Proposta de Lula cobra maior responsabilidade dos países desenvolvidos no alcance da meta global de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para enfrentar a crise climática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende propor, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a criação de uma tarifa voltada aos países desenvolvidos para financiar ações climáticas em nações em desenvolvimento.
Segundo ele, essa arrecadação seria fundamental para viabilizar a nova meta global de financiamento climático, estabelecida na COP29, em Baku (Azerbaijão), que prevê US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.

“Queremos que haja Justiça Ambiental. E a COP, no Brasil, será transformada na COP da verdade”, disse Lula em entrevista à Bandnews. O presidente destacou ainda a importância de que os compromissos assumidos pelos países estejam alinhados às recomendações da ciência.

Durante a entrevista, Lula também reafirmou o convite ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar da conferência.
O gesto ocorre em meio à crise política e comercial provocada pela decisão do governo norte-americano de impor tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, medida que atinge diretamente pequenos e médios exportadores.
Para o presidente brasileiro, as sobretaxas foram motivadas por pressões políticas internas dos EUA e pela influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como forma de tentar aliviar o julgamento do ex-mandatário no Supremo Tribunal.
Em 17 de julho de 2025, Donald Trump enviou uma carta a Jair Bolsonaro, na qual classificou o julgamento do ex-presidente como “terrível e injusto” e pediu que fosse suspenso imediatamente. Além de ter defendido publicamente Bolsonaro.

Apesar do convite, a presença de Trump na COP30 é considerada improvável. O governo Trump retomou uma postura de negacionismo climático, abandonou novamente o Acordo de Paris e extinguiu o escritório responsável por acompanhar negociações ambientais no Departamento de Estado. Com isso, cresce a possibilidade de os Estados Unidos não participarem das discussões previstas para novembro em Belém.
