Consumo de água por data centers de IA pode chegar a 18 milhões de litros por dia

O avanço dos data centers, impulsionado pela expansão da inteligência artificial, ameaça ecossistemas e agrava crises hídricas com o uso intensivo e a perda de água.

Com o avanço acelerado da inteligência artificial, cresce também a necessidade de infraestrutura. Um dos pilares dessa expansão são os data centers, instalações que hospedam servidores e processam grandes volumes de dados. Embora muitas vezes invisíveis ao público, essas estruturas têm um impacto ambiental crescente, principalmente no consumo de água e energia.

Além de gastarem energia em larga escala, data centers consomem volumes expressivos de água para evitar o superaquecimento dos servidores. Uma analogia utilizada para explicar os data centers é a do “canudo gigante”, instalações de grande porte podem usar até 5 milhões de galões de água por dia, o equivalente a mais de 18 milhões de litros. 

Interior de um dos data centers do Google.
Interior de um dos data centers do Google, infraestrutura funciona como um megacomputador e exige grandes quantidades de água para resfriamento. Foto: Google.

A refrigeração dos servidores é o principal motivo desse consumo elevado. Nos sistemas mais comuns, a água circula por tubulações, absorve o calor e evapora em torres de resfriamento, exigindo reposição constante. Em regiões com escassez hídrica, opta-se por sistemas fechados e a ar, que reduzem o uso de água, mas consomem muito mais eletricidade.

Segundo pesquisadores da Universidade Cornell, se o crescimento da IA mantiver o ritmo atual, o consumo de água por data centers pode chegar a 1,125 bilhão de metros cúbicos anuais até 2030, o equivalente a cerca de 450 mil piscinas olímpicas.

Nos Estados Unidos, país com mais de 3 mil data centers, o impacto já é sentido em pequenas cidades, onde o uso de água pelos centros de dados tem provocado tensões entre moradores e grandes empresas de tecnologia. Além do impacto ambiental sobre ecossistemas e o risco de agravo de crises hídricas. 

O ponto central da discussão está na chamada “água consumida”,  aquela retirada dos sistemas locais de abastecimento e perdida por evaporação, sem retorno à fonte. Mesmo pequenas interações com a inteligência artificial geram esse impacto. 

Quanta água é consumida em uma pergunta ao ChatGPT? 

Uma pesquisa na Califórnia indicou que gerar 100 palavras no ChatGPT consome, em média, 519 ml de água, ou seja, uma garrafa de água. Se 10% da força de trabalho dos EUA utilizasse o sistema semanalmente, o gasto anual seria suficiente para abastecer por um dia e meio todas as casas do estado de Rhode Island. Estima-se que o gasto de água para gerar imagens seja 30 vezes maior que o exigido para textos. 

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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