UE quer regular tecnologia de Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial (IA) está por trás de muitas das tecnologias que usamos, atualmente, e as inovações avançam a grande ritmo. A Comissão Europeia apresenta a primeira proposta legislativa, esta quarta-feira, apesar de já financiar a área há muitos anos.

Um das empresas beneficiárias é a HumanITcare, uma plataforma que recolhe dados médicos, tais como, por exemplo, a pressão arterial ou a frequência cardíaca.

Essa informação, obtida através de dispositivos tecnológicos utilizados pelos pacientes na sua rotina, sobretudo em recuperação de doenças graves, é enviada aos médicos, que poderão detectar irregularidades.

“A IA ajuda-nos com um sistema de alarmes que a plataforma fornece aos médicos, permitindo que obtenham importantes dados sobre as doenças dos pacientes. Os alarmes não desencadeiam de imediato um contacto com o paciente, mas dão informação ao médico sobre o que se passa. O médico pode consultar todo o histórico de valores registados e, assim, tomar decisões com base no que esta disponível nesta plataforma”, explicou Núria Pastor, fundadora e presidente-executiva desta empresa espanhola, em entrevista à euronews.

Quem define os limites?

Os programas de IA ensinam as máquinas a analisar dados, a tirarem conclusões e aprenderem com o que estão a analisar.

Mas existem riscos em termos da utilização final da informação ou conclusão obtida pelo sistema.

Por exemplo, na análise de currículos nas candidaturas de emprego, o programa poderá reproduzir preconceitos ligados ao género ou à raça.

No Parlamento Europeu defende-se que as decisões finais sejam sempre tomadas por seres humanos.

“A IA deve ter sempre uma perspectiva centrada no homem, deve estar sempre ligada ao desenvolvimento do ser humano. E também deve estar orientada para permitir que os benefícios sejam distribuídos o mais equitativamente possível pela sociedade. Por outro lado, tem que respeitar os direitos fundamentais”, considera Ibán García del Blanco, eurodeputado espanhol do centro-esquerda.

Uma questão de ética

Mas há quem argumente que excessiva regulamentação poderá atrasar o desenvolvimento desta tecnologia. Os EUA apostam na auto-regulação das empresas, mas talvez a virtude esteja no meio.

“Muitas vezes, quando as pessoas quando falam sobre regulamentação excessiva, estão a pensar, exclusivamente, em termos económicos, no sentido de que impede o crescimento econômico. Mas a questão principal é que a prosperidade económica deve ser apenas um objetivo entre outros. Existem outros direitos nos quais devemos pensar. Muitas vezes, para respeitar os direitos, temos de limitar a prosperidade econômica que poderíamos alcançar”, afirma John Tasioulas, professor de Ética em IA, na Universidade de Oxford.

A Comissão Europeia espera que esta nova legislação seja apreciada positivamente no resto do mundo, como aconteceu com as novas regras sobre a proteção de dados dos cidadãos.

Fonte: Euronews

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A responsabilidade de defender o Amazonas

Há 47 anos, o CIEAM defende a indústria e...

Bolsonaro abriu espaço para o crime avançar na Amazônia, apontam pesquisas

Estudos relacionam políticas do governo Jair Bolsonaro ao avanço do crime organizado na Amazônia.

Idesam reforça prevenção e combate a incêndios em Apuí e Careiro Castanho

Idesam reforça brigadas de Apuí e Careiro Castanho com equipamentos para prevenir incêndios florestais e proteger comunidades no Amazonas.

Queimadas no Amazonas: Mais de 79% dos focos de outubro estão em imóveis rurais privados 

Queimadas no Amazonas: 79% dos focos estão em imóveis privados. Possível relação entre avanço do fogo e contexto eleitoral é investigada.

Multas por incêndios no Amazonas chegam a R$ 2 milhões em sete dias de operações

Incêndios no Amazonas levam a R$ 2 milhões em multas e embargo de 250 hectares. Ibama registra 19 autos de infração em sete dias.