Relatório de Trump questiona consenso científico e minimiza impacto das emissões de gases de efeito estufa, preocupando especialistas por reforçar o negacionismo climático e ameaçar políticas ambientais nos EUA.
O governo Trump divulgou um relatório que questiona o consenso científico sobre as mudanças climáticas e minimiza os impactos das emissões de gases de efeito estufa. Publicado pelo Departamento de Energia dos EUA, o documento foi elaborado por cinco cientistas conhecidos por falas céticas em relação ao aquecimento global, como Judith Curry e Steven Koonin.
A publicação sustenta que o dióxido de carbono não deve ser considerado um poluente, afirma que os modelos climáticos são sensíveis demais ao CO₂ e nega relação entre as emissões humanas e o aumento de eventos climáticos extremos, como furacões e enchentes.
O texto também argumenta que políticas ambientais causariam mais prejuízos econômicos do que benefícios ao clima. Entre as afirmações do documento, estão as de que o aquecimento global não seria tão prejudicial à economia, que o nível do mar não estaria subindo de forma rápida e que o aumento de CO₂ poderia elevar a produtividade agrícola.
O documento foi encomendado por Christopher Wright, secretário de Energia e defensor da indústria fóssil, que apresenta o texto como uma “visão alternativa”. A iniciativa ocorre dias após o governo tentar revogar uma declaração de 2009 que reconhece os gases de efeito estufa como ameaça à saúde pública.
Cientistas reagiram com críticas. O climatologista Carlos Nobre classificou o relatório como uma distorção da ciência. “É uma estratégia com aparência técnica, mas motivação política clara”, apontou. O temor é que o documento sirva para justificar a revogação de regulamentações ambientais e desacreditar ações de mitigação de danos ambientais.
O relatório é mais uma medida do governo Trump para desregulamentar políticas ambientais e favorecer combustíveis fósseis, no momento em que os EUA seguem como um dos maiores emissores do planeta.