El Niño: Brasil anuncia plano de R$ 9,8 bilhões contra eventos extremos

Plano nacional mira os efeitos do El Niño com monitoramento climático, alerta para excesso de calor e ações do SUS em áreas mais expostas a desastres.

O Ministério da Saúde anunciou um pacote de R$ 9,8 bilhões para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os efeitos das mudanças climáticas e de eventos extremos associados ao El Niño. A iniciativa inclui ações de monitoramento, emissão de alertas e reforço à assistência em áreas mais vulneráveis.

A preocupação ocorre diante da previsão de calor intenso e temporais nos próximos meses, com possibilidade de formação de um “Super El Niño”. O El Niño é marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos devem variar conforme a área. Enquanto o Sul pode enfrentar tempestades mais severas, o Centro-Oeste e o Norte tendem a sofrer com a intensificação da seca, aumento do calor e maior risco de incêndios florestais.

Entre as medidas anunciadas está a criação de oito unidades dos Centros Integrados de Saúde e Clima, que serão distribuídas pelas cinco regiões do país. A primeira unidade deve ser inaugurada na Bahia. Esses centros terão como objetivo articular dados climáticos e informações de saúde para antecipar riscos e orientar respostas mais rápidas.

Outra frente do plano é o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta voltada à vigilância e prevenção dos impactos das altas temperaturas. O sistema deve permitir a emissão de alertas com até cinco dias de antecedência, auxiliando gestores públicos na organização de medidas emergenciais.

O governo também pretende ampliar a atuação da Força Nacional do SUS, com foco em respostas a desastres e emergências climáticas. Para grupos mais vulneráveis, como idosos, o Ministério da Saúde prepara protocolos específicos, com orientações como oferta frequente de água, mesmo sem sede, e melhoria da ventilação nos ambientes domésticos.

Segundo a pasta, a estratégia busca reduzir riscos à saúde pública, fortalecer a capacidade de resposta do SUS e proteger populações mais expostas aos efeitos do El Niño, incluindo calor extremo, secas e chuvas intensas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

O país que ainda não sabe quanto deve à Amazônia — Parte II

"Da borracha à Zona Franca, da biodiversidade ao clima,...

Dia da Amazônia: avanço contra o desmatamento não encerra crise no bioma 

A Amazônia registra menos alertas de desmatamento, mas secas, queimadas, atividades ilegais e novas fronteiras econômicas ampliam os riscos.

A nova fronteira de competitividade do Polo Industrial de Manaus

"A digitalização amplia a produtividade, integra cadeias produtivas e...

0,4% contra US$ 13,29 bilhões: para onde vai o dinheiro público na Amazônia

Estudo mostra que o investimento público na Amazônia favorece o agronegócio, enquanto o crédito socioambiental é negligenciado.