Duas rodas, milhões de oportunidades

Os dados compartilhados pela Abraciclo reafirmam algo que vem se consolidando nos últimos anos: o segmento de duas rodas voltou a assumir o papel de locomotiva do Polo Industrial de Manaus. Enquanto parte da indústria brasileira ainda convive com juros elevados, incertezas políticas, gargalos logísticos e oscilações do comércio internacional, as motocicletas seguem acelerando.

As fábricas do PIM produziram mais de 930 mil motocicletas, crescimento superior a 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo uma trajetória que já aponta para novo recorde histórico. A própria Abraciclo projeta a produção de mais de 2 milhões de unidades em 2026, consolidando Manaus como o maior polo de fabricação de motocicletas fora da Ásia.  

A expressão amazônica “duas rodas de vento em popa” parece adequada ao momento porque o setor encontrou um raro alinhamento de fatores favoráveis. Há demanda crescente por mobilidade individual, expansão dos serviços de entrega, maior procura por veículos econômicos e uma base industrial que soube ampliar capacidade produtiva. O resultado aparece nas linhas de montagem, nos licenciamentos e nas exportações.  

duas rodas

O significado vai além dos números. O segmento de duas rodas tornou-se uma espécie de bússola da resiliência industrial amazônica. Em momentos de desaceleração de alguns segmentos eletroeletrônicos, as motocicletas ajudam a sustentar empregos, arrecadação, investimentos e movimentação logística. O setor responde por milhares de empregos diretos na capital amazonense e por uma cadeia produtiva que alcança fornecedores, transportadores, concessionárias e serviços em todo o país.  

Particularmente marcado por disputas comerciais globais, reconfiguração de cadeias produtivas e debates sobre reindustrialização, o desempenho das motos também reforça um argumento recorrente da Zona Franca de Manaus: a Amazônia não é apenas um espaço de conservação ambiental. É igualmente um território de produção industrial sofisticada, capaz de competir, exportar e gerar riqueza formal dentro da floresta.  

Talvez a imagem mais precisa seja esta: enquanto muitos setores ainda procuram o rumo diante das turbulências econômicas, o Polo Industrial de Manaus segue avançando sobre duas rodas, com o motor aquecido pela demanda e os olhos voltados para um horizonte que, ao menos por enquanto, continua aberto e favorável.

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(Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)

Honda: meio século acelerando a indústria brasileira na Amazônia 

Líder histórica do segmento de duas rodas no Polo Industrial de Manaus, a Honda segue como protagonista do atual ciclo de expansão da indústria amazonense. Responsável por mais de três quartos da produção nacional de motocicletas fabricadas no PIM, a empresa ultrapassou a marca de 716 mil unidades produzidas entre janeiro e maio deste ano, crescimento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período anterior.

O desempenho acompanha a trajetória de fortalecimento do setor de duas rodas, que hoje representa uma das mais sólidas cadeias produtivas da Zona Franca de Manaus. Além da produção, a fabricante mantém investimentos contínuos em modernização industrial, qualificação profissional, inovação tecnológica e ampliação da capacidade produtiva.

Os planos da empresa incluem alcançar a marca de 1,6 milhão de motocicletas produzidas anualmente até 2029, reforçando a aposta de longo prazo em Manaus como principal plataforma industrial da Honda na América Latina.

O ano de 2026 também abriga um significado simbólico para a companhia. A Honda celebrará 50 anos de produção de motocicletas no Brasil, uma trajetória que se confunde com a própria consolidação do Polo Industrial de Manaus como referência mundial na fabricação de veículos de duas rodas.

Mais do que uma fabricante de motocicletas, a Honda tornou-se um dos pilares da industrialização amazônica, contribuindo para a geração de milhares de empregos, a formação de mão de obra especializada, o desenvolvimento tecnológico e a demonstração prática de que competitividade industrial e preservação da floresta podem caminhar na mesma direção.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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