Estudo revela que, durante ondas de calor, compostos liberados por árvores reagem com poluentes urbanos e elevam os níveis de ozônio a patamares perigosos para a saúde.
Novas evidências científicas indicam que, durante ondas de calor, áreas arborizadas podem apresentar níveis elevados de poluentes atmosféricos, mesmo em regiões distantes de grandes centros urbanos. A conclusão é de um estudo conduzido pela Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos.
A pesquisa foi realizada no College Station, um campus universitário cercado por carvalhos e afastado de fontes diretas de poluição. Durante o mês de agosto de 2024, sensores atmosféricos registraram um aumento expressivo nos níveis de ozônio troposférico, um gás irritante para as vias respiratórias, em dias de temperatura elevada, variando entre 32 °C e 41 °C.

O fenômeno está relacionado à liberação de isopreno, um composto orgânico volátil emitido naturalmente por árvores. Embora ele não seja tóxico isolado, o isopreno reage com óxidos de nitrogênio (provenientes da queima de combustíveis fósseis) e com a luz solar, formando ozônio – que é prejudicial à saúde. O estudo mostrou que, mesmo com baixos índices de poluição veicular, essa combinação química foi suficiente para elevar os níveis de ozônio a patamares próximos do limite considerado seguro.
Segundo os pesquisadores, o cenário tende a se agravar com o avanço das ondas de calor associadas às mudanças climáticas. Isso representa um desafio adicional para a gestão da qualidade do ar, especialmente em áreas urbanizadas que combinam vegetação com tráfego veicular.
Para reduzir os riscos, os especialistas recomendam evitar atividades ao ar livre entre 12h e 16h, período em que as temperaturas e a concentração de ozônio costumam ser mais elevadas. Ambientes fechados com sistemas de ventilação ou filtros HEPA também são indicados para proteção individual.
A longo prazo, a mitigação das ondas de calor passa pela redução das emissões de gases poluentes e pela adoção de soluções baseadas na natureza. O estudo afirma que a arborização urbana segue sendo fundamental no enfrentamento das mudanças climáticas, desde que associada a políticas públicas de mobilidade sustentável e infraestrutura verde planejada.

