Em meio ao calor na Europa, Wimbledon usa tecnologia para preservar quadras de grama

A estratégia atual para lidar com o calor na Europa envolve a aplicação de um produto químico específico na grama que torna a água “mais úmida”, ou seja, facilita a absorção pelas raízes, otimizando o uso do recurso hídrico

Para preservar o equilíbrio entre a força da natureza e os altos padrões exigidos pelo tênis profissional, o torneio de Wimbledon, no Reino Unido, realiza uma coleta diária de dados para monitorar as condições das quadras. Com o calor extremo que tem tomado conta da Europa, os responsáveis pela manutenção dessas quadras esportivas enfrentam desafios constantes, desde as famosas chuvas do clima britânico até as ondas de calor.

Em um campeonato onde a grama não pode perder sua vivacidade, conhecimento técnico e ciência desempenham um papel fundamental para manter o padrão do torneio mais tradicional do mundo, e isso vai além da irrigação. A estratégia atual, segundo o Um Só Planeta, envolve a aplicação de um produto químico específico que torna a água “mais úmida”, ou seja, facilita a absorção pelas raízes, otimizando o uso do recurso hídrico.

Isso não apenas contribui para manter os gramados em condições ideais, como também ajuda a economizar água em tempos de aumento das temperaturas e restrições ambientais.

Ondas de calor.
Ondas de calor | Joel Rodrigues/ Agência Brasília

O torneio deste ano começou com chuva na última quarta-feira (2), o que trouxe alívio temporário às quadras. Segundo Neil Stubley, chefe de quadras e horticultura de Wimbledon, o spray especial aplicado sobre a grama é usado para modular o quanto de água as raízes conseguem absorver, garantindo um manejo mais eficiente diante das condições climáticas variáveis.

“Parece um termo estranho, mas torna a água mais úmida. A tensão superficial de uma molécula de água, [ao entrar em contato com] o sistema radicular de uma planta, em um determinado ponto não consegue penetrá-la à medida que a umidade diminui, porque a tensão superficial é maior. Podemos ajustar isso para que a raiz de uma planta consiga absorver essa água”, conta o especialista ao jornal The Guardian.

Em meio ao calor na Europa, Wimbledon usa tecnologia para preservar quadras de grama.
Em meio ao calor na Europa, Wimbledon usa tecnologia para preservar quadras de grama | Foto: Reprodução/Instagram

Stubley reforça ainda que “a grama é uma superfície viva”, sensível às mudanças ambientais, o que exige uma abordagem adaptativa constante. Diante das alterações climáticas intensificadas pela ação humana, ele destaca a importância de ser reativo e ajustar os cuidados com as quadras conforme as condições do momento.

A equipe também prioriza a conservação de água e está investindo na seleção de plantas mais tolerantes à seca. Isso demonstra como a elite do tênis mundial também enfrenta, e responde com inovação, aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Quando a seca vira gargalo, a logística vira destino

A Amazônia já paga caro pela distância, pela dependência hidroviária e pela instabilidade histórica de investimentos estruturantes. Agora, paga também pela volatilidade climática. Ignorar essa soma é condenar a região à desvantagem permanente.

Milhões de espécies invisíveis: fatos e curiosidades sobre a biodiversidade amazônica

A biodiversidade amazônica abriga milhões de espécies ainda desconhecidas. Conheça fatos, curiosidades, riscos e o potencial oculto da floresta.

III Fórum ESG Amazônia: o ensaio geral do Acordo UE–Mercosul — e a chance de o PIM chegar primeiro

Há momentos em que um evento deixa de ser evento e vira instrumento com metodologia. A preparação do III Fórum ESG Amazônia, conduzida por CIEAM e Suframa, pode ser esse raro intervalo em que o Polo Industrial de Manaus decide fazer o que o Brasil costuma adiar: antecipar-se. E antecipar-se, agora, não é virtude abstrata. É estratégia de sobrevivência e de disputa.

O Acordo União Europeia–Mercosul e o novo mapa das exigências: o que muda na prática para a ZFM

O acordo União Europeia–Mercosul não inaugura apenas um novo corredor de oportunidades comerciais. Ele inaugura, sobretudo, um novo mapa de exigências — um conjunto de filtros técnicos, ambientais, reputacionais e regulatórios que passa a funcionar como “alfândega invisível” do século XXI. A Zona Franca de Manaus, que historicamente se construiu como solução nacional para um problema regional, precisa agora se preparar como solução regional para um problema global.