Pela primeira a “respiração das plantas” é vista em tempo real, entenda os benefícios à agricultura

Com infecções em plantas triplicando nas últimas duas décadas, observar a sua “respiração” ao vivo pode antecipar riscos, melhorar cultivos e ampliar a resposta a mudanças climáticas.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta inovadora que permite, pela primeira vez, observar o processo de respiração das plantas em tempo real. O dispositivo, batizado de Stomata In-Sight, oferece uma combinação inédita entre imagem e medição: ele funciona como um microscópio capaz de visualizar os estômatos, pequenas aberturas nas folhas, enquanto mede simultaneamente as trocas gasosas com o ambiente.

Plantação com vegetação verde sob luz do sol, ilustrando o ciclo de respiração das plantas.
Foto: Tom Fisk/Pexels.

Esses poros microscópicos atuam como válvulas que se abrem e fecham conforme a necessidade da planta. É por meio dos estômatos que o dióxido de carbono (CO₂) entra para alimentar a fotossíntese e que o oxigênio e o vapor de água são liberados de volta para a atmosfera. Por exercerem essa função de filtragem natural, as plantas desempenham um papel essencial na regulação climática e na absorção de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis como petróleo e carvão.

Até agora, os cientistas precisavam escolher entre ver os estômatos ou medir sua função, nunca as duas coisas ao mesmo tempo. Métodos tradicionais, como impressões de folhas ou o uso de microscópios ópticos simples, forneciam apenas uma fotografia estática ou não acompanhavam as condições ambientais em que as plantas estavam inseridas.

A nova tecnologia permite acompanhar como essas estruturas reagem dinamicamente à luz, temperatura, umidade e concentração de CO₂. Isso abre caminho para avanços significativos em áreas como agricultura de precisão, uso eficiente da água, produção de biocombustíveis e desenvolvimento de materiais de base biológica, além de contribuir para entender melhor como as plantas respondem ao estresse ambiental causado pelas mudanças climáticas.

O estudo foi publicado na revista Plant Physiology e, segundo os autores, representa um marco para entender melhor o papel fisiológico das plantas diante de um clima em constante mudança.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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