“Em entrevista ao Brasil Amazônia Agora, Aurélio Michiles define Honestino como uma reação política ao reaparecimento de discursos autoritários no Brasil e no mundo”
BAA Entrevista
“De volta a Manaus para apresentar seu novo filme, o cineasta amazonense fala sobre Honestino Guimarães, memória, ditadura, fascismo, Paulo Freire, Amazônia e o risco de sociedades sofisticadas voltarem a conviver com o autoritarismo”.
Há filmes que procuram o passado para reconstruí-lo. Honestino, de Aurélio Michiles, olha para trás com outra inquietação. A trajetória de Honestino Guimarães, liderança estudantil perseguida pela ditadura militar e desaparecida durante o regime, serve ao cineasta como ponto de observação de um país que, décadas depois, voltou a discutir publicamente valores, personagens e práticas associados à experiência autoritária brasileira.
Michiles está em Manaus para apresentar o filme e conversou com o Brasil Amazônia Agora sobre as razões que o levaram a realizá-lo. Ao longo da entrevista, a conversa ultrapassou o personagem e alcançou o Brasil contemporâneo, a educação, Paulo Freire, as redes sociais, a ascensão internacional da extrema direita, a financeirização da economia e a própria Amazônia.
Para o cineasta, Honestino surgiu também como reação aos acontecimentos políticos recentes.
“Não é um filme nostálgico”, diz. “É um alerta.”
A seguir, os principais trechos da conversa com Aurélio Michiles.
A entrevista foi concedida ao Portal Brasil Amazônia com exclusividade para o editor geral – Alfredo Lopes
Confira!
Brasil Amazônia Agora — Honestino já era uma liderança estudantil importante, uma referência nacional de resistência. O filme acompanha a vida desse jovem, mas também o país no qual ele viveu. Por que contar essa história agora?
Aurélio Michiles — Foi exatamente por causa da realidade recente do Brasil que me senti motivado a fazer esse filme. Nós passamos por um governo de quatro anos que exaltava a ditadura, a repressão militar, os torturadores, a violência, a intolerância, o uso de armas.
Durante a pandemia, vimos também uma postura de enorme indiferença diante da morte de brasileiros. E aqui no Amazonas isso teve uma dimensão ainda mais dramática. Tivemos milhares de pessoas morrendo, vimos o que aconteceu. As imagens deixaram tudo explícito.
Foi a partir dessa realidade que eu me senti motivado a fazer Honestino. De certa maneira, como uma resposta, uma reação política.
BAA — Então o filme não pretende apenas recuperar a memória de Honestino?
Michiles — Não. Não é um filme nostálgico. É um alerta.
Não quis fazer simplesmente um filme de arquivo ou um resgate do passado. É um filme de emoção, mas também de reflexão. Quero que as pessoas pensem sobre o que significa viver numa ditadura, viver sem liberdade.
Ele propõe uma reflexão sobre o passado e sobre o presente. Não apenas sobre o passado.
BAA — Quando observamos hoje a movimentação política no continente e a expansão de correntes autoritárias em vários países, você considera que existe novamente um risco concreto de retrocesso?
Michiles — Esse, seguramente, é um dos grandes desafios do século XXI. Estamos vendo a retomada de ideias que imaginávamos que já tivessem sido jogadas na lata do lixo da História.
De repente, alguém vai lá, tira aquilo da lata do lixo e apresenta novamente uma ideologia que foi nefasta para a humanidade, que produziu guerras, perseguições e milhões de mortos.
Depois de tantas conquistas sociais, políticas e humanitárias, essas ideias reaparecem para negar direitos e eliminar a dimensão coletiva da sociedade. O risco da volta do fascismo, do nazismo, do nazifascismo, está diante de nós.
E isso também aparece associado a determinada concepção econômica. Uma economia que exalta a acumulação da riqueza e que, em grande medida, transformou a própria economia numa espécie de cassino. As pessoas são estimuladas a sonhar com uma riqueza súbita enquanto o poder se concentra cada vez mais.
Vivemos sob uma economia de rentistas, de gente que ganha emprestando dinheiro, de agiotas. Há uma ilusão permanente de riqueza.
Ao mesmo tempo, o mundo está atravessando mudanças extraordinárias. Mudanças climáticas, mudanças da matriz energética, econômica, tecnológica, científica e também ideológica.
A inteligência artificial já está transformando profundamente a sociedade. As novas gerações precisarão viver em outra economia, com outras formas de trabalho e produção. A educação deveria estar voltada para preparar as pessoas para isso.
Mas o que vemos crescer paralelamente é um discurso sectário da extrema direita.
BAA — E a educação entra diretamente nessa disputa. Paulo Freire, por exemplo, tornou-se um dos alvos preferenciais desses movimentos.
Michiles — Exatamente. O inimigo deles é Paulo Freire.
Estamos falando de um dos pedagogos brasileiros mais respeitados internacionalmente, alguém que mostrou a possibilidade de alfabetizar, de inserir o cidadão nas relações sociais e oferecer instrumentos para que ele compreenda o mundo.
Ele se transforma em inimigo justamente porque propunha luz, consciência, esperança de vida para as pessoas.
Estamos num limiar, Alfredo. E precisamos enfrentar essas ideias. No Brasil, elas conseguiram chegar ao poder e permanecer durante quatro anos.
O filme também é uma forma de me posicionar diante disso. Proponho que as pessoas pensem sobre o passado e o presente.
BAA — Há também uma banalização cotidiana da barbárie. As redes sociais e os mecanismos de desinformação ajudam a naturalizar discursos que, alguns anos atrás, talvez causassem repulsa imediata. O autoritarismo do século XXI pode estar sendo absorvido justamente porque muitas vezes chega disfarçado de liberdade, inovação ou modernidade?
Michiles — Acho que nós caímos na ilusão de imaginar que a ameaça nazifascista tinha ficado no passado.
Ela permaneceu. Continuou permeando partes da sociedade e tentando contaminá-la aos poucos.
Veja os Estados Unidos. A discriminação racial permaneceu durante muito tempo institucionalizada. Desenvolveu-se também uma economia baseada no consumo exacerbado e numa enorme financeirização. E você tem uma sociedade que, apesar de toda a sua riqueza, não oferece acesso universal e gratuito à saúde.
Há ainda determinadas correntes religiosas que acabam associando espiritualidade a enriquecimento e prosperidade material. Deus se mistura ao dinheiro e ao negócio.
Essa concepção chegou ao Brasil e encontrou espaço na sociedade, muitas vezes se contrapondo à nossa própria tradição religiosa, que sempre foi extremamente diversificada. Temos o catolicismo, as religiões de matriz africana e inúmeras outras vertentes. O Brasil é muito mais complexo do que isso.
BAA — Você vê justamente nessa diversidade uma das características mais importantes do país?
Michiles — O Brasil, de certa forma, antecipou uma sociedade humanitária do século XXI. Somos um país híbrido, mestiço, misturado. É “chiclete com banana”.
Essa miscigenação tem enorme importância. Ela confronta o eurocentrismo e o etnocentrismo.
Você percebe isso na música, percebe no futebol. Havia aquela alegria de jogar representada por Pelé e por tantos outros. Quando perdemos essa alegria, alguma coisa também se perdeu.
Mas veja o nosso potencial científico. Veja a qualidade das pesquisas da Fiocruz, do Butantan, da Embrapa. Olhe para os intelectuais e cientistas que o Brasil produziu.
Nós deixamos muitas vezes de olhar para figuras como Darcy Ribeiro, Milton Santos, Marechal Rondon.
Rondon dizia algo que considero extraordinário: “Morrer, se preciso for; matar, nunca.”
Veja a diferença simbólica disso. Temos na nossa própria história referências humanistas que precisam ser recuperadas. Isso é fundamental para compreender nosso caminho e nossa visão de mundo.
BAA — Existe uma ideia confortável de que sociedades culturalmente avançadas estariam protegidas do fascismo. A própria história alemã contradiz isso.
Michiles — Exatamente.
É importante lembrar que nem toda a Alemanha se tornou nazista espontaneamente. A Alemanha daquele período era uma das sociedades intelectualmente mais sofisticadas do planeta.
Você tinha a Bauhaus. Tinha a Escola de Frankfurt, uma tradição de pensamento que continua fundamental para compreender o mundo contemporâneo. Tinha uma indústria farmacêutica extremamente avançada, um cinema extraordinário, teatro, dramaturgia, música, arquitetura.
Era uma sociedade de enorme potência intelectual e cultural.
E, no entanto, um movimento fascista, que começou inclusive em ambientes pequenos, em cervejarias, começou a arrastar multidões através do ressentimento e do ódio. É isso que precisamos compreender.
BAA — E você identifica mecanismos semelhantes hoje?
Michiles — Sim. No Brasil aconteceu algo parecido e nos Estados Unidos também.
De repente aparecem pessoas com algum carisma capazes de mobilizar parcelas da sociedade através do ressentimento, do ódio e da vingança. E fazem isso em nome de Deus, da família, da pátria e de uma suposta liberdade.
Mas que liberdade é essa?
Muitas dessas pessoas são, na prática, contrárias à própria liberdade que dizem defender.
E isso encontra terreno numa economia baseada na ganância, na exploração e numa visão extremamente limitada de desenvolvimento.
BAA — Para quem é da Amazônia, essa discussão adquire ainda outra dimensão. Sabemos o tamanho do patrimônio representado pela floresta e sequer conhecemos completamente sua biodiversidade e suas possibilidades econômicas, científicas e tecnológicas.
Michiles — Nós somos daqui. Sabemos o que a Amazônia representa.
Temos a floresta e uma quantidade de riquezas ali dentro que ainda nem conhecemos plenamente. Aquilo que já descobrimos representa apenas uma parte do potencial existente.
E há gente querendo destruir isso. É como matar a galinha dos ovos de ouro.
É uma contradição profunda. Precisamos enterrar esse fantasma autoritário que volta a ameaçar o planeta. Não é um problema apenas brasileiro.
No Brasil, convivemos muito de perto com ele. É um vizinho perigoso.
BAA — Talvez seja justamente por isso que filmes como Honestino tenham uma função que ultrapassa a memória. Diante da naturalização da violência, de discursos de ódio e até de episódios contemporâneos de limpeza étnica, criar alertas públicos se torna uma forma de resistência cultural.
Michiles — É isso.
Precisamos criar esses alertas. O cinema pode fazer isso.
Honestino nasceu também dessa necessidade de olhar para aquilo que aconteceu e perguntar o que estamos fazendo no presente.
Porque o retrocesso é possível.
A democracia precisa ser reafirmada, consolidada e defendida. Precisamos manter distância dessa tentação autoritária e, de uma vez por todas, mandar esse fantasma para o lugar de onde nunca deveria ter saído.
Um personagem do passado diante de uma pergunta do presente
Ao escolher Honestino Guimarães, Aurélio Michiles recupera mais do que uma biografia interrompida pela violência de Estado. O cineasta utiliza a memória de uma geração perseguida pela ditadura para interrogar uma sociedade que voltou a ouvir, em plena democracia, discursos de exaltação ao autoritarismo.
Com certeza passa por aí a chave do filme.
Honestino pertence à história brasileira. A pergunta que Michiles coloca diante do espectador pertence inteiramente ao presente: quanto uma democracia pode esquecer antes de começar a repetir aquilo que julgava ter superado?
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Honestino, ciência interrompida e a Amazônia que ainda procura seu futuro
“O horror conseguiu interromper sua vida. Não conseguiu encerrar a pergunta que ela deixou ao país: que Brasil poderíamos construir se ciência, cidadania e política voltassem a caminhar juntas”? Aurélio Michiles
Há um aspecto da trajetória de Honestino Guimarães que ajuda a compreender melhor minha escolha. Sua perseguição política alcançou um jovem cuja militância estava profundamente ligada à universidade. Aluno destacado de Geologia, Honestino jamais separou formação acadêmica, cidadania e participação política. Ciência, universidade e compromisso com o país pertenciam, para ele, ao mesmo campo de responsabilidade.
A ditadura interrompeu brutalmente essa trajetória. Ao eliminar Honestino, o autoritarismo não atingiu apenas uma liderança estudantil. Sufocou também uma inteligência em formação, uma possibilidade de contribuição científica e uma geração que pretendia participar das decisões sobre o desenvolvimento brasileiro.
É nesse ponto que a história narrada em Honestino encontra uma ressonância particular na Amazônia.
Décadas depois, a região continua convivendo com sequelas de um modelo de desenvolvimento que, durante muito tempo, tratou ciência, território e população como dimensões separadas. Justamente onde o Brasil concentra alguns de seus ativos estratégicos mais importantes, a floresta, a biodiversidade, a água, os minerais críticos e as ocorrências de terras raras, ainda permanece enorme a distância entre possuir riqueza natural e produzir conhecimento, tecnologia e soberania a partir dela.
O debate sobre terras raras e minerais críticos torna essa contradição especialmente atual. Em um mundo reorganizado pela transição energética, pela eletrificação, pela indústria de semicondutores, pela inteligência artificial e pela disputa geopolítica por matérias-primas estratégicas, a Amazônia volta ao centro das atenções internacionais. A pergunta decisiva é o que faremos com essa centralidade.
A lembrança de Honestino ajuda a iluminar essa questão. Um país que sufoca sua universidade, desconfia da ciência ou reduz a participação política a uma ameaça acaba debilitando precisamente os instrumentos de que necessita para decidir soberanamente sobre suas riquezas.
Ao longo da conversa com Alfredo, retornamos várias vezes à necessidade de preservar essa ligação entre conhecimento, liberdade e cidadania. É também por isso que Honestino ultrapassa a homenagem a um jovem desaparecido pela ditadura. O filme recupera a memória de uma inteligência brasileira interrompida e a coloca diante de uma geração que terá de tomar decisões complexas sobre clima, tecnologia, energia, recursos minerais e desenvolvimento.
Para nós, amazônidas, a provocação ganha uma camada adicional. A floresta contém ativos que o mundo deseja e conhecimentos que o próprio Brasil ainda precisa desenvolver. Transformá-los em prosperidade, ciência e qualidade de vida exigirá universidades fortes, liberdade intelectual, instituições democráticas e capacidade de decidir sobre o território a partir dos interesses nacionais e amazônicos.
Certamente por isso Honestino continua tão contemporâneo.
O horror conseguiu interromper sua vida. Não conseguiu encerrar a pergunta que ela deixou ao país: que Brasil poderíamos construir se ciência, cidadania e política voltassem a caminhar juntas?
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Box separado
HONESTINO: cinema, memória e democracia
Longa de Aurélio Michiles revisita a trajetória de Honestino Guimarães, liderança estudantil perseguida e desaparecida durante a ditadura militar
Honestino, novo filme do cineasta amazonense Aurélio Michiles, chegou aos cinemas em 13 de agosto com uma proposta que ultrapassa a reconstrução biográfica. Ao recuperar a trajetória de Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, estudante de Geologia da Universidade de Brasília e uma das principais lideranças estudantis de sua geração, o longa recoloca em circulação um capítulo ainda aberto da história brasileira.
Preso diversas vezes por sua militância política, Honestino desapareceu em 1973, aos 26 anos, depois de ser capturado por agentes da repressão. Seu corpo jamais foi localizado.
Misturando documentário e ficção, Michiles reconstrói essa trajetória por meio de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, pesquisadores, políticos e antigos militantes. Entre os participantes estão Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa de Honestino. Bruno Gagliasso participa das sequências ficcionais.
O filme aproxima a história pessoal de Honestino de um período marcado por prisões arbitrárias, torturas, assassinatos, desaparecimentos e falsificação de versões oficiais. Sua trajetória se insere na mesma memória histórica de nomes como Rubens Paiva, José Carlos da Mata Machado e Vladimir Herzog, vítimas de diferentes mecanismos de repressão utilizados pelo Estado durante a ditadura.
Ao recuperar esse passado, o filme também alcança uma inquietação contemporânea. Em entrevista ao Brasil Amazônia Agora, Aurélio Michiles define Honestino como uma reação política ao reaparecimento de discursos autoritários no Brasil e no mundo.
“Não é um filme nostálgico. É um alerta”, afirma o diretor.
A escolha do personagem acrescenta outra dimensão ao longa. Honestino era estudante de Geologia e reunia formação acadêmica, militância estudantil e participação política numa mesma trajetória. Sua perseguição interrompeu também uma inteligência em formação, num país que ainda hoje procura conciliar ciência, democracia e desenvolvimento.
Premiado com o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, Honestino também integrou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos e recebeu premiação no Fest Aruanda.
Ficha técnica
- HONESTINO
Brasil, 2025 - Direção
Aurélio Michiles - Roteiro
Aurélio Michiles e André Finotti - Produção
Nilson Rodrigues / Mercado Filmes - Produção executiva
Caetano Curi - Participação
Bruno Gagliasso - Direção de fotografia
André Lorenz Michiles, ABC - Direção de arte
Kita Flórido - Figurino
Isabel Lorenz Michiles - Montagem
André Finotti - Supervisão de edição de som
Miriam Biderman, ABC - Desenho de som e mixagem
Ricardo Reis, ABC - Trilha sonora original
Flavia Tygel - Música-tema – intérprete
Fafá de Belém - Pesquisa de arquivo
Aurélio Michiles, Mariana Couto, Patricia Freyer e Tereza Eleutério - Distribuição
Pandora Filmes
Sinopse
Entre documentário e ficção, Honestino acompanha a trajetória de Honestino Guimarães, liderança estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da UnB. A partir de cartas, poemas, arquivos históricos, depoimentos e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso, o filme reconstrói a vida de um jovem perseguido pela ditadura e desaparecido em 1973, aos 26 anos.
Sobre Aurélio Michiles
AURÉLIO MICHILES, nasceu em Manaus-AM (1952). Cursou o Instituto de Artes e Arquitetura-UnB (1970/73). Na Escola de Artes Visuais, Parque Lage (77/78) cursa Artes Cênicas (Hélio Eichbauer, Rubens Gerchman, Lygia Pape). Desde os anos 80 atua na área de cinema e televisão. Trabalhou na FRM/TV Globo, TV Bandeirantes e SBT. Dirigiu diversos documentários para a TV Cultura – SP. Foi consagrado pelo longa-metragem “O Cineasta da Selva” (1997), que recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Em 2021 realizou o filme-doc: “Segredos do Putumayo” (2022), Prêmio APCA 2023; Prêmio Melhor Filme Sesc 2023; Melhor Filme Festival de Nice 2023 – Prix Du Public; Melhor Fotografia, ABC 2023; Menção Honrosa – É Tudo Verdade 2021; Melhor Filme X Kerry International Film Festival – Irlanda, 2023; Melhor Filme 8ª Festival Pan-Amazônico de Cinema – AMAZÔNIA FiDoc, 2022.