Garimpo ilegal alimenta exploração sexual e trabalho escravo na Amazônia

Uma investigação sobre o garimpo ilegal na Amazônia revelou 309 casos de pessoas em situação de tráfico humano, sendo que 57% das vítimas são mulheres migrantes, muitas submetidas à exploração sexual

Um estudo recente conduzido pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e pelo Instituto Conviva destacou que, além das consequências ambientais, como a contaminação do solo e da água, o garimpo ilegal na Amazônia está entrelaçado com uma série de outros crimes. A exploração sexual, o tráfico humano e o trabalho em condições análogas à escravidão aparecem como elementos integrantes de uma complexa cadeia de ilegalidades associadas à mineração clandestina.

A pesquisa, que se baseou em análise documental e entrevistas feitas entre os anos de 2022 e 2024, envolveu comunidades localizadas em Manaus (AM), Altamira (PA), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR). Os dados revelaram a existência de 45.065 concessões minerárias na região amazônica, sendo que 21.536 delas incidem sobre Áreas Protegidas, violando legislações ambientais e direitos territoriais.

O estudo adotou como referência a Convenção de Palermo para classificar os casos de tráfico humano, considerando situações de coerção, ameaças e falsas promessas.

A exploração sexual, o tráfico humano e o trabalho em condições análogas à escravidão aparecem como elementos integrantes de uma complexa cadeia de ilegalidades associadas à mineração clandestina.
A exploração sexual, o tráfico humano e o trabalho em condições análogas à escravidão aparecem como elementos integrantes de uma complexa cadeia de ilegalidades associadas à mineração clandestina | Foto: Ibama/Reprodução

O estudo tem como ponto de partida o massacre de Haximu, ocorrido em 1993, um episódio considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como genocídio contra o povo Yanomami. Nesse ataque, pelo menos 16 indígenas foram brutalmente assassinados, marcando um dos eventos mais trágicos da história recente das populações originárias no Brasil.

A partir dessa referência histórica, os pesquisadores ampliaram o foco para os impactos sociais do garimpo ilegal, utilizando dados da Universidade Federal de Roraima (UFRR). A investigação revelou 309 casos de pessoas em situação de tráfico humano, sendo que 57% das vítimas são mulheres migrantes, muitas submetidas à exploração sexual. Crianças, homens e pessoas LGBTQIAPN+ também aparecem entre os grupos afetados.

Povo Munduruku em protesto contra o garimpo ilegal, em 2022
Povo Munduruku em protesto contra o garimpo ilegal, em 2022 | Foto: Tuane Fernandes/Greenpeace

De acordo com Márcia Maria de Oliveira, pesquisadora da UFRR, a marginalização atinge amplamente os envolvidos nas áreas de garimpo, desde cozinheiras até garimpeiros, todos em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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