Segredos da Amazônia pré-histórica revelados por insetos em âmbar de 112 milhões de anos

Pesquisadores analisam fósseis de insetos em âmbar e revelam uma Amazônia pré-histórica marcada por espécies raras e pelo início da parceria entre plantas e insetos.

Cientistas anunciaram a descoberta de insetos pré-históricos preservados em âmbar pela primeira vez na América do Sul. Os fragmentos foram encontrados em uma pedreira de arenito no Equador, na borda da bacia amazônica, e datam de cerca de 112 milhões de anos, quando as plantas com flores começavam a se diversificar pelo planeta. O estudo, publicado na revista Communications Earth and Environment, abre uma nova janela para compreender a história da Amazônia pré-histórica.

Mosca de pernas longas fossilizada em âmbar do Cretáceo amplia conhecimento sobre a Amazônia pré-histórica
Mosca de pernas longas (família Dolichopodidae) preservada em âmbar do Cretáceo, descoberta no Equador. Foto: Mónica Solórzano-Kraemer/AP

Segundo Fabiany Herrera, curador de plantas fósseis do Field Museum de Chicago e coautor da pesquisa, os fósseis revelam um tipo de floresta muito diferente da atual. A análise mostra que a paisagem era formada por samambaias e coníferas, incluindo a rara Araucária-do-Chile, espécie que já não cresce na região amazônica.

Até então, quase todos os depósitos de âmbar conhecidos dos últimos 130 milhões de anos haviam sido encontrados no Hemisfério Norte. A ausência de registros significativos no sul sempre intrigou especialistas. Para David Grimaldi, entomólogo do Museu Americano de História Natural, a descoberta ajuda a preencher essa lacuna.

Fóssil de folha de samambaia do Cretáceo encontrado no Equador mostra vegetação da Amazônia pré-histórica.
Fóssil de folha de samambaia do período Cretáceo encontrado em pedreira no Equador. Foto: Fabiany Herrera/AP.

Os pesquisadores identificaram besouros, moscas, formigas, vespas, pólen e folhas de árvores nos fragmentos de âmbar. O material foi localizado graças ao trabalho do geólogo Carlos Jaramillo, do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais, que ouviu falar da existência do âmbar na pedreira Genoveva há cerca de uma década e decidiu investigar.

O achado é considerado crucial para compreender a evolução das interações entre plantas com flores e insetos em plena era dos dinossauros. O âmbar conserva materiais muito pequenos e, para Ricardo Pérez-de la Fuente, paleoentomólogo do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, os fragmentos são como “pequenas janelas para o passado”.

Pesquisadores pretendem continuar analisando os fósseis para reconstruir a biodiversidade do período Cretáceo e entender como as primeiras relações entre plantas e insetos se consolidaram. O avanço promete revelar detalhes inéditos sobre a Amazônia pré-histórica, mostrando como a região já desempenhava um papel central na evolução da vida muito antes de se tornar a maior floresta tropical do planeta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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