Editorial BAA: desenvolvimento não se sustenta em retrocessos ambientais

“O Brasil Amazônia Agora reafirma que a prosperidade do Amazonas depende da floresta em pé e da economia sustentável, em oposição a retrocessos ambientais que ameaçam o futuro.”

Considerações Técnica sobre o Decreto nº 52.216/2025 e os Riscos à Segurança Jurídica e Ambiental do Amazonas

O BrasilAmazôniaAgora entende que a prosperidade da região depende da indissociável relação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Isso foi estabelecido pelo Decreto 288/67, mantido na Constituição do Brasil através da Reforma Tributária de dezembro de 2023.

O Decreto nº 52.216/2025, recentemente publicado pelo Governo do Amazonas, reduziu de 80% para até 50% a exigência de Reserva Legal em propriedades rurais sob determinadas condições. Embora apresentado como instrumento de gestão territorial, o decreto suscita graves preocupações constitucionais, jurídicas e econômicas que precisam ser enfrentadas com clareza.

Compromisso Constitucional e Legal

A Constituição Federal (art. 225) assegura a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e atribui ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo.

O Código Florestal Federal (Lei nº 12.651/2012) estabelece parâmetros rigorosos para a Reserva Legal na Amazônia Legal, fixando o mínimo de 80% das áreas em imóveis rurais. Embora existam exceções previstas, estas foram concebidas em contexto técnico e restritivo, jamais como instrumento de regularização de desmatamentos ou de flexibilização generalizada.

O Decreto nº 52.216/2025 ultrapassa esse limite ao criar brechas para reduzir a proteção de áreas sensíveis sem garantir salvaguardas institucionais adequadas. Tal iniciativa pode ser considerada inconstitucional e incompatível com o princípio da vedação ao retrocesso ambiental.

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Impacto Econômico e Industrial

O Amazonas é sustentado por um modelo econômico singular: a Zona Franca de Manaus (ZFM). Este regime fiscal não é uma concessão gratuita, mas um pacto federativo que tem como contrapartida a geração de empregos, arrecadação tributária e a preservação da floresta em pé.

Hoje, a indústria responde por mais de 85% da economia estadual. A segurança jurídica é a base desse arranjo: investidores e parceiros nacionais e internacionais confiam na estabilidade legal para manter e expandir suas operações.

Ao fragilizar a legislação ambiental por meio de decreto, o Estado mina a credibilidade de um modelo reconhecido pelo Congresso Nacional, expondo-se a críticas de opositores da ZFM, que poderão alegar — com força e coerência — que o Amazonas usufrui de benefícios fiscais ao mesmo tempo em que enfraquece sua própria matriz ambiental.

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Foto divulgação

Riscos Institucionais e de Governança

  • • Regularização de desmatamentos ilegais: o decreto cria incentivos perversos ao legitimar infrações passadas.
  • • Fragilidade no CAR (Cadastro Ambiental Rural): baseado em autodeclaração, o sistema pode ser manipulado para ampliar a redução de reservas.
  • • Inclusão de APAs como Unidades de Conservação: medida questionável que enfraquece a proteção real da biodiversidade.
  • • Precedente de insegurança jurídica: ao flexibilizar normas federais, o decreto abre caminho para contestações judiciais e conflitos institucionais.

Caminho Diplomático e Responsável

O Brasil Amazônia Agora defende que desenvolvimento e floresta em pé não são antagônicos. Ao contrário, representam a única via possível para o futuro da Amazônia e do Brasil. Para isso, é urgente:

  • • Revisar o decreto, ajustando-o à Constituição e ao Código Florestal;
  • • Garantir transparência e auditoria técnica em processos de redução da Reserva Legal;
  • • Excluir APAs do cômputo como unidades de conservação válidas para flexibilização;
  • • Reafirmar o compromisso do Amazonas com a Zona Franca como instrumento de sustentabilidade, e não de fragilização institucional.

Portanto,

O decreto, na forma em que foi editado, contraria os princípios constitucionais, compromete a segurança jurídica e fragiliza a credibilidade do modelo de desenvolvimento do Amazonas. É fundamental que o Estado alinhe sua política de uso da terra à estratégia de preservação que legitima a Zona Franca de Manaus perante o Brasil e o mundo.

O Brasil Amazônia Agora reitera sua convicção: a prosperidade do Amazonas está indissociavelmente ligada à proteção da floresta em pé e ao fortalecimento da economia legal, produtiva e sustentável

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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