Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Nova análise com quase 3 mil medições atmosféricas revela que emissões terrestres de microplásticos superam em mais de 20 vezes as oceânicas.

Pesquisa publicada na revista Nature revela que emissões atmosféricas de microplásticos foram superestimadas e destaca novas incertezas sobre a poluição global. Os microplásticos já foram encontrados em regiões remotas do planeta, desde montanhas até áreas oceânicas isoladas. Agora, um novo estudo internacional indica que a maior parte dessas partículas transportadas pela atmosfera tem origem em fontes terrestres e não marinhas, como sugeriam pesquisas anteriores.

A pesquisa, conduzida pelo Departamento de Meteorologia e Geofísica da Universidade de Viena e publicada na revista Nature, também aponta que as estimativas globais sobre emissões de microplásticos no ar estavam significativamente infladas. Segundo os autores, modelos utilizados até agora previam concentrações muito superiores às observadas em medições reais.

Os microplásticos são partículas extremamente pequenas liberadas a partir da degradação de materiais plásticos. Elas podem ser emitidas diretamente por atividades humanas, como o desgaste de pneus, a liberação de fibras têxteis e processos industriais, além de retornarem ao ar a partir de solos e superfícies aquáticas já contaminadas. Uma vez suspensas na atmosfera, essas partículas podem percorrer grandes distâncias e ser inaladas por humanos e animais.

Grande quantidade de resíduos plásticos acumulados em aterro sanitário, evidenciando o impacto da poluição ambiental causada pelo descarte inadequado.
Poluição plástica em aterros contribui para a liberação de microplásticos transportados pelo ar em escala global. Foto: Tom Fisk/Pexels

Para chegar às conclusões, os pesquisadores Ioanna Evangelou, Silvia Bucci e Andreas Stohl reuniram 2.782 medições atmosféricas realizadas em diferentes partes do mundo. Os dados foram comparados com simulações computacionais baseadas em três modelos globais de emissões de microplásticos.

A comparação mostrou que os modelos superestimavam em várias ordens de magnitude a quantidade de partículas presentes no ar e depositadas na superfície terrestre. A partir desse descompasso, os cientistas recalibraram os cálculos e produziram novas estimativas para fontes terrestres e oceânicas.

Após os ajustes, os resultados mostraram que as emissões provenientes da terra continuam sendo amplamente dominantes. Segundo Andreas Stohl, mais de 20 vezes mais partículas de microplástico são lançadas na atmosfera a partir de áreas terrestres do que dos oceanos.

Apesar disso, os pesquisadores observaram um detalhe importante, embora a quantidade de partículas seja maior em terra, a massa total emitida pelos oceanos pode ser superior, devido ao tamanho médio mais elevado das partículas oceânicas.

O estudo também destaca que ainda existem grandes lacunas no entendimento sobre a circulação atmosférica dos microplásticos. Entre as principais incertezas estão a participação relativa de diferentes fontes de emissão e a distribuição real do tamanho das partículas transportadas pelo ar.

Os autores defendem a ampliação das medições globais para melhorar a precisão dos modelos climáticos e ambientais relacionados à poluição plástica. Segundo eles, compreender como os microplásticos se dispersam pela atmosfera é fundamental para avaliar impactos ambientais e possíveis riscos à saúde humana.

Leia o artigo na íntegra em:

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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