado suas posições polêmicas no que diz respeito aos Povos Indígenas, religião e “valores familiares”, entre outras.

Ontem, Bolsonaro conversou com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson. Em um encontro “esquisito”, como pontuou o tabloide Mirror, os dois líderes conversaram sobre a vacina contra COVID-19 (que, aliás, Bolsonaro não tomou até agora) e os esforços políticos em torno da próxima Conferência da ONU sobre o Clima (COP26), programada para acontecer em novembro na cidade escocesa de Glasgow. Em comunicado oficial, Downing Street afirmou que Johnson “incentivou Bolsonaro a aumentar a contribuição nacionalmente determinada [NDC brasileira] para 2030” e “saudou” o compromisso do Brasil de atingir a neutralidade de suas emissões de carbono até 2050. Associated PressG1O Globo e Poder360 repercutiram o encontro entre Bolsonaro e Johnson. O Estadão, por sua vez, destacou o isolamento político do presidente brasileiro em NY: fora o encontro com Johnson, Bolsonaro tem apenas outras duas conversas formais em sua agenda, com o presidente ultraconservador da Polônia, Andrzej Duda, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A despeito de estar no mesmo hotel onde ficará hospedado o presidente dos EUA, Joe Biden, não há nenhuma previsão de encontro entre os dois líderes.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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