Pesquisa científica indica que o calor extremo rompe o equilíbrio ecológico e favorece parasitas, triplicando as infecções na borboleta-monarca nos últimos 20 anos.
A frequência de infecções parasitárias em populações de borboleta-monarca triplicou nos últimos 20 anos, e pesquisadores apontam que o aumento das temperaturas médias pode estar por trás desse cenário preocupante. Segundo estudo da Universidade da Geórgia (EUA), o calor extremo está comprometendo tanto a imunidade das borboletas quanto o efeito medicinal das plantas das quais elas se alimentam.
As monarcas, conhecidas por sua migração de até 4 mil quilômetros entre o Canadá e o México, dependem das plantas do gênero Asclepias (também chamadas de erva-leiteira) como principal fonte alimentar. Essas plantas produzem toxinas que, em tese, ajudariam a conter a proliferação do parasita Ophryocystis elektroscirrha, conhecido desde os anos 1960 por causar deformações, perda de peso e diminuição da longevidade dos insetos. No entanto, o estudo revela que, sob temperaturas mais elevadas, esse efeito protetor desaparece, deixando a borboleta-monarca ainda mais vulnerável.
As análises indicaram que as borboletas expostas ao calor apresentaram uma queda de 22% na tolerância às infecções. A expectativa era que temperaturas altas reduzissem a atividade dos parasitas e amplificassem os efeitos das toxinas das asclepias, mas o oposto ocorreu.
As toxinas, em níveis mais altos, podem prejudicar o desenvolvimento das borboletas e, por vezes, são excretadas antes de cumprirem seu papel de defesa. “Acho que isso pode significar que um mundo mais quente pode ser um mundo mais inóspito para essas borboletas”, afirmou a pesquisadora Sonia Altizer, principal autora do estudo.
Atualmente, a borboleta-monarca é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os novos dados reforçam a necessidade de estratégias urgentes para proteger a espécie frente à intensificação das mudanças climáticas.