IA faz emissões das big techs dispararem e ameaça metas climáticas

A expansão da IA aumenta a demanda por data centers, energia, concreto e aço, elevando emissões e pressionando metas climáticas das big techs. 

O avanço acelerado da IA ampliou a pressão ambiental de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. Amazon, Google, Meta e Microsoft registraram aumento nas emissões de carbono, o que dificulta o cumprimento das metas de emissão líquida zero assumidas pelo setor.

O crescimento está ligado principalmente à expansão dos data centers, estruturas essenciais para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. Além de demandarem grandes volumes de eletricidade, essas instalações exigem materiais de alta intensidade energética, como concreto e aço, usados na construção de novos complexos.

Segundo dados citados pelo Business Green, a Amazon emitiu 81 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025. O número representa alta de 16% em relação a 2024 e de 58% na comparação com 2019. A empresa tem como meta atingir emissões líquidas zero até 2040, mas o avanço recente amplia a distância entre o compromisso climático e a trajetória atual de emissões.

O volume emitido pela Amazon equivale às emissões anuais de cerca de 19 milhões de carros movidos a gasolina e supera as emissões estimadas de toda a frota brasileira de automóveis, calculada em 77 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

O Google também registrou piora nos indicadores climáticos. As emissões totais da companhia cresceram 18% em 2025 na comparação anual. As emissões diretas, classificadas como Escopo 1, subiram 20%, enquanto as emissões associadas à cadeia de abastecimento avançaram 25%.

Microsoft e Meta ainda não divulgaram os resultados referentes a 2025. Nos relatórios mais recentes, porém, as duas empresas já haviam informado aumentos expressivos nas emissões: 23% no caso da Microsoft e 64% no da Meta, em relação ao ano anterior. A Meta afirma ter como objetivo alcançar emissões líquidas zero em toda a cadeia de valor até 2030.

A corrida por infraestrutura de IA também tem efeitos indiretos sobre o sistema energético. Nos Estados Unidos, a multiplicação de data centers tem impulsionado novos investimentos em energia e infraestrutura, inclusive com ampliação de fontes fósseis.

Especialistas alertam que o ritmo de expansão da IA contrasta com a urgência de reduzir emissões globais. “Estamos essencialmente numa crise climática e não deveríamos ter qualquer aumento nas emissões, sem dúvida. Ainda assim, os centros de dados estão indo na direção oposta”, disse à Bloomberg Sasha Luccioni, cofundadora e diretora científica do Grupo de IA Sustentável, que atua na medição e redução dos impactos ambientais do setor.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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