Novas iniciativas buscam lidar com escassez de água na América Latina

Uma das características desses fundos é a ação conjunta de instituições públicas, privadas, da sociedade civil e acadêmicas em prol do combate a escassez de água

O Brasil, atualmente, vive sua pior seca em 70 anos: dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que, em agosto, 71% das cidades brasileiras estavam vivendo algum grau de seca, o que corresponde um total de 3.978 municípios, 232 deles em seca severa. A situação é grave, mas uma iniciativa pretende enfrentar o desafio de aliviar a escassez de água não só no Brasil, mas em toda a América Latina.

A proposta consiste na instituição de fundos de água, que funcionam como uma parceria público-privada com a ação conjunta de diferentes atores: instituições públicas, privadas, da sociedade civil e acadêmicas, entre outras. “Os fundos de água são mecanismos de ação coletiva que envolvem diferentes setores da sociedade na proteção e no gerenciamento sustentável das bacias hidrográficas”, diz Mauro De la Vega, diretor do Fundo Uruguaio da Água, em entrevista à DW.

“Os desafios da água na América Latina são enormes e complexos. A região está enfrentando uma pressão crescente sobre seus recursos hídricos, devido às mudanças climáticas, ao crescimento populacional, à urbanização e à poluição”, completa.”Países como México, Peru e Chile são particularmente afetados”, afirma.

Iniciativa tenta aliviar escassez de água na América Latina
Iniciativa tenta aliviar escassez de água na América Latina | Foto: zirconicusso/Freepik

Hoje, já existem 26 fundos distribuídos em 11 países do continente. Eles se agrupam na chamada Aliança Latino-Americana de Fundos de Água, que recebeu o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outras organizações de financiamento.

A relevância dos fundos na escassez de água

Segundo a Aliança Latino-Americana de Fundos de Água, em seu vídeo de apresentação, 30% da água adequada para consumo humano é encontrada na América Latina. No entanto, 160 milhões de pessoas não têm água na região.

“Os mais afetados são sempre as populações mais pobres, crianças e mulheres: sua vulnerabilidade os expõe a sofrer diretamente”, completa Manuel Guerrero, secretário técnico do Fundo de Água da Costa Rica, Agua Tica.

O fundo de água fornece informações científicas para a identificação e a priorização dos desafios a serem resolvidos em relação à escassez, de modo que a tomada de decisões seja baseada na ciência e incorpore as diferentes visões e possíveis soluções para melhor contribuir com a segurança hídrica das cidades. Uma vez identificadas as principais partes interessadas para a boa gestão da água em uma bacia, o fundo de água se aproxima delas e gera as condições necessárias para o diálogo, às vezes atuando como uma ponte entre os diferentes setores.

“Embora haja uma conscientização crescente sobre a gravidade da situação, ainda há muito a ser feito”, diz De la Vega. “Em alguns setores, especialmente entre jovens e comunidades afetadas, a conscientização é alta. Entretanto, ela precisa ser traduzida em ações concretas por todos os atores da sociedade”, afirma.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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