Por que chegou a hora de cuidar de nós? – Entrevista com Nelson Azevedo

Nelson Azevedo: Durante muito tempo nossa preocupação foi convencer o Brasil de que a Amazônia importa. E ela importa mesmo. Mas percebemos que, enquanto explicávamos quem somos para os outros, deixávamos de discutir entre nós o que queremos ser. Chegou a hora de fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Nelson Azevedo: Todo mundo. A indústria, o comércio, o setor de serviços, a academia, os povos indígenas, os ribeirinhos, os produtores rurais, os governos e a sociedade. A Amazônia não cabe dentro de um único setor. Se cada um continuar falando apenas para si, continuaremos desperdiçando oportunidades.

Nelson Azevedo
 (Foto: Fernando Martinho)

Nelson Azevedo: Infelizmente, sim. Temos excelentes instituições, pesquisadores, empresas e lideranças. Mas ainda trabalhamos pouco em rede. O desenvolvimento acontece quando essas competências começam a conversar entre si.

Nelson Azevedo: Exatamente. É produzir riqueza com distribuição de oportunidades. O crescimento precisa alcançar mais pessoas e mais municípios.

Nelson Azevedo:Sem dúvida. Não existe Amazônia forte com um interior frágil. Manaus continuará sendo um grande polo industrial, mas precisamos fazer com que conhecimento, inovação, investimentos e oportunidades circulem por toda a região.

Nelson Azevedo: Diversificar é importante. Mas adensar significa fortalecer o que já fazemos bem. Produzir mais componentes aqui. Desenvolver fornecedores locais. Agregar tecnologia. Fazer pesquisa. Industrializar mais etapas da cadeia produtiva. Isso gera empregos melhores e aumenta nossa competitividade.

cientistas laboratorio bioeconomia cultivo vertical.jpg

Nelson Azevedo: Não. Precisamos construir um ecossistema industrial mais completo. Quanto mais cadeias produtivas estiverem conectadas dentro da Amazônia, maior será nossa capacidade de crescer de forma sustentável.

PIM Polo Industrial de Manaus Zona Franca de Manaus ZFM Industria Foto Divulgacao Secom 2
Polo industrial de Manaus

Nelson Azevedo: Ela amplia esse horizonte. A indústria da floresta pode caminhar junto com a indústria instalada. Não existe conflito obrigatório entre elas. Existe complementaridade.

Nelson Azevedo: Nunca concordei. A experiência da Zona Franca mostra justamente o contrário. Produzir emprego e renda em Manaus ajudou a reduzir pressões sobre grande parte da floresta. Agora precisamos ampliar essa lógica para novas atividades econômicas.

Nelson Azevedo: Significa compreender que a Amazônia é diversa demais para caber numa única fórmula. Cada município tem vocações próprias. O importante é que todos façam parte de um mesmo projeto regional.

Nelson Azevedo: Existem muitas iniciativas importantes. O que ainda falta é conectá-las. A Amazônia precisa pensar mais como sistema e menos como projetos isolados.

WhatsApp Image 2026 08 04 at 19.54.30
Nelson é economista, empresário e presidente do SIMMMEM – Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e da CNI e vice presidente da FIEAM.

Nelson Azevedo: Porque nenhuma região se desenvolve apenas com estradas, portos ou energia. Hoje também precisamos de universidades fortes, centros de pesquisa, inovação tecnológica e formação de pessoas.

Nelson Azevedo: Ela pode ajudar muito. Mas não fará isso sozinha. Desenvolvimento é sempre uma construção coletiva.

Nelson Azevedo: Não esperem que alguém venha desenhar o futuro da Amazônia. Esse futuro será construído por quem vive aqui, conhece seus desafios e acredita em suas potencialidades.

Nelson Azevedo: Muito pelo contrário. Quem conhece melhor a si mesmo dialoga melhor com os outros. Queremos uma Amazônia integrada ao Brasil e ao mundo, mas consciente do seu próprio valor, da sua diversidade e da responsabilidade que tem na construção de um desenvolvimento capaz de gerar prosperidade para quem vive aqui.

Artigos Relacionados

Resultado das eleições pode comprometer proteção da Amazônia, alerta relatório

Estudo aponta que avanços contra o desmatamento na Amazônia dependem da continuidade das políticas ambientais e alerta para riscos após as eleições.

Transição energética exige ampliar renováveis em mais de 7 vezes para manter meta de 1,5°C ao alcance

Transição energética exige mais de 7 vezes a capacidade renovável até 2050 para manter meta de 1,5°C ao alcance, aponta IRENA.

Incêndios no Amazonas levam União a reconhecer emergência em 36 municípios 

Incêndios no Amazonas levantam suspeita de ação criminosa em áreas preservadas. União reconhece emergência em 36 municípios.

O futuro de duas rodas supõe uma contrapartida pública

Aos 50 anos da Abraciclo, os empregos, a produção e os cuidados com a segurança viária mostram a dimensão de uma indústria que sustenta oportunidades na Amazônia. Cabe ao poder público transformar parte da riqueza arrecadada em educação, pesquisa e desenvolvimento regional.