SENAI na Amazônia, economia, indústria e cidadania

Em 2022, um ano de incertezas e indefinições vai exigir que estejamos mais unidos, especialmente em torno das instituições, organismos e entidades que estejam fazendo a coisa certa, ou seja, aquilo que a Lei determina. Essa união vai nos ajudar a cumprir nossa responsabilidade social na geração de emprego e compromisso ambiental de proteção florestal.

Nelson Azevedo
_____________________

O SENAI completou, em janeiro último, 80 anos de contribuição decisiva para o desenvolvimento industrial do Brasil. Seria outra a paisagem do nosso desenvolvimento industrial se essa Escola de preparação técnica e cívica dos jovens brasileiros não fosse criada. O portfolio de serviços e produtos do Serviço Nacional da Indústria são uma evolução substantiva e em múltiplas direções: caminhos benéficos no exercício constante da cidadania. E na Amazônia, especialmente no Estado do Amazonas, onde sua presença está associada diretamente ao processo de florescimento do programa Zona Franca de Manaus, o SENAI é orgulho de uma incontável multidão de excelentes profissionais e de respeitáveis cidadãos e cidadãs.

Datas magnânimas

E se, em janeiro, o SENAI Brasil fez 80 anos, em fevereiro, no dia 28, a Zona Franca de Manaus completa 55 anos. São duas datas magnas e contagiantes quando paramos para meditar sobre a História da Indústria em nossa região. Uma data que se forma e se explica a partir da outra. Fundado em 1942, o SENAI é um movimento civilizatório simplesmente incalculável para o processo de ocupação inteligente da Amazônia. Um amontoado de benefícios que se completam com o SESI, Serviço Social da Indústria, em 1944, com atendimento social e assistencial aos trabalhadores e suas famílias. SENAI e SESI – e mais tarde o Sistema S – foram criados enquanto a Amazônia cumpria seu papel estratégico e decisivo para os aliados durante a II Guerra Mundial. Pelo Acordo de Washington, o Brasil contribuiria com insumos e suprimentos, enquanto a Amazônia reativaria o Ciclo da Borracha, para produzir o látex natural sem o qual a guerra seria perdida para o Nazismo de Adolf Hitler. No Primeiro Ciclo, 1880 a 1910, contribuímos com 45% do PIB com a árvore da Fortuna, a seringueira.

Ciclo da Borracha no Amazonas 1
Seringueiros, durante o ciclo da borracha

Equilíbrio da balança comercial

Com o advento da ZFM, as fábricas começaram a se instalar mais ou menos nos meados dos anos 70, quando os colaboradores passaram a ser treinados para operar a nova indústria que se implantava em Manaus. Nossos jovens, vindos do interior e dos estados vizinhos, foram qualificados pela melhor agência de qualificação profissional para a indústria do país e da Zona Franca de Manaus, o SENAI. E aí as histórias são memórias da obstinação empreendedora. A partir da efetiva contribuição da instituição passamos a cumprir nosso propósito de substituir importações. Na retomada que se impõe em nossos dias, incluindo a ênfase de inovação tecnológica, o SENAI permanecerá estratégico e vital. Pouco a pouco, o Amazonas irá recomeçar sua cooperação de fato e de modo crescente com o equilíbrio da balança comercial do Brasil. Como se deu nos primórdios industriais da ZFM. Com o passar dos anos, infelizmente, o Ocidente se curvou às pressões da cadeia asiática de suprimentos, preço e prazo de entrega dos itens foram esmagando as indústrias concorrentes pelo mundo afora. E o Polo Industrial de Manaus quase sucumbe à concorrência.

Orgulho da Indústria

Em seu artigo do último dia 22, em homenagem aos 80 anos do SENAI, o presidente da CNI, Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, lembrou que 92% das empresas do Brasil preferem colaboradores formados pelo SENAI e que sete em cada 10 ex-alunos da Instituição estão empregados um ano após a conclusão. E lembrou que em sua última participação como representante do Brasil, o SENAI conquistou o 3o lugar em mais uma edição da WorldSkills, a olimpíada de profissões técnicas com países cujos sistemas educacionais são referências em todo o mundo.

Substituição de importações

É hora de retomar os princípios e orientações que deram suporte à criação da Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus, como estão fazendo seus atuais gestores. O parque industrial de Manaus foi instalado para substituir as importações, particularmente aquelas que são escondidas pela criminalidade, o contrabando tolerado. Segundo a Receita, o contrabando de produtos piratas que são comercializados nas Ruas 25 de Março e Rua Santa Ifigênia, da capital paulista, causaram um rombo de R$288 bilhões em 2020. Nossa planta industrial, apesar de representar menos de 1% dos estabelecimentos industriais do Brasil, gera R$20 bilhões de impostos para a Receita. Alguma coisa está fora da ordem e do lugar e isso precisa mudar.

De acordo com a Lei

Parabéns ao SENAI, a todo o Sistema S, que é o S da saída e da solidariedade para os nossos jovens e suas famílias. Em 2022, um ano de incertezas e indefinições vai exigir que estejamos mais unidos, especialmente em torno das instituições, organismos e entidades que estejam fazendo a coisa certa, ou seja, aquilo que a Lei determina. Essa união vai nos ajudar a cumprir nossa responsabilidade social na geração de emprego e compromisso ambiental de proteção florestal. Afinal, empreender na Amazônia, qualificar nossos jovens e gerar oportunidades, implica em assegurar o exercício da cidadania. Esta, também, é a trilha mais nobre e segura da sobrevivência de nossa economia e resguardo da ecologia.

Nelson Azevedo 2 3
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

Artigos Relacionados

Trump demite Conselho Nacional de Ciência dos Estados Unidos sem explicação

Trump promove demissão em massa no Conselho Nacional de Ciência dos Estados Unidos, gerando alerta sobre impactos na ciência e governança.

Guerra no Irã e alta do petróleo disparam vendas de veículos elétricos na Europa

Veículos elétricos na Europa disparam com alta do petróleo e guerra no Irã, refletindo mudanças no comportamento do consumidor.

Gelo da Antártica revela mistério do clima da Terra de 3 milhões de anos

Estudo com gelo da Antártica revela como o clima da Terra mudou há 3 milhões de anos e aponta fatores além dos gases de efeito estufa.

Desastres naturais estão afetando eleições no mundo – Desafio à democracia?

Desastres naturais já afetam eleições em dezenas de países e desafiam a logística, o acesso ao voto e a segurança dos processos eleitorais.