Futuro da Rússia: Aquecimento global impacta economia com boom agrícola e colapso do solo

O aquecimento global na Rússia amplia colheitas na Sibéria, mas acelera o degelo do permafrost, ameaçando gasodutos, cidades e a segurança econômica do Ártico.

As mudanças climáticas estão redefinindo o cenário econômico e ambiental e o aquecimento global na Rússia tem efeitos contraditórios sobre o território. O país aquece duas vezes mais rápido que a média global e assiste a uma expansão acelerada da agricultura na Sibéria, ao mesmo tempo em que enfrenta o colapso de sua infraestrutura nas regiões de permafrost.

Em 2025, a Sibéria registrou rendimentos recordes de trigo e se tornou um novo polo agrícola, impulsionado pelo aumento de temperatura e precipitação, uma das consequências diretas do aquecimento global na Rússia. Estima-se que a colheita do ciclo 2025-2026 alcance 137 milhões de toneladas, com exportações superiores a 55 milhões. O governo russo busca consolidar essa vantagem como ferramenta de influência global, sobretudo em mercados africanos e do Oriente Médio.

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Colheitadeiras operam em plantação de trigo na região de Novosibirsk, na Sibéria, evidenciando como o aquecimento global na Rússia tem ampliado a produção agrícola em áreas antes mais frias.
Colheita de grãos na Sibéria: o aquecimento global na Rússia favorece safras recordes e expande a fronteira agrícola para o norte do país. Foto: Vladimir Nikolayev/AFP/Getty Images

Entretanto, os ganhos agrícolas contrastam com prejuízos estruturais nas regiões árticas, onde o solo congelado cobre 65% do território. O derretimento do permafrost já afeta 81% das edificações no Ártico e ameaça gasodutos essenciais, colocando em risco 20% das exportações nacionais. As perdas econômicas podem ultrapassar 5 trilhões de rublos – cerca de R$ 345 bilhões – até 2050, evidenciando como o aquecimento global na Rússia traz ganhos, mas amplia riscos sistêmicos no país.

Na avaliação do cientista Alexander Shpedt, do Centro Científico de Krasnoyarsk, o avanço da agricultura ao norte exige atenção aos desequilíbrios climáticos no sul. Ele alerta que “as previsões indicam a necessidade de investimentos diretos no norte”, reforçando que, sem adaptação, a produtividade poderá cair em regiões distantes da Sibéria.

Moradores caminham ao lado de um prédio residencial com rachaduras na cidade de Yakutsk, no leste da Sibéria, onde o aquecimento global na Rússia acelera o degelo do permafrost e ameaça estruturas urbanas.
Em Yakutsk, edificações sobre estacas e concreto sofrem com o solo instável: degelo do permafrost amplia riscos à infraestrutura. Foto: Mladen Antonov/AFP via Getty Images, FILE.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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