Conheça espécies da biodiversidade da Amazônia com potencial para transformar a bioeconomia da saúde

Da unha-de-gato ao camu-camu, conheça 30 espécies da farmacopeia amazônica que muitos nem imaginam ser da floresta, mas já despontam como aliadas da bioeconomia da saúde.

A Amazônia é um dos maiores repositórios de espécies medicinais do planeta. Muitas plantas e frutos usados há séculos por povos indígenas e comunidades ribeirinhas começam agora a ser estudados pela ciência como fontes de princípios ativos valiosos para medicamentos, cosméticos e suplementos. Conheça 30 espécies emblemáticas da farmacopeia amazônica que unem tradição e ciência na bioeconomia da saúde e atestam o valor da biodiversidade da Amazônia. 

Andiroba (Carapa guianensis)

Das sementes da andiroba é extraído um óleo amargo muito conhecido na medicina popular amazônica, usado como anti-inflamatório, cicatrizante e repelente natural. Povos indígenas aplicam o óleo em massagens contra dores musculares e reumatismo. Pesquisas modernas comprovam a presença de grupos químicos com propriedades terapêuticas. Hoje, é um dos principais insumos da bioeconomia da floresta, presente em fitoterápicos e cosméticos.

Imagem de Andiroba
Andiroba (Carapa guianensis)
Foto-©-Sebastien Sant. https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0

Copaíba (Copaifera spp.)

Chamado de “antibiótico da floresta”, o óleo de copaíba é retirado diretamente do tronco da árvore e utilizado há séculos para tratar feridas, infecções e problemas respiratórios. A tradição indígena o reconhece como remédio versátil e estudos confirmam sua ação antimicrobiana e anti-inflamatória. Atualmente, já é incorporado em produtos farmacêuticos e dermatológicos, sendo um dos óleos mais promissores da Amazônia.

Copaíba (Copaifera spp.)
foto: Frutos Atrativos do Cerrado

Jaborandi (Pilocarpus microphyllus)

Utilizado tradicionalmente em chás e infusões para estimular a salivação, o jaborandi é fonte natural da pilocarpina, alcaloide usado mundialmente no tratamento de glaucoma e xerostomia. Povos amazônicos já reconheciam seus efeitos sobre os olhos e as mucosas muito antes da ciência isolá-lo. Hoje, é cultivado de forma controlada para a produção de fitomedicamentos, sendo exemplo de como a biodiversidade amazônica gera inovação farmacêutica.

Imagem de Jaborandi. 
Jaborandi (Pilocarpus microphyllus)
Foto Eduardo Luis Hettwer/ GiehlFlora Digital.

Unha-de-gato (Uncaria tomentosa)

Trepa-floresta de uso difundido na medicina popular, a unha-de-gato é preparada em chás ou extratos para dores articulares, inflamações e fortalecimento da imunidade. Estudos científicos identificaram alcaloides com potencial imunomodulador e anti-inflamatório, que vêm sendo investigados em terapias para artrite, doenças crônicas e até como coadjuvante no combate ao câncer. Seu uso crescente no mercado internacional reforça a importância de pesquisas sobre segurança e eficácia.

Unha-de-gato (Uncaria tomentosa)
Unha de gato. Foto Vangeliq.petrovaCC BY-SA 4.0Wikimedia Commons

Guaraná (Paullinia cupana)

Cultivado há séculos pelos povos Sateré-Mawé, o guaraná é usado como estimulante natural em rituais e no dia a dia. Rico em cafeína e antioxidantes, ajuda a combater a fadiga e melhorar a concentração. Atualmente, é a base de uma cadeia produtiva consolidada, presente em bebidas energéticas, suplementos e pesquisas sobre metabolismo.

Guaraná (Paullinia cupana)
Guaraná – foto: National Geographic

Açaí (Euterpe oleracea)

Mais conhecido como alimento energético, o açaí também integra a farmacopeia popular pela sua ação fortalecedora. Estudos científicos destacam seus efeitos antioxidantes e cardioprotetores, tornando-o insumo promissor para nutracêuticos e cosméticos.

Açaí (Euterpe oleracea)
Foto: Carolina NegriGetty Images

Camu-camu (Myrciaria dubia)

Considerado uma das maiores fontes de vitamina C do mundo, o camu-camu é consumido tradicionalmente para prevenir gripes e resfriados. Além do uso popular, pesquisas destacam sua ação antioxidante e de fortalecimento do sistema imunológico, reforçando seu valor para suplementos e produtos de saúde preventiva.

Camu-camu (Myrciaria dubia)
Foto: Iamaní Chás Funcionais.

Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa)

Símbolo da Amazônia, a castanha é valorizada pela alta concentração de selênio, mineral essencial com ação antioxidante e imunológica. Povos amazônicos a utilizam como fonte de energia. A ciência demonstra seus efeitos protetores contra doenças cardiovasculares, sua cadeia produtiva já sustenta comunidades inteiras, unindo conservação e bioeconomia.

Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa)
Foto: dlestudioGetty Images

Boldo-amazônico (Plectranthus barbatus)

Utilizado em chás digestivos, o boldo-amazônico é tradicionalmente usado para cólicas e problemas hepáticos. A ciência isolou dele compostos como o forskolin, estudado por seus efeitos na pressão arterial e no metabolismo. Apesar de não ser nativo da Amazônia, tendo sido trazido de outras regiões, ele foi tão bem incorporado à cultura local que se tornou uma das espécies mais conhecidas quando o assunto é saúde digestiva na região.

Boldo-amazônico (Plectranthus barbatus)
Foto: Cristina Braga.

Jatobá (Hymenaea courbaril)

A casca do jatobá é usada em chás populares contra tosses e como tônico para fortalecer o corpo, seu látex também é aplicado no tratamento de problemas respiratórios. Além disso, ela é uma árvore sagrada para diversos povos indígenas. Estudos científicos apontam ação antimicrobiana e expectorante, sendo essa árvore de grande porte importante para a medicina e para a cultura local.

Jatobá (Hymenaea courbaril)
Foto: mauro halpernCC BY 2.0Flickr

Murici (Byrsonima crassifolia)

Tradicionalmente usado em infusões contra diarreia e como fortificante, o murici é um fruto de polpa rica em compostos fenólicos, responsáveis por ação antioxidante e anti-inflamatória. Essas características tem atraído atenção da ciência pela possibilidade de uso em nutracêuticos, cosméticos e outros produtos para a saúde e bem-estar.

Murici (Byrsonima crassifolia)
Foto: Getty Images

Buriti (Mauritia flexuosa)

Chamado de “árvore da vida” em algumas comunidades, o buriti é fonte de óleo rico em carotenoides, utilizado para proteger a pele e os olhos. Povos amazônicos o empregam em banhos e unguentos. A ciência comprova que além de combater radicais livres, o buriti também ajuda a proteger contra a radiação UV – embora não substitua o protetor solar.

Buriti (Mauritia flexuosa)
foto: Bento Viana

Murumuru (Astrocaryum murumuru)

Das sementes do murumuru é extraída uma manteiga usada tradicionalmente para hidratar pele e cabelos. Além do valor cosmético já consolidado, estudos apontam propriedades anti-inflamatórias, sendo de interesse também para a fitoterapia. O murumuru é um exemplo da bioeconomia na Amazônia, com uma cadeia produtiva que envolve comunidades locais, valoriza o produto e incentiva a conservação da floresta.

Murumuru (Astrocaryum murumuru)
Foto: Natura

Uxi-amarelo (Endopleura uchi)

A casca do uxi é usada em chás populares para problemas ginecológicos, inflamações e gastrite. Pesquisas científicas investigam compostos fenólicos com ação anti-inflamatória e antioxidante que mostram o potencial da espécie como fitoterápico.

Uxi-amarelo (Endopleura uchi)
Foto: Freerange/ StockPexels

Quina (Cinchona spp.)

Essa árvore é conhecida mundialmente por ser a fonte da quinina, a história da quina é um exemplo famoso de como os saberes dos povos andinos, que usavam a casca da árvore para tratar febres, levou a uma das mais importantes descobertas farmacêuticas. Embora ela tenha sido substituída por medicamentos mais eficazes no tratamento da malária, a quinina continua sendo estudada pela ciência por ter compostos que podem ter outros usos terapêuticos. Foi também por sínteses químicas de compostos da quina que se desenvolveu a cloroquina.

Quina (Cinchona spp.)
Foto: Getty Images

Tucumã (Astrocaryum vulgare)

O tucumã é consumido tradicionalmente como alimento energético, mas também usado para fortalecer pele e cabelos. Rico em carotenoides e ácidos graxos, é estudado por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.

Tucuma Foto P. S. Sena
foto: P.S. Sena

Amapá-doce (Parahancornia amapa)

O látex do amapá-doce é tomado em pequenas doses para tratar gastrite, úlceras, problemas respiratórios, inflamações e também como cicatrizante. Na medicina popular, é usado em tônicos para fraqueza, especialmente por mulheres após o parto. Povos tradicionais valorizam seu efeito calmante e estudos iniciais indicam propriedades gastroprotetoras.

Amapá-doce (Parahancornia amapa)

Amapá-amargo (Parahancornia fasciculata)

Diferente do amapá-doce, seu látex é mais amargo, ele também é usado contra problemas gástricos e hepáticos. Estudos apontam potenciais efeitos protetores sobre a mucosa do estômago.

Amapá-amargo (Parahancornia fasciculata)
O látex do amapazeiro pode ser doce ou amargo — tudo depende da espécie. O amapá-doce (Parahancornia amapa) é usado como tônico natural, enquanto o amapá-amargo (Parahancornia fasciculata) tem sabor forte e uso mais restrito. Ambos fazem parte da farmacopeia amazônica. Foto: Rafael Aleixo/Setec.

Pariparoba (Pothomorphe umbellata)

Com folhas aromáticas, a pariparoba é usada popularmente em infusões contra inflamações e problemas no fígado. A ciência identificou compostos fenólicos com ação antioxidante, antimicrobiana e protetora da pele, que podem ser usados para proteger a pele contra danos e auxiliar na cicatrização. 

Pariparoba (Pothomorphe umbellata)
Foto: JAG Images/Adobe Stock.

Sucupira (Pterodon emarginatus)

As sementes da sucupira são usadas em garrafadas e chás contra dores articulares e reumatismo. Estudos modernos confirmam propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, a planta já começa a aparecer em formulações fitoterápicas.

Sucupira (Pterodon emarginatus)
Foto: Fábrica de Produtos Naturais

Bacaba (Oenocarpus bacaba)

O vinho de bacaba é uma bebida espessa feita a partir da polpa da fruta e é, tradicionalmente, consumido por comunidades amazônicas como fonte energética e nutritiva. Rica em compostos fenólicos, a bacaba é estudada por potenciais efeitos antioxidantes e cardioprotetores.

Bacaba (Oenocarpus bacaba)
Foto: Adobe Stock.

Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus)

Apesar de não ser nativo da Amazônia, o ipê-roxo também ocorre na região. A casca do ipê-roxo é usada na medicina popular como anti-inflamatório e no combate a infecções. Compostos como o lapachol são estudados por propriedades antimicrobianas e antitumorais, embora seu uso precise de cautela, porque pode ser tóxico em altas concentrações.

Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus)
Foto: Jeito de Casa.

Cumaru (Dipteryx odorata)

As sementes do cumaru, conhecidas como fava tonka, são usadas como tônico e expectorante na medicina popular. Contêm cumarinas, compostos de interesse farmacológico. Em medicamentos, ela tem efeito anticoagulante em doses controladas. Por seu aroma agradável a cumarina também é usada na perfumaria, embora em altas doses possa ser tóxica.

Cumaru (Dipteryx odorata)
Foto: Mecredis/Fred Benson

Cipó-cravo (Tynanthus panurensis)

De aroma intenso semelhante ao cravo, o cipó-cravo é usado em infusões como digestivo e analgésico. Comunidades amazônicas o utilizam em rituais e preparos caseiros, enquanto pesquisas preliminares sugerem efeitos antioxidantes, com grande potencial farmacêutico.

Cipó-cravo (Tynanthus panurensis)
Foto: © Ricardo da Silva Ribeiro. CC-BY-NC 4.0.

Iporuru (Alchornea castaneifolia)

Espécie nativa da Amazônia, é um arbusto muito valorizado como anti-inflamatório natural. O ipururu é usado em chás para dores musculares, reumatismo e problemas de circulação. Seus extratos estão sendo investigados por potenciais ações de fortalecimento do sistema imunológico e anti-inflamatórias, com significativo valor terapêutico.

Iporuru (Alchornea castaneifolia)
Foto: Herba Peru

Chambá (Justicia pectoralis)

Planta aromática usada em infusões para dor de cabeça, ansiedade e insônia, também conhecida como “chambá”. Contém cumarinas e alcaloides estudados por ação relaxante e analgésica.

Chambá (Justicia pectoralis)
Foto: Hortodidático de Plantas Medicinais UFSC.

Marapuama (Ptychopetalum olacoides)

Conhecida como “viagra da Amazônia”, a marapuama é usada tradicionalmente como afrodisíaco e estimulante físico e mental. O chá ou extrato da planta é usado na medicina popular para aumentar a libido e combater a fadiga física e mental. Pesquisas indicam a presença de compostos que podem atuar no sistema nervoso e vascular, seus efeitos sobre memória, fadiga e desempenho sexual têm sido investigados. 

Marapuama (Ptychopetalum olacoides)
Foto: Tua Saúde.

Castanha-de-caju (Anacardium occidentale)

Além do seu valor nutricional, o pseudofruto e a casca do cajueiro são usados em preparos medicinais populares contra inflamações e infecções. A ciência destaca compostos antioxidantes e antimicrobianos presentes na planta.

Castanha-de-caju (Anacardium occidentale)
Foto: SunnySun/Pixabay

Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)

Além de ser um ingrediente muito presente na culinária amazônica, o cupuaçu é usado na medicina popular como energético e fortificante. A polpa do fruto é consumida contra fraqueza e fadiga. A ciência confirma a presença de polifenóis com ação antioxidante e protetora da pele, fazendo da manteiga de cupuaçu um insumo importante na indústria cosmética.

Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)
Foto: Leila Melhado/ Getty Images

Cacau (Theobroma cacao)

Base do chocolate, o cacau também é reconhecido na farmacopeia por seus flavonoides, que promovem vasodilatação e proteção cardiovascular. Povos da Amazônia já o utilizavam em bebidas rituais como fonte de energia, tradição que encontra eco nas descobertas da ciência moderna.

Cacau (Theobroma cacao)
Foto: Narong27/Canva.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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