Geopolítica do aquecimento global: Quem ganha e quem perde com a crise climática?

EUA, China e Rússia transformam a crise climática em estratégia. A geopolítica do aquecimento global acelera disputas por tecnologia, recursos naturais, rotas e territórios.

O aquecimento global deixou de ser apenas uma crise ambiental e passou a atuar como catalisador na geopolítica do aquecimento global. As mudanças climáticas aceleram disputas por território, tecnologia, rotas e recursos naturais, criando “vencedores” e “perdedores” relativos entre as grandes potências.

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Estados Unidos: entre ameaça e oportunidade

Para os EUA, o aquecimento global funciona como uma “ameaça multiplicadora”, capaz de desestabilizar regiões frágeis e pressionar cadeias de abastecimento. Ao mesmo tempo, abre espaço para ampliar liderança e influência. 

A política externa americana busca garantir controle sobre os pontos críticos do poder contemporâneo — tecnologia avançada, finanças e minerais estratégicos — essenciais para defesa, eletrificação e indústria. A escalada de interesse por áreas como Venezuela e Groenlândia em 2025–2026 exemplifica a guinada para uma lógica de disputa por recursos e posicionamento territorial dentro da nova geopolítica do aquecimento global.

China: a ascensão do “eletroestado”

A China aparece como principal beneficiária industrial da transição energética. Ao dominar cerca de 85% do processamento global de terras raras e liderar tecnologias verdes, o país converte a descarbonização em vantagem competitiva e alavanca de influência global. 

A aposta na Rota da Seda Polar diversifica caminhos logísticos e reduz vulnerabilidades marítimas, enquanto investimentos em matérias-primas na América Latina fortalecem a base material para sua expansão tecnológica. O contraste com a estagnação europeia amplia ainda mais seu protagonismo na nova economia de baixo carbono.

Usina fotovoltaica em grande escala, ilustrando a expansão da energia solar e a geopolítica do aquecimento global na transição energética liderada pela China.
Usina solar em grande escala na China. Foto: Getty Images/VCG.

Rússia: ganhos táticos, fragilidade estrutural

A Rússia enfrenta um cálculo mais arriscado na geopolítica do aquecimento global. No curto prazo, o degelo do Ártico e a expansão agrícola na Sibéria ampliam receita e margem de manobra estratégica. No longo prazo, porém, o colapso do permafrost ameaça infraestrutura, encarece operações e expõe os limites de um modelo dependente da exportação de combustíveis fósseis. A crescente dependência da China para modernização tecnológica reforça a vulnerabilidade do país.

Enquanto as potências disputam mercados e influência, os custos mais severos seguem concentrados em países emergentes. Estudos indicam que os países de maior Renda Nacional Bruta — onde vivem os 20% mais ricos — concentram a maior parcela do impacto ambiental, enquanto os 40% mais pobres, majoritariamente no Sul Global, absorvem a maior parte das consequências sociais e ecológicas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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