O Painel da Economia Amazonense registra reação da atividade em julho, impulsionada pela indústria. O faturamento cresce, as motocicletas ampliam a produção e os condicionadores de ar ensaiam recuperação, embora os indicadores acumulados ainda revelem perdas.
Coluna Follow-Up
A reação que a economia amazonense preparava ao encerrar o primeiro semestre começou a aparecer em julho. As fábricas ampliaram a produção, o comércio vendeu mais e os serviços recuperaram movimento. O Polo Industrial de Manaus alcançou aproximadamente R$ 143 bilhões de faturamento nos sete primeiros meses de 2026, com expansão nominal de 9,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
Os dados estão reunidos no Painel da Economia Amazonense, o PEA, elaborado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas, o CIEAM. A nova leitura permite retomar a pergunta deixada pelo fechamento do semestre: quanto da desaceleração de junho seria transitório?
Julho trouxe uma recuperação expressiva, suficiente para recolocar a atividade estadual acima do nível de maio. Os indicadores acumulados, porém, mostram que a economia ainda precisa de continuidade para consolidar esse avanço.
A reação supera a perda de junho
O índice de atividade econômica do Amazonas, calculado pelo Banco Central, cresceu 5,62% em julho diante de junho, com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o avanço foi de 9,57%.
A diferença merece explicação. A produção e o consumo apresentam movimentos que costumam se repetir em determinadas épocas do ano. O ajuste sazonal procura descontar esses efeitos, permitindo comparar os meses com menor influência do calendário.
Mesmo depois dessa correção, a reação amazonense foi forte. Na mesma comparação ajustada, a atividade brasileira recuou 0,22%, enquanto a Região Norte apresentou queda de 0,79%.
Segundo o painel, o nível da atividade estadual em julho ficou aproximadamente 1% acima do observado em maio. A perda de junho foi recuperada, com algum ganho adicional.
A perspectiva mais longa exige atenção. Na série ajustada apresentada pelo PEA, a variação trimestral foi negativa em 0,75%, e o crescimento em 12 meses ficou próximo de zero, em 0,06%. O resultado mensal representa uma mudança favorável, cuja sustentação dependerá dos meses seguintes.
A indústria volta a movimentar as cadeias produtivas
A produção física industrial cresceu 14,56% em julho na comparação mensal com ajuste sazonal. Sem ajuste, a expansão foi de 20,02%. Na indústria de transformação, a alta mensal sem ajuste alcançou 21,23%.
O gráfico setorial do painel mostra aumentos de aproximadamente 50% em químicos, 41% em duas rodas e naval, 37% em informática e 25% em plástico. São avanços sobre a base enfraquecida de junho, mas ajudam a dimensionar a retomada das linhas de produção.
A recuperação não alcançou todas as atividades. Combustíveis e produtos diversos apresentaram retração no mesmo gráfico. O desempenho do refino, destacado pela análise técnica, limitou o resultado agregado da indústria amazonense.
No acumulado de 12 meses, a produção industrial ainda recuava 1,87%, na série sem ajuste. Para fornecedores, transportadores e trabalhadores, julho significou mais atividade; para avaliar uma expansão duradoura, será necessário acompanhar a sequência das encomendas e da produção.
Cinco meses acima de R$ 20 bilhões
As fábricas do PIM faturaram R$ 20,92 bilhões em julho, crescimento nominal de 3,5% diante de junho e de 17,07% em relação a julho de 2025. Segundo o painel, foi o quinto mês consecutivo com receitas superiores a R$ 20 bilhões.
De janeiro a julho, o faturamento chegou a aproximadamente R$ 143 bilhões. Em dólares, somou cerca de US$ 27,7 bilhões, com expansão próxima de 21%.
Faturamento e produção física medem aspectos diferentes. A receita depende da quantidade vendida, dos preços e da composição dos produtos comercializados. Na conversão em dólares, entra também o efeito do câmbio.
Essa distinção ajuda a entender por que as receitas podem crescer enquanto determinados indicadores de volume permanecem negativos. A leitura conjunta permite avaliar com maior precisão a situação das fábricas.
Termoplásticos e metalurgia se destacaram com crescimento nominal acumulado de 32,19% e 21,88%, respectivamente. O setor mecânico reagiu em julho, embora ainda carregasse perda no acumulado do ano.
Motocicletas sustentam a expansão
A produção de motocicletas alcançou 1.359.120 unidades entre janeiro e julho, crescimento de 10,84% sobre o mesmo período de 2025. O faturamento desse produto avançou 12,59%.
A expansão reforça a contribuição das duas rodas para a economia amazonense. A atividade movimenta uma cadeia que envolve fabricantes, fornecedores, transporte, distribuição e serviços, com efeitos sobre o emprego e a circulação de renda.
Nos condicionadores de ar, o painel identifica recuperação recente e redução do excesso de estoques. O acumulado continua abaixo do ano anterior. Entre janeiro e julho, a produção caiu 18,75%, as vendas recuaram 13,07% e o faturamento diminuiu 21,16%.
O setor pode melhorar nos meses mais recentes e ainda apresentar perdas no período completo. Quando a redução dos estoques acompanha o avanço das vendas, abre-se espaço para novas encomendas às fábricas.
Outros produtos revelam trajetórias distintas. A produção de micro-ondas cresceu 19,83% no acumulado, enquanto a de monitores caiu 24,35%. O desempenho do PIM reúne, portanto, atividades em diferentes momentos de produção, vendas e recomposição de estoques.
O próximo passo depende das vendas
O resultado de julho responde parcialmente à preocupação que marcou o encerramento do primeiro semestre. A economia recuperou atividade, e a indústria voltou a produzir em ritmo mais intenso.
A continuidade dependerá da capacidade de transformar essa reação em vendas regulares, novas encomendas e preservação dos empregos. O faturamento acumulado oferece uma base favorável, mas as perdas ainda presentes em alguns segmentos recomendam uma leitura cuidadosa.
Para o Amazonas, o avanço das fábricas alcança fornecedores, comércio, serviços e arrecadação. É nessa circulação que a recuperação industrial ganha significado para o restante da economia.
Na segunda parte, emprego, consumo, importações e confiança empresarial ajudam a avaliar as condições para sustentar a recuperação.
Fonte: Painel da Economia Amazonense, CIEAM. Dados de comércio, serviços, emprego e arrecadação até julho de 2026; importações até agosto; confiança industrial até setembro.
Autoria técnica: André Ricardo R. Costa, com auxílio de Almir Corrêa A. Samad e Lucas Almeida.
A Coluna Follow-Up é publicada sob a responsabilidade do CIEAM às quartas, quintas e sextas-feiras, no Jornal do Comércio do Amazonas, com a coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal brasilamazoniaagora.com.br