Julgamento sobre marco temporal de terras indígenas é retirado da pauta do STF

Análise da ação seria retomada no próximo dia 23; não há nova data prevista. Decisão foi tomada pelo ministro Luiz Fux, presidente do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) retirou da pauta do plenário o julgamento sobre o marco temporal para demarcação de terras indígenas. A decisão foi tomada pelo presidente do STF, Luiz Fux, e gerou o quarto adiamento consecutivo da ação, que estava marcada para ser votada no próximo dia 23. Não há data prevista para a retomada da análise pelo Supremo.

De acordo com a tese do “marco temporal”, os povos indígenas só teriam direito à terra se estivessem sobre sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. A tese é considerada injusta e perversa,  já que muitas etnias sofreram remoção forçada de suas terras originárias e outros tipos de violência antes e durante o período em que a Carta Magna brasileira foi promulgada. Atualmente, não existe marco temporal de ocupação para que uma terra seja demarcada.

O julgamento começou em meados de 2021 e até agora dois ministros votaram: Luiz Edson Fachin, relator do caso, se manifestou contrário ao marco; e o ministro Nunes Marques, que votou a favor. O julgamento foi interrompido depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu vistas.

Lideranças indígenas e organizações lamentaram o adiamento. “Essa decisão é  urgente pois dela depende o futuro da Demarcação das Terras Indígenas no Brasil. Não dá pra viver com tanta insegurança!”, disse a ativista indígena e deputada federal Sônia Guajajara, em sua conta no Twitter

O presidente Bolsonaro é favorável ao marco temporal. Em abril passado, ele declarou que vai desobedecer o STF, caso a Suprema Corte rejeite a tese.

“Vocês sabem que dentro do Supremo Tribunal Federal tem uma ação que está sendo levada avante pelo ministro Fachin [Edson Fachin] querendo um novo marco temporal. Se ele conseguir vitória nisso, me resta duas coisas: entregar as chaves para o Supremo ou falar que não vou cumprir! Não tenho alternativa”, disse Bolsonaro.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Petrobras identifica hidrocarbonetos na Foz do Amazonas, mas não confirma petróleo

Petrobras identifica hidrocarbonetos na Foz do Amazonas, mas resultado ainda não confirma petróleo, gás ou viabilidade comercial.

Plantas raras consideradas extintas são reencontradas em Minas Gerais por cientistas

Plantas raras são redescobertas em Minas Gerais após décadas sem registros e serão estudadas para reprodução e reintrodução na natureza.

Aurélio Michiles: “Honestino não é um filme nostálgico. É um alerta”

"Em entrevista ao Brasil Amazônia Agora, Aurélio Michiles define Honestino como...

O PNL 2050 e a logística da desigualdade

"PNL 2050 concentra os principais eixos rodoviários nas regiões...

Dom Hilário Moser, meu pai na fé

"Neste 15 de agosto, minha oração é de gratidão. Gratidão...