Cultivando café regenerativo na Amazônia com o Idesam

O projeto Café Apuí Agroflorestal apoia o reflorestamento de uma das regiões mais desmatadas do Brasil, o Sul do estado do Amazonas, com a criação de um negócio comercialmente viável de café regenerativo com 30 agricultores locais (com o potencial de expansão para 200 agricultores).

O Idesam, ONG brasileira da região amazônica, está plantando árvores em cafezais aumentando sua produtividade e melhorando a qualidade de vida e evitando mais desmatamento na área. O projeto de café agroflorestal teve início há 8 anos e tem rendido frutos expressivos em termos de geração de renda, redução do desmatamento e restauro de áreas degradadas na região.

O sucesso do projeto é destaque em diversos veículos de comunicação, tanto nacional (Estadão, Folha de São Paulo, Valor Econômico, Revista Exame etc), quanto internacionalmente, com a Declaração de Nova Iorque sobre Florestas (New York Declaration on Forests, em inglês), criando oportunidades para o aumento da escala e conquista de sustentabilidade financeira no longo prazo.

Com a reNature e parceiros locais, como Fundo Vale, iCS e WWF, o plano agora é aperfeiçoar o modelo já existente, implementar um centro educacional para a capacitação local, abrir novos mercados para o Café Apuí Agroflorestal e captar novos investidores para apoiar o crescimento do projeto.

Por que café ao invés de gado?

Em Apuí (AM), o café é tradicionalmente cultivado em monoculturas, o que conduz à degradação e à redução da produtividade. A produção caiu para uma média de 8 sacas por hectare por ano, o que é muito inferior ao potencial do município. Isso, somado à falta de incentivos, apoio técnico e desafios na comercialização levaram os agricultores a, gradualmente, abandonarem o cultivo de café. Os produtores começaram, então, a investir na pecuária, provocando mais desmatamento. Apuí é, hoje, o segundo município mais desmatado no estado do Amazonas.

Principal objetivo

O principal objetivo da parceria entre Idesam, reNature e LB Foundation está alinhado a políticas de desenvolvimento rural existentes, e está apoiado em uma reconhecida estratégia econômica para tirar agricultores da pobreza por meio de um “empurrão”, canalizando investimentos que abordam 3 objetivos centrais:

  1. Aumento da capacidade produtiva: (a) Impulsionando o projeto agroflorestal e a modelagem econômica e (b) melhorando a produção e o processamento/valor agregado em geral;
  2. Fortalecimento da capacidade organizacional dos agricultores e melhoria da qualidade da produção do café e;
  3. Melhoria e expansão do acesso do café agroflorestal ao mercado.

Combinando a estratégia da Escola Modelo da reNature e a expertise do Idesam com sistemas agroflorestais, cafeicultores serão apoiados na adoção e na manutenção de práticas agroflorestais. Além disso, a fazenda piloto existente será avaliada e aperfeiçoada. Essa Escola Modelo apoiará os agricultores com conhecimento e capacitação para que executem a transição para o sistema e que se conectem com os mercados e as instalações de processamento existentes.

Inspiração é a chave para o cultivo de café na Amazônia

O projeto apresentará os benefícios da Agrofloresta Regenerativa como meio de reflorestar a Amazônia, aumentar a produtividade agrícola e valorizar o café em larga escala. Isso atrairá a atenção do grande público e de outros agricultores e os inspirará a adotar abordagens semelhantes, conscientizando-os. O Idesam aprofunda suas práticas em vários níveis de políticas no Brasil.

Café Agroflorestal

Em sistemas agroflorestais, o café é plantado junto a outras espécies nativas de café, como Ipê, Andiroba e Jatobá. Elas garantem o sombreamento necessário e melhoram a regulação do microclima do local. A humidade é melhor retida, os ciclos de nutrientes e da água são restaurados e a fertilidade do solo melhora naturalmente. Hoje, uma simples garrafa PET é utilizada com detergente e álcool para controlar pragas, substituindo os pesticidas químicos usados anteriormente. Dessa maneira, os sistemas agroflorestais de café são orgânicos e beneficiam a biodiversidade local e o clima. Além disso, o aumento da produtividade reduzirá a necessidade dos agricultores de desmatar novas áreas para a agricultura.

Aumento da renda dos agricultores

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Com a melhoria da fertilidade do solo e do sombreamento das árvores, a produção de café melhorará tanto em produtividade quanto em qualidade. Os pilotos existentes já duplicaram a produtividade de 8 para 17 sacas por hectare, diminuíram as perdas relacionadas a pragas de 30% para 1,8%, e aumentaram a renda anual dos fazendeiros em cerca de 300%. O projeto também viabiliza acesso a mercados, ao processamento sofisticado, à certificação orgânica e apoia a comercialização, beneficiando os agricultores.

Impacto social

O projeto tem a expectativa de melhorar a qualidade de vida de até 200 pequenos agricultores e suas famílias durante os próximos 3 anos. Outros benefícios são o aumento do valor recreativo da área e a redução do uso de produtos químicos e, consequentemente, de seus impactos prejudiciais à saúde.

Objetivo

A ideia é criar condições favoráveis que possam abrir o caminho para que os agricultores melhorem seu sustento e se tornem independentes para, futuramente, expandirem de forma orgânica e autossuficiente, gerando, ao mesmo tempo, impacto ambiental positivo.

Principal foco

Enfrentar o desmatamento com o plantio de café agroflorestal.

Parceiros

Idesam, LB Foundation, Fundo Vale, Instituto Clima e Sociedade (iCS) e WWF.

Fonte: Idesam

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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