Relatório da ONU expõe como conflitos, colapso econômico e clima extremo impulsionam crises alimentares em 16 regiões e elevam risco de emergência humanitária global.
Em novo relatório, divulgado em 12 de novembro de 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) apontam que o risco de crises alimentares graves cresce em 16 regiões do planeta, com potencial para desencadear emergências humanitárias de grande escala. O documento adverte que a “janela de oportunidade” para agir está se fechando rapidamente.
Conflitos armados seguem como principal vetor da fome. No Sudão, Iêmen, Palestina, Mali e Burkina Faso, a violência prolongada, o deslocamento de populações e a destruição de mercados e infraestrutura tornaram o acesso a alimentos quase impossível. Em muitas dessas áreas, a ajuda humanitária é a única fonte de sustento e mesmo essa está sob risco.

A instabilidade econômica agrava a situação. Alta nos preços, desvalorização monetária e aumento dos custos de combustíveis e insumos dificultam o acesso a alimentos básicos em países como Haiti, Etiópia e Mianmar. No Haiti, mais de 5,7 milhões de pessoas vivem hoje sob insegurança alimentar aguda.
A crise climática, por sua vez, deixou de ser uma ameaça futura. Eventos extremos como secas prolongadas, inundações e ciclones já desestabilizam rotineiramente a produção agrícola em países do Chifre da África e do Sudeste Asiático, ampliando a dependência da ajuda externa e aprofundando o risco de crises alimentares recorrentes.
O relatório também destaca o impacto do subfinanciamento das operações humanitárias. Com um déficit bilionário, o WFP tem sido forçado a cortar rações e suspender programas, justamente em locais onde os mercados entraram em colapso, cenário típico das crises alimentares mais agudas. Para os organismos da ONU, investir agora em resiliência, subsistência agrícola e proteção social é crucial para evitar uma tragédia maior em 2026. A organização afirma que ignorar esse alerta poderá ter consequências humanitárias e geopolíticas de longo alcance.

