Apoiado pelo Idesam, projeto na RDS Mamirauá fortalece o manejo sustentável do pirarucu e amplia a renda de comunidades amazônicas.
Um projeto inovador está fortalecendo a cadeia produtiva do pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Ao combinar tecnologia, infraestrutura e estratégias de mercado, a iniciativa amplia a renda de comunidades ribeirinhas. O projeto é coordenado pelo Idesam e liderado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Além disso, ele conta com o apoio da Positivo Tecnologia por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública da Suframa também coordenada pelo Idesam.

O foco do projeto está na implantação de um sistema de rastreabilidade baseado em blockchain, que garante a procedência do pirarucu por meio do aplicativo Gygas, uma solução desenvolvida para funcionar mesmo em áreas de baixa conectividade.
Cada pirarucu recebe um QR Code único, apelidado de “CPF do pirarucu”, que registra todas as etapas do manejo, desde a captura até o consumidor final. A ferramenta substitui planilhas manuais, aumentando a segurança dos dados e facilitando a emissão de documentos legais exigidos pelo Ibama.
Com investimento de R$ 3,5 milhões, o projeto inclui a construção de um flutuante de pré-beneficiamento na comunidade Santa Luzia do Jussara, a criação da marca Gigantio e a conexão direta entre manejadores e o setor gastronômico por meio de um clube de assinatura. A pele do peixe também passa a ser aproveitada em peças de moda e design, agregando valor ao produto.
“As comunidades já possuem seus próprios sistemas de manejo, que são métodos tradicionais. Nosso papel foi traduzir isso em uma solução digital que respeita essa lógica, ao mesmo tempo em que facilita processos, gera mais segurança e valoriza o trabalho da comunidade”, afirma o desenvolvedor de tecnologia da FAS, Matheus Vinícius.

Ao todo, a ação beneficia diretamente 55 manejadores de três comunidades, Mangueira, Catiti e Jussara, com impacto estimado em 45 famílias e geração de 15 novos empregos. O modelo de manejo sustentável do pirarucu, referência internacional, responde por mais de 70% da produção no estado do Amazonas e é a principal fonte de renda das famílias na reserva.
O PPBio, que viabiliza o financiamento da iniciativa, direciona recursos da Lei de Informática para fomentar soluções sustentáveis e inovadoras na Amazônia. Coordenado pelo Idesam, o programa apoia projetos que impulsionam a bioeconomia como caminho para a conservação ambiental, geração de renda e valorização dos saberes locais.

