Pesquisa localizou plantas raras em áreas protegidas de Minas Gerais e agora busca desenvolver técnicas para reproduzi-las e reintroduzi-las na natureza.
Pesquisadores encontraram plantas raras que não eram registradas na natureza havia mais de 30 anos. As descobertas ocorreram no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, onde algumas espécies pesquisadas chegaram a permanecer mais de um século sem novos registros e eram consideradas potencialmente extintas.
As buscas foram realizadas em áreas protegidas mantidas pela Vale entre os municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto. O trabalho integra o Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, desenvolvido por universidades, instituições científicas e pela empresa no âmbito da Rede Propagar.
Entre as espécies redescobertas estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinhos. Típicas das serras mineiras, essas plantas mantêm a aparência das flores mesmo depois de secas.
Espécies adaptadas a condições extremas
As espécies vivem nos campos rupestres, sobre solos ricos em ferro e sob condições de forte exposição solar, pouca disponibilidade de água e variações de temperatura. A capacidade de resistir a ambientes extremos aumenta a importância das plantas raras para o equilíbrio ecológico da região.
A Paepalanthus magalhaesii é uma planta de pequeno porte, semelhante a um minúsculo pompom entre as rochas. Os pesquisadores localizaram exemplares nas áreas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca.
Já a Coracoralina amoena cresce em locais rochosos cobertos por uma camada fina de solo. Considerada uma das espécies mais incomuns da região, ela chegou a ser apontada na literatura científica como desaparecida da natureza.
Segundo os pesquisadores, as características dessas plantas podem contribuir para estudos nas áreas de genética, biotecnologia e farmacologia. A redescoberta também evidencia a necessidade de ampliar os levantamentos sobre a flora brasileira, especialmente em regiões que concentram espécies endêmicas.
Amostras serão estudadas em laboratório
O material coletado foi encaminhado aos laboratórios que integram a Rede Propagar. As amostras passarão por sequenciamento genético, identificação científica e estudos destinados ao desenvolvimento de métodos de reprodução.
Parte dos exemplares será depositada em coleções de referência para apoiar novas pesquisas. O projeto pretende ainda produzir mudas e, futuramente, reintroduzir as espécies em ambientes naturais, ampliando sua distribuição e reduzindo o risco de desaparecimento.
A multiplicação dessas plantas raras depende da recuperação de áreas que ofereçam condições adequadas ao seu desenvolvimento. Esse é um dos principais desafios do projeto, pois muitas delas ocupam ambientes específicos e ainda são pouco conhecidas pela ciência.
Mais de 30% das espécies vegetais existentes no Quadrilátero Ferrífero são exclusivas da região, segundo os responsáveis pela iniciativa. A conservação dessas plantas raras é considerada estratégica diante da pressão das atividades humanas e dos efeitos das mudanças climáticas. Além de proteger espécies endêmicas, a recuperação dos campos rupestres ajuda a preservar as relações ecológicas que sustentam a biodiversidade regional.