Emissões globais por incêndios atingem o menor nível em 24 anos, diz Copernicus

Dados do Copernicus mostram que as emissões globais por incêndios recuaram em 2026, mas El Niño, IA e calor extremo mantêm alerta climático.

As emissões globais por incêndios caíram a um nível inédito no primeiro semestre de 2026. Segundo o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, foram liberadas menos de 400 megatoneladas de carbono entre janeiro e junho, o menor volume para o período desde o início da série histórica do Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), em 2003.

O resultado surpreende porque o monitoramento nunca havia registrado valor inferior a 500 megatoneladas em um primeiro semestre. No começo da série, as emissões ultrapassaram 1 gigatonelada, o equivalente a 1 bilhão de toneladas.

A queda foi puxada principalmente pela redução dos incêndios sazonais na África tropical. Em 2026, o continente emitiu cerca de 154 megatoneladas de carbono no semestre, contra 213 megatoneladas no mesmo período de 2025. Na Ásia, o volume caiu de 164 para 113 megatoneladas. A América do Sul também registrou recuo, de 40,9 para 38,8 megatoneladas.

Apesar da queda, pressão climática segue em alta 

Apesar do dado positivo, o cenário climático segue preocupante. O Copernicus alerta que incêndios recentes na Eurásia e na América do Norte podem mudar a trajetória do ano. A possível influência do El Niño também acende sinal de alerta, já que o fenômeno costuma alterar padrões de chuva e temperatura, favorecendo secas sazonais.

A agência também ressalta que a redução das emissões globais por incêndios pode ser temporária. Em anos anteriores sob influência do El Niño, como 2015 e 2019, queimadas persistentes na Indonésia elevaram as emissões, provocaram neblina regional e pioraram a qualidade do ar. Em 2026, incêndios no Canadá e em áreas da Eurásia já começaram a lançar plumas de fumaça e monóxido de carbono.

A leitura do primeiro semestre também precisa ser vista ao lado dos dados de 2025. No balanço anual, o Copernicus apontou 2025 como o terceiro ano mais quente da história, atrás apenas de 2024 e 2023. O aquecimento continuou associado ao acúmulo de gases de efeito estufa, com novas altas nas concentrações globais de CO₂ e metano.

As emissões globais por incêndios e queima de biomassa em 2025 passaram de 1.300 megatoneladas de carbono ao longo do ano. O observatório também identificou aumento das emissões ligadas a incêndios na América do Norte e novos picos climáticos de queimadas na América do Sul.

IA acelera demanda por energia e amplia emissões globais 

Além do fogo, outro vetor aumenta a pressão sobre o clima: a expansão da infraestrutura digital. Data centers, impulsionados pelo crescimento acelerado da inteligência artificial, já respondem por cerca de 0,5% a 1% das emissões globais associadas à queima de combustíveis, o equivalente a aproximadamente 180 milhões a 200 milhões de toneladas de CO₂.

Embora a fatia ainda seja menor que a de setores tradicionais, a tendência é de alta. Em cenários de forte adoção da IA, os data centers podem chegar a 1,4% das emissões globais até 2030. Grandes empresas de tecnologia também ampliam investimentos em infraestrutura de processamento, o que eleva a demanda por energia.

Assim, a queda nas emissões globais por incêndios no início de 2026 representa um alívio relevante, mas não altera a direção geral do problema climático. A combinação entre aquecimento global, eventos extremos, El Niño e expansão energética da IA mostra que a redução estrutural das emissões ainda depende de políticas climáticas mais robustas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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