Ser jovem no Brasil

Fundo do poço em relação ao desemprego? Não necessariamente, se o Governo Federal ficar restrito a uma política econômica que se limita a discutir cortes de despesas e aumentos de impostos, sem um projeto de retomada do processo de crescimento econômico, tecnicamente consistente com a estabilização monetária e politicamente viável na gestão de conflitos.

Paulo Roberto Haddad
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Um país está em processo de desenvolvimento quando consegue ampliar o campo de oportunidades para que os seus habitantes possam realizar, com liberdade, os seus projetos de vida.  Sem dúvida, uma das mais importantes dessas oportunidades é a que permite às pessoas acesso às condições para se realizar profissionalmente no trabalho, ter renda para financiar o seu padrão de vida e, principalmente, para vivenciar as emoções de dar vida aos seus sonhos.

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Paulo Roberto Haddad é professor emérito da UFMG. Foi Ministro do Planejamento e da Fazenda no Governo Itamar Franco.

Nos últimos dez anos, a economia brasileira entrou em profundo processo de decadência, cuja melhor métrica são as oportunidades perdidas para a nossa juventude.  Nessa década, a taxa de desemprego para jovens entre 18 e 24 anos saltou de 16,4% para 31,4%, com crescimento quase contínuo. O que significa: 1 em cada 3 jovens brasileiros teve suas esperanças interrompidas.

O IBGE nos informa, também, que essas taxas são quase três vezes maiores do que a média geral e que são maiores ainda entre os negros, os que têm menor nível de educação (secundário incompleto), os do sexo feminino e os que moram no Nordeste. Um retrato dramático de uma sociedade dividida pela renda e pela riqueza, pela cor, pela raça, pelo gênero e pela região que habita, sendo muitos desses critérios definidos pela “loteria da vida”.

Uma recessão ou depressão econômica pode gerar leituras e interpretações diferenciadas entre os vários grupos da sociedade. Jovens que terminam os seus cursos de nível técnico ou de nível superior podem atribuir a si mesmos as dificuldades, aparentemente intransponíveis, para encontrar empregos compatíveis com sua formação profissional. Passam a atribuir, de forma equivocada, à sua formação técnica, ao seu conformismo ou ao seu espírito pouco agressivo face às dificuldades encontradas, as razões para o seu desemprego ou subemprego.

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foto: Gisele Alfaia

O que de fato ocorre numa recessão ou depressão econômica é, principalmente, uma insuficiência crônica de demanda agregada de consumo e de investimentos, que induz à formação de crescentes bolsões de desempregados e à redução direta e indireta de quase todos os mercados de trabalho. Políticas econômicas equivocadas e inconsistentes, gestadas no bojo do voluntarismo político, do populismo econômico e do receituário ideológico, potencializam a capacidade de desestabilizar as economias nacionais e de desorganizar as expectativas dos consumidores e dos empreendedores, restringindo enormemente o campo de oportunidades.

Fundo do poço em relação ao desemprego? Não necessariamente, se o Governo Federal ficar restrito a uma política econômica que se limita a discutir cortes de despesas e aumentos de impostos, sem um projeto de retomada do processo de crescimento econômico, tecnicamente consistente com a estabilização monetária e politicamente viável na gestão de conflitos. Em março de 1928, Keynes organizava suas ideias para superar o quadro de recessão e de desemprego que ameaçava a Inglaterra e dizia: “Vamos nos levantar e realizar, utilizando todos os recursos ociosos para expandir a riqueza. Com homens e fábricas desempregados, é ridículo dizer que não podemos enfrentar novos desenvolvimentos. É precisamente com essas fábricas e esses homens que iremos enfrentá-los”. Tarefas que se realizam apenas sob a liderança de um estadista como Roosevelt ou JK.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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