II COMEXA: cooperação que prepara a indústria para um novo comércio exterior


A realização do II Fórum de Comércio Exterior da Amazônia, o COMEXA 2026, confirmou a importância de mantermos um espaço permanente de diálogo entre a indústria, os operadores do comércio exterior e as instituições públicas responsáveis pela regulação, fiscalização e modernização dos processos de importação e exportação.

Promovido pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas, em parceria com a Suframa, o Fórum reuniu especialistas, autoridades, executivos e profissionais que conhecem, na prática, as dificuldades enfrentadas pelas empresas do Polo Industrial de Manaus. Ao longo da programação, examinamos as mudanças trazidas pela reforma tributária, o Novo Processo de Importação, a Declaração Única de Importação, a integração dos órgãos anuentes ao Portal Único, a aplicação da inteligência artificial, a governança aduaneira, a sustentabilidade e os desafios logísticos da Amazônia.

Esse conjunto de temas possui consequências diretas sobre o cotidiano das empresas. Em uma região situada a milhares de quilômetros dos principais fornecedores e mercados consumidores, cada demora, exigência repetida ou incompatibilidade entre sistemas aumenta custos, compromete prazos e reduz competitividade. A simplificação dos procedimentos aduaneiros integra, portanto, a própria estratégia de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus.

Entre os resultados mais importantes do Fórum está o anúncio da Suframa sobre a disponibilização de um ambiente de treinamento para que as empresas possam testar os novos procedimentos do Portal Único. A integração do sistema da autarquia ao LPCO e à Duimp, acompanhada por uma etapa de transição até a migração integral prevista para 2027, oferece às empresas a oportunidade de conhecer o novo fluxo, identificar dificuldades e preparar suas equipes.

O COMEXA também ajudou a demonstrar que a transformação digital alcança todas as áreas envolvidas nas operações internacionais. Sistemas fiscais, contábeis, aduaneiros e logísticos precisarão conversar entre si. A inteligência artificial poderá contribuir para a conferência documental, a rastreabilidade das cargas, a análise de riscos e a antecipação de inconsistências. Essa modernização exigirá investimentos, qualificação profissional, segurança dos dados e maior cooperação entre os setores público e privado.

II COMEXA: cooperação que prepara a indústria para um novo comércio exterior

A reforma tributária acrescenta outra camada de complexidade a essa transição. A preservação constitucional dos diferenciais da Zona Franca representa uma conquista fundamental, construída por meio de ampla mobilização regional. Agora, cabe acompanhar sua regulamentação e preparar as empresas para as mudanças que alcançarão contratos, formação de preços, créditos tributários, classificação de mercadorias e controles internos.

O debate sobre sustentabilidade também ocupou o lugar que lhe corresponde. Os mercados internacionais incorporam exigências crescentes relacionadas à origem dos insumos, emissões, eficiência energética, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental. A indústria instalada na Amazônia possui condições singulares para responder a essas demandas, desde que consiga medir, comprovar e comunicar seus resultados com consistência.

Nossa ambição é contribuir para uma Zona Franca capaz de preservar sua força no mercado brasileiro e ampliar sua participação nas cadeias internacionais. O Polo Industrial de Manaus alcançou faturamento de R$ 227,7 bilhões em 2025, manteve aproximadamente 132 mil empregos diretos e chegou a R$ 121 bilhões no primeiro semestre de 2026. Esses números revelam a dimensão econômica do modelo e o potencial ainda existente para o crescimento das exportações.

Um dos fatores preponderantes para o êxito desta edição foi a presença, em Manaus, de profissionais altamente qualificados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Receita Federal do Brasil, da Anvisa, do Inmetro, do Ministério da Agricultura e Pecuária e dos demais órgãos envolvidos nos processos de comércio exterior.

Muitos desses profissionais vieram de Brasília especialmente para participar do Fórum. São servidores públicos de carreira que acumulam conhecimento técnico, experiência institucional e responsabilidade direta sobre sistemas e procedimentos que alcançam diariamente as empresas. Eles se dispuseram a explicar as mudanças, responder a questionamentos e, sobretudo, ouvir as dificuldades enfrentadas pela indústria amazônica.

Essa disponibilidade para uma interlocução aberta, transparente e orientada pela busca de soluções representa uma experiência inédita e valiosa. Independentemente das alternâncias políticas ou das diferenças ideológicas, o Estado brasileiro conta com quadros técnicos dedicados à melhoria de seus serviços e à modernização do comércio exterior. Aproximá-los das empresas permite que a política pública conheça melhor a realidade sobre a qual incide e que o setor produtivo compreenda os critérios, limites e possibilidades da administração.

Em nome do CIEAM, agradeço à Suframa, na pessoa de seu superintendente, Leopoldo Montenegro, pela acolhida, pela parceria institucional e pela disposição de construir soluções junto ao setor produtivo. Nosso reconhecimento alcança o MDIC, a Receita Federal, a Anvisa, o Inmetro, o Mapa e todos os órgãos e instituições que aceitaram participar dessa conversa franca com a indústria.

Agradeço especialmente à Comissão CIEAM de Comércio Exterior e ao seu coordenador, Celiomar Gomes, pelo trabalho dedicado à concepção e à realização desta segunda edição. Registro também o reconhecimento à Nazaré Toyoda, cuja participação foi extremamente importante para o planejamento, a articulação e o desenvolvimento do Fórum.

Estendo essa gratidão a todos os integrantes da Comissão, à equipe do CIEAM, aos palestrantes, moderadores, especialistas, executivos e técnicos das empresas que participaram dos painéis, apresentaram dificuldades concretas e compartilharam os conhecimentos acumulados no cotidiano das operações industriais.

Nosso agradecimento inclui, de maneira muito especial, os patrocinadores e apoiadores. Sua contribuição tornou possível a realização do II COMEXA e permitiu oferecer à comunidade empresarial uma programação ampla, qualificada e diretamente relacionada aos desafios vividos pelo Polo Industrial de Manaus. A organização de um encontro dessa dimensão resulta de muitas formas de colaboração, algumas delas discretas, mas todas indispensáveis.

O êxito do Fórum pertence a esse conjunto de pessoas e instituições que compreendeu a importância de reunir experiência empresarial, conhecimento técnico e capacidade pública em torno de objetivos comuns. Cada contribuição ajudou a construir um ambiente no qual os problemas puderam ser expostos com clareza e as soluções começaram a ser procuradas de maneira compartilhada.

Encerramos esta edição com uma responsabilidade adicional. Precisamos acompanhar o calendário de implantação dos novos sistemas, apoiar a capacitação das empresas, registrar os problemas encontrados durante os testes e manter aberto o diálogo com a Suframa e os demais órgãos anuentes. Também devemos construir indicadores que permitam verificar os ganhos obtidos em tempo, custo, previsibilidade e segurança operacional.

O CIEAM continuará trabalhando para que o COMEXA se consolide como uma instância permanente de preparação, acompanhamento e proposição. Sua continuidade ajudará a transformar mudanças regulatórias e tecnológicas em instrumentos efetivos de competitividade para a indústria amazônica.

A todos que participaram desta construção, nosso reconhecimento e nossa gratidão.

Lúcio Flávio
Lúcio Flávio
Lúcio Flávio Morais de Oliveira é advogado e administrador de empresas e presidente do CIEAM Centro da Indústria do Estado do Amazonas

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