Marca supera 772 mil motocicletas emplacadas no primeiro semestre, alcança 32 milhões de unidades produzidas em Manaus e demonstra como a Zona Franca consolidou um dos mais bem-sucedidos polos industriais do mundo.
Coluna Follow-Up
Há empresas que se instalam em um território. Outras passam a fazer parte da sua própria história. A Honda pertence a categoria daquelas que escrevem sua trajetória como quem busca transformar sonhos em conquistas.
Ao completar cinco décadas de produção de motocicletas no Brasil, tendo Manaus como única base industrial do país, a Honda celebra números expressivos. O verdadeiro significado desse percurso, porém, vai além dos indicadores. Ele ajuda a contar a história de uma Amazônia que aprendeu a transformar tecnologia, trabalho qualificado e confiança em desenvolvimento que se atrela à sustentabilidade.
Os resultados do primeiro semestre de 2026 traduzem parte dessa trajetória. Foram mais de 772 mil motocicletas emplacadas, crescimento de 11% sobre o mesmo período do ano anterior. A produção ultrapassou 801 mil unidades, enquanto março registrou o melhor desempenho mensal da empresa em quase quinze anos, com mais de 160 mil motocicletas produzidas na fábrica amazonense.
São números que revelam uma indústria em expansão. Revelam também a maturidade de um modelo produtivo que, muitas vezes, é analisado apenas por seus incentivos fiscais e pouco por sua capacidade de formar competências industriais de classe mundial.
Em fevereiro, a Honda atingiu outro marco simbólico. A motocicleta de número 32 milhões saiu das linhas de montagem de Manaus, uma fábrica que hoje produz cerca de sete mil unidades por dia, abastece integralmente o mercado brasileiro e exporta para mais de quinze países.
Poucos parques industriais na América Latina acumulam tamanho nível de especialização. Mais significativo ainda é perceber que esse desempenho nasce em pleno coração da Amazônia.
Durante décadas, repetiu-se que floresta e indústria seriam incompatíveis. A experiência da Honda demonstra exatamente o contrário. A unidade instalada em Manaus tornou-se uma das operações mais verticalizadas do grupo no mundo, combinando elevada produtividade, inovação tecnológica, qualificação profissional e rigorosos padrões ambientais.
A floresta permaneceu em pé enquanto uma das maiores fabricantes de motocicletas do planeta consolidava ali uma referência mundial. Essa é uma das maiores contribuições silenciosas da Zona Franca de Manaus ao desenvolvimento brasileiro. Ao longo desses cinquenta anos, a Honda também ajudou a construir muito mais que motocicletas.
Formou milhares de profissionais, impulsionou fornecedores nacionais, desenvolveu uma ampla rede logística, estimulou inovação industrial e consolidou uma cultura de melhoria contínua inspirada na tradição japonesa de excelência operacional.
Sua presença fortaleceu um ecossistema que hoje abriga centenas de empresas, milhares de empregos qualificados e uma cadeia produtiva estratégica para a economia brasileira. Não por acaso, a CG permanece como o maior símbolo dessa história.
Primeira motocicleta produzida pela empresa no Brasil, o modelo ultrapassa quinze milhões de unidades comercializadas desde seu lançamento. Somente neste primeiro semestre respondeu por quase 34% das vendas da marca, mantendo-se como instrumento de trabalho, mobilidade, geração de renda e independência para milhões de brasileiros. Ao seu lado, Biz e Pop ampliam um fenômeno social que vai além do transporte.
Em boa parte do país, especialmente nas cidades médias, pequenas e no interior da Amazônia, a motocicleta tornou-se elemento fundamental da economia cotidiana. Ela conecta trabalhadores, pequenos empreendedores, profissionais liberais, entregadores, agricultores, estudantes e famílias inteiras. Sua importância econômica se confunde com sua relevância social.
Os resultados financeiros acompanham esse movimento. O Consórcio Honda ampliou em 13,6% a comercialização de cotas, o Banco Honda expandiu os financiamentos em 9% e a Seguros Honda registrou crescimento de 16%, demonstrando que mobilidade também significa acesso a soluções completas para milhões de consumidores.
Ao anunciar um novo ciclo de investimentos de R$ 1,6 bilhão até 2029, a empresa reafirma sua confiança no Brasil e, sobretudo, em Manaus. Num momento em que o debate nacional volta a discutir políticas industriais, reindustrialização e competitividade, a trajetória da Honda oferece uma lição concreta.
Projetos industriais consistentes exigem estabilidade institucional, visão de longo prazo, segurança jurídica e capacidade permanente de inovação. É exatamente isso que permitiu transformar uma fábrica inaugurada em 1976 numa referência mundial.
Para a Amazônia, essa história possui um significado ainda mais profundo.
Cada motocicleta produzida em Manaus representa empregos formais, arrecadação, conhecimento tecnológico e oportunidades que ajudam a reduzir pressões sobre a floresta. Demonstra que desenvolvimento sustentável também se constrói por meio da indústria de alta produtividade, capaz de gerar riqueza concentrando sua ocupação territorial em áreas urbanizadas.
A presença japonesa na Amazônia sempre foi marcada pelo respeito, pela disciplina, pela confiança nas pessoas e pelo compromisso de longo prazo.
A Honda, sem dúvida, é uma de suas expressões mais emblemáticas. Mais do que celebrar indicadores, o momento convida ao reconhecimento. Reconhecimento aos milhares de trabalhadores que, ao longo de cinco décadas, fizeram daquela fábrica uma referência internacional.
Reconhecimento aos parceiros, fornecedores, concessionários e consumidores que ajudaram a escrever essa trajetória. E reconhecimento a uma empresa que escolheu a Amazônia para construir uma das mais bem-sucedidas histórias da indústria brasileira. Quando Manaus prospera com inteligência, tecnologia e produção de valor agregado, prospera também uma ideia de país que compreende a floresta como parte da solução.
A Honda chega aos seus cinquenta anos mostrando que essa escolha continua acelerando o Brasil. E enchendo de orgulho todos aqueles que acreditam no potencial da Amazônia para produzir inovação, desenvolvimento e futuro.
Follow-Up é publicada sob a responsabilidade do CIEAM às quartas, quintas e sextas feiras, no Jornal do Comércio do Amazonas e no portal BrasilAmazoniaAgora, sob a coordenação editorial de Alfredo Lopes.