Tarifaço de Trump impacta mais de 5 mil produtores da bioeconomia na Amazônia 

Tarifaço de Trump inclui taxas de até 50% sobre produtos tradicionais da bioeconomia na Amazônia, como açaí, cacau e mel, afetando milhares de produtores.

Em vigor desde agosto, as tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem atingir mais da metade (54%) dos empreendimentos de bioeconomia na Amazônia Legal mapeados pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam).

Entre os itens mais afetados estão açaí, cacau, mel, óleos vegetais, temperos, pescados e produtos da aquicultura, que geraram cerca de US$ 165 milhões (R$ 894 milhões) em exportações para o mercado norte-americano em 2024, somando aproximadamente 39 mil toneladas.

Imagem de cestos de açaí em um porto no Amazonas, um dos produtos mais importantes para a bioeconomia amazônica. Foto: Adobe Stock.
Foto: Adobe Stock.

Segundo o Ipam, ao menos 216 empreendimentos exportadores serão diretamente impactados, mas a medida pode repercutir sobre uma rede de mais de 5 mil produtores na região. Entre os produtos tradicionais, apenas a castanha-do-brasil e a borracha ficaram isentos.

A instituição avalia que o tarifaço de Trump representa mais uma barreira à geração de renda em territórios vulneráveis. As isenções, por outro lado, beneficiam setores como mineração, petróleo e fabricação de peças para automóveis e aviação, atividades ligadas a altas emissões de carbono e degradação ambiental.

Para pesquisadores do Ipam, a medida tende a aumentar a pressão econômica sobre pequenos produtores e bioindústrias, já desafiados pela dificuldade de agregar valor e competir em condições mais justas no mercado internacional. Especialistas defendem que a diversificação de mercados e o incentivo à bioindustrialização de produtos amazônicos são caminhos para fortalecer a competitividade do setor e mitigar os danos. 

Imagem de Donald Trump assinando um documento na Casa Branca. Tarifaço de Trump impacta mais de 5 mil produtores da bioeconomia da Amazônia. Foto: Reprodução/Flickr/White House.
Foto: Reprodução/Flickr/White House.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Sociobioeconomia: Redes da Amazônia recebem até R$ 11,7 milhões

Redes da Amazônia avançam na sociobioeconomia e poderão receber até R$ 11,7 milhões cada para fortalecer negócios comunitários.

Tornados no Brasil: por que o país é o segundo mais propenso do mundo 

Tornados no Brasil chegam a 81 registros em 2026 e podem bater recorde; entenda a influência do El Niño, das massas de ar e do clima.

Quando a inteligência precisa de território

"A Amazônia precisa decidir se continuará exportando apenas recursos...

Quando a inteligência começa a governar o desenvolvimento da Amazônia

"A Amazônia aprendeu a construir fábricas antes de aprender...

Por que a Zona Franca de Manaus nunca deixa de ser questionada?

“Atravessando governos, reformas tributárias e mudanças profundas na economia...