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Concessões e desilusões logísticas

A decisão de terceirizar o serviços da Suframa é a crônica sinistra de uma morte anunciada. O jogo da prorrogação dos incentivos faz lembrar o expediente da morte súbita, conquistada com o auxílio da estratégia eutanásia, adotada pelos servidores da autarquia e sua liderança aloprada. Por isso é risível acreditar que desembarquem por aqui os benefícios anunciados no novo pacote de concessões logístico-portuárias com elevação para R$ 190 bi no valor total de investimentos para o setor. Permanecemos e, não tenhamos dúvida, permaneceremos sentados, parados, pregados na pedra do porto com um único e velho vestido – parodiando o poeta – cada dia mais curto. O governo federal recorre às concessões na tentativa de recompor o caixa, aumentar a arrecadação com velhos estratagemas e o mercado, de pé atrás como um Curupira, está atrás de algo mais prosaico é escasso: a credibilidade.

Contradizendo o que escreveu na Folha há um ano sobre cabotagem, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, soltou uma informação na semana passada, antecipando o tal plano de concessões, onde está agendada a construção de uma ferrovia que pode ser usada pela indústria da Zona Franca de Manaus para colocar seus produtos no Sudeste. Não me diga! A ferrovia ligaria Itaituba no Pará a Sinop no Mato Grosso e daí, passe de mágica, para o Sudeste. A promessa dessa linha férrea, do Norte ao Sul, é antiga como o discurso ético necessário a sua moralização. De olho no agronegócio, a senadora fundiu amnésia logística com deficiência geográfica e confusão nas premissas e racionalidade de vantagens nos diversos modais de transportes.

Há um ano, ela dizia que a navegação entre portos dentro do país é o meio de transporte mais barato e de menor risco de acidentes. E recorreu aos “Os Velhos Marinheiros” de Jorge Amado para reconhecer um dos mais graves gargalos da política nacional de transportes: a navegação de cabotagem e apontar a falta de comandantes e marinheiros em número e qualificação, para explicar o abandono dessa modalidade ambientalmente correta e economicamente inteligente e rentável. Faltam comandantes, senhora ministra, não apenas para adotar a obviedade logística da cabotagem – que os ingleses transformaram em mecanismo eficaz de viabilização do Ciclo da Borracha, e que fez do Barão de Mauá um dos mais respeitados visionários e empreendedores deste Brasil. Falta comandante para entender e gerenciar a relação do Brasil consigo mesmo, sua parte maior e mais promissora que é a Amazonia, e dirigir essa embarcação monumental de integração que nos levaria a uma civilização nova e respeitada, livre das chacotas que as concessões e desilusões logísticas nos impõem.

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Antecedentes crônicos da desindustrialização 

Em 2003, quando o governo federal acirrou as cobranças pela transformação do modelo ZFM em polo industrial exportador, o pesquisador e auditor fiscal, Jorge de Souza Bispo apresentou um trabalho para qualificação acadêmica de mestrado, sobre este novo papel da Zona Franca de Manaus, onde analisa as condições necessárias para a sobrevivência competitiva do modelo e as demandas de sua consolidação. Para seu doutorado, na FEA/USP, Bispo demonstrou que este modelo virou exportador de recursos, mais do que produtos. Nas duas teses, podemos identificar os antecedentes históricos do esvaziamento da Suframa e do próprio polo industrial de Manaus. Em suas conclusões, onde aparecem, em patamares próximos, logística, recursos humanos e burocracia, como fatores perversos para uma indústria não-competitiva, ele sugere incrementar as divulgações dos produtos made in Polo Industrial de Manaus a fim de que haja conhecimento desses produtos no exterior. O mundo sabe que existe a Amazônia sem qualquer ou com pouco conhecimento que em Manaus existe um Polo Industrial com potenciais de competitividade. Na linha de sugestões – China não se estabelecera ainda no esplendor de sua ousadia e voracidade – Bispo sugere Acordos de Complementações Econômicas com países que tenham potencial de consumo das manufaturas produzidas no Polo Industrial de Manaus, assim como Índia, China, Canadá, Austrália e outros similares. Esses acordos são possíveis através de legislações específicas da Zona Franca de Manaus e podem ser concretizados através de divulgações de feiras de negócios e do turismo empresarial. As sugestões do pesquisador coincidem com um processo de esvaziamento imposto ao modelo que se seguiu, ironicamente, às movimentações políticas que alcançaram a prorrogação dos incentivos até 2023. Manaus ganhou duas décadas de prorrogação e passou a ter suas verbas de Suframa, TSA e P&D confiscadas em quase totalidade. Como levar adiante o paradoxo entre consolidação e confisco?

Ultrajes antigos

O dicionário Aurélio define Ultraje como agressão à moralidade pública através de escritos, desenhos, fotografias ou palavras. Os dois momentos de prorrogação da ZFM agasalham os ingredientes que esse termo representa e traduz na relação do governo federal, a classe política e as circunstancias e demandas do modelo ZFM. Os entraves crônicos, tanto de infraestrutura como de ordem técnica, administrativa e burocrática, experimentados pela Suframa nunca foram decididamente enfrentados. A falta de especialização de alguns setores estatais que começam pela insensatez na elaboração das normas tributárias e administrativas, são os detalhes nefastos da ineficiência técnica, incluindo o despreparo no segmento político que não conta com assessorias técnicas ao nível e seriedade que o assunto requisita. Em sua conclusão sobre os entraves, Jorge bispo descreve como imaturidade denota ineficiência técnica que tem prevalecido, não apenas na ZFM, mas em todo o segmento produtivo nacional. Diz ele: “O Brasil atual conta com amadurecimentos democráticos na área da política e este estágio deve ser aplicado nos demais setores da sociedade e aqui, releva-se essa importância para as exportações como tarefa recomendada de qualquer teórico da área de comércio exterior.” O foco de sua dissertação é o imperativo da exportação, a pressão dos desafetos da ZFM para que cumprisse outras contrapartidas para a renúncia fiscal, além de substituir as importações e proteger a floresta. Entretanto, esta análise se aplica e se arrasta aos demais setores da atividade fabril. Instituir um modelo para reduzir as desigualdades regionais, conforme determina a Constituição, e depois sangrar as verbas de sua consolidação, é típico das soluções meia-boca, de gestões públicas circunscritas ao quadriênio eleitoral, que ensaiam estruturação do desenvolvimento e desistem a meio caminho de sua conquista.

Gargalos crônicos

Em matéria publicada no último domingo, no jornal Folha de S. Paulo, um diagnóstico da competitividade ajuda a entender as razões do esvaziamento industrial do Brasil: Quatro trabalhadores brasileiros são necessários para atingir a mesma produtividade de um norte-americano. Segundo a reportagem, a distância, que vem se acentuando e está próxima da do nível dos anos 1950, reflete o baixo nível educacional no Brasil, a falta de qualificação da mão de obra, os gargalos na infraestrutura e os poucos investimentos em inovação e tecnologia no país. A comparação entre Brasil e EUA considera como indicador a produtividade do trabalho, uma medida de eficiência que significa quanto cada trabalhador contribui para o PIB de seu país. O dado é do Conference Board, organização americana que reúne cerca de 1.200 empresas públicas e privadas de 60 países e pesquisadores. Ele é importante porque mostra a força de fatores como educação e investimento em setores de ponta, que tornam mais eficiente o uso de recursos. A produtividade costuma ser menor nas empresas de trabalho intensivo. O baixo nível educacional no Brasil é destacado pelo pesquisador Fernando Veloso, da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), como um dos mais graves problemas para uma economia que precisa crescer e aumentar o padrão de vida da população.

Dr. Moysés, referência de empreendedorismo

O pioneiro, empresário e conselheiro da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Moyses Israel, 91, recebeu no sábado, 30, em Itacoatiara, os aplausos e o reconhecimento da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com a inauguração oficial da Memorália Moysés Israel, dentro do campus universitário, espaço que reúne registros históricos do empreendedor que há mais de 70 anos adotou o município como seu segundo lar. Moysés Benarrós Israel, nasceu no dia 10 de fevereiro de 1924, em Manaus, está presente em todas as grandes iniciativas de promoção do progresso e da prosperidade social no Amazonas. Sem alarde, por força de sua simplicidade e recato, sua trajetória empresta uma contribuição robusta e excepcional na construção do processo do desenvolvimento regional amazônico. É um pioneiro tenaz, de visão holística e de uma singular habilidade para mobilizar atores e estratégias na busca do bem comum, da promoção das pessoas, da educação dos jovens e no cultivo das virtudes e princípios da comunhão social. Estudioso das coisas da Amazônia, conhece como ninguém as demandas, as potencialidades e alternativas de novos negócios a partir da imensidade do patrimônio natural. Aos 20 anos, era encarregado por Isaac Benayon Sabbá de viajar aos Estados Unidos para identificar parceiros dos negócios da floresta, abrindo mercado para resinas, fibras, óleos medicinais, cosméticos, couros, madeira, fibras e frutos regionais e atraindo investidores para a região. Um pioneiro no sentido mais visionário e empreendedor do termo, pois pensou longe e grande, imenso como seu Amazonas. Sempre esteve adiante de seu tempo, inserido nas realizações e movimentações para sair da poesia dos recursos naturais para o fomento e diversificação de atividades que fazem da potencialidade natural prosperidade econômica e social, sempre alertando para a proteção ambiental e a recomposição dos estoques naturais. Arauto do uso inteligente dos produtos florestais, do manejo da fauna, da flora e dos recursos minerais, numa economia marcada pelo extrativismo que repõe e beneficia para agregar valor, na perspectiva agroindustrial e no atendimento das demandas locais e globais. O grupo empresarial Isaac Sabbá, tio de Moysés Israel, gerava 10.000 empregos diretos e indiretos na capital e 25.000 ao longo da cadeia produtiva que se estendia para o interior do Estado, vinculados a mais de 40 empresas, num diversificado leque de atividades, com ênfase no aproveitamento das potencialidades naturais da região. Um dos símbolos dessa grandiosa epopeia traz a marca da construção da Refinaria de Petróleo de Manaus – COPAM, nos idos de 1953-1956, numa cidade em que inexistia mão-de-obra especializada nesse oficio, não havia um guincho sequer para soerguer as torres nem os mínimos equipamentos necessários, existentes na construção civil de hoje. A construção aconteceu basicamente com a utilização da força humana, pás, picaretas e carrinhos de mão. Até então, os derivados de petróleo, de cuja qualidade e preço todos reclamavam, vinham do Peru. Com a Refinaria, Manaus vira referência nacional de empreendedorismo e o Grupo I.B.Sabbá, unanimidade e respeito internacional de pioneirismo e obstinação. Resgatar a experiência de vida de Moysés Israel no Amazonas desperta saudosas lembranças para as gerações mais adultas e recomenda referenciais de conduta para as novas gerações, dentro das regras de dignidade e conduta marcada pela elegância dos lordes e a decência dos sábios. Um arauto do empreendedorismo na floresta e da comprovação inequívoca de que vale a pena apostar nas promessas de prosperidade e equidade social a partir do bioma amazônico.

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Novas matrizes, paradigmas e atitudes

Antes tarde do que nunca o governo estadual se rende às obviedades e imperativos da criação das Novas Matrizes Econômicas, negócios coerentes com a vocação regional de geração de riqueza. O olhar estrangeiro arregalou sua cobiça ao desembarcar no Novo Mundo diante da biodiversidade e da geodiversidade que brotam da floresta. Foi sempre assim, desde a procura frenética pelas “ervas do sertão” que fizeram da Amazônia o Eldorado Verde. A borracha, a castanha, as resinas, óleos essenciais e fibras vegetais – com destaque para o fator humano mais produtivo do planeta – a riqueza da Hileia é essencialmente florestal e a evolução biomolecular guarda o segredo da perenidade vital. A guinada estratégica se deve não à queda de arrecadação estadual desde agosto mas sobretudo à percepção da indiferença federal com o modelo ZFM. Acaso ou necessidade de movimentação? Os gestores da agonia recessiva gostariam de incluir ZFM no desesperado ajuste fiscal. Apesar do otimismo avestruz de alguns atores que se contrapõe ao derrotismo crônico dos céticos, a ordem da tribo é ocupar os primeiros lugares, nos próximos três a quatro anos, na aquicultura nacional. Um bom começo é sempre fator de contaminação positiva. Hoje, a arrecadação gerada pela criação de peixe em cativeiro é semelhante à do açaí, onde é incipiente a industrialização. Não chega a R$ 100 milhões.

O Amazonas, apesar de ser o primeiro do ranking em consumo de peixe, é apenas o 12º produtor, de acordo com o IBGE. A dificuldade logística, o preço da ração e a grande oferta de peixes na natureza são nossas desculpas, confirmadas nos dados oficiais. A maior delas tem sido a dependência e acomodação do modelo ZFM, há 14 meses em queda nos indicadores de produção industrial. Daí a pressa. No tambaqui, espécie mais produzida no Estado, o Amazonas figura em quarto lugar. Somos o maior produtor extrativo de tucunaré, tambaqui, pirapitinga, surubim, tucunaré, pescada, jaraqui, pacu e piau, com desperdício na safra de 6 a 8 ton/ano, sinal do descaso crônico com o setor, contra 15 mil produzidas, 3,8% da produção nacional, o que rendeu R$ 98,8 milhões ao Estado, em 2013, 4,9% do valor total nacional. O pesquisador Efrem Ferreira, autoridade no assunto, insiste na tecla do ordenamento da pesca artesanal, para combater o desperdício e distribuir benefício à população de baixa renda. No Estado, 53 municípios fazem aquicultura sem maiores aportes de inovação. Na Região Norte, o Amazonas aparece em terceiro lugar, atrás de Roraima, com 16,1 mil t e Rondônia com 25,1 mil t. Não há registro significativo da criação de pirarucu nem tucunaré em cativeiro. Este é o cenário recente.

Apostar em inovação, revisão fiscal e fomento são alguns dos instrumentos imediatos para as respostas rápidas de que a economia precisa. Identificar gargalos significa mobilizar a academia, os órgãos de extensão rural e os de fomento, além de empreendedores pioneiros que fizeram da ousadia o insumo de sua obstinação. O debate – que pretende juntar academia e economia – implica em entender a métrica real e a ideal, planejada nos laboratórios de pesquisas e de ideias, aquelas que deram certo e as outras que padecem de lapidação, para definir aonde podemos chegar para fazer da deliciosa economia pesqueira, testada e temperada com o irresistível murupi da inovação, o pirão delicioso da mudança, de paradigmas e atitudes, na direção de uma nova utopia, um convite para desencadear a transformação.

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A burocracia, a interatividade e a inovação

Em seu discurso de agradecimento, na sexta-feira passada, o economista Serafim Corrêa, outro agraciado com a medalha Industrial do Ano, discorreu sobre burocracia, bateu no peito assumindo a mea-culpa, quando prefeito, por não ter virado o jogo burocratista, transformada num fim em si mesmo, e apontou a urgência de algumas saídas. Este comprometimento danoso da fluidez na economia, uma herança maldita da tradição lusitana, que persiste apenas em três países, Angola, Portugal e Brasil, deve ser removido. Ex-prefeito de Manaus, ele reconheceu, por exemplo, a insensatez da legislação copiada do Estado de São Paulo, que obriga as empresas de Manaus a elaboração de um projeto insano de segurança contra incêndio, que demora dois anos – nas mãos desaparelhadas do Corpo de Bombeiros – para ser entregue. O poder público, prometeu o governador José Melo, vai reduzir em 95% esse entrave. “Não podemos tratar o contribuinte, aquele que gera emprego e renda, com formalismo vazio, precisamos ser companheiros e ter um canal aberto de comunicação entre o governo e o setor privado para equacionar os problemas do cotidiano”. Ele se referia, na fala de encerramento, ao papel do setor produtivo no desenvolvimento do Estado e na criação de projetos de interesse social. E defendeu que os recursos de Pesquisa e Desenvolvimento em Informática (P&D) da Zona Franca de Manaus sejam empregados para apoiar a diversificação da economia, fomentando projetos como o de piscicultura. Reportou-se aos R$ 992 milhões enviados pelo CAPDA ao Programa Ciência sem Fronteira, recursos de P&D, que deveriam estudar nossas riquezas e gerar emprego e renda na região. E deu o exemplo da Samsung, cujo presidente, Sa Chun Jae Lee, foi laureado com o título de Industrial do Ano. “É a segunda indústria que mais gera empregos no Amazonas, com cerca de sete mil funcionários, e que realiza fortes investimentos nas áreas de pesquisa e inovação no Estado com a UEA, preparando os jovens para um futuro melhor”.

 

A indústria sombria do tráfico

Nesta quarta-feira, o secretário de Segurança, Sérgio Fontes, em conversa com as empresas do CIEAM, relatou os projetos e programas de governo para o que ele aponta como o mais preocupante para o cidadão e governo no Amazonas e no Brasil, a violência. Para ele, a indústria do tráfico e a organização criminosa que a sustenta são a causa principal da violência no Amazonas, o primeiro aglomerado urbano que a produção e a rota do tráfico privilegiam. E alertou que, da encosta da cordilheira dos Andes, a droga se movimentou na direção da fronteira com o Brasil, onde já estão ocupados 10 mil hectares de cultivo de coca, com uma produção anual de 100 toneladas, às margens do rio Javari, na fronteira do Amazonas com o Peru. E lembrou que, a partir dessa produção e de sua ampliação – que se dá com a manipulação sombria das populações tradicionais – o Brasil, segundo maior consumidor de cocaína do mundo, em 10 anos, se nada for feito, será o primeiro, no lugar dos Estados Unidos. A Polícia Federal conta com apenas 80 policiais em Manaus e 20 na fronteira, para monitorar a imensidão e multiplicidade de rios amazônicos que ali se formam. O secretário Sérgio apontou nesta indústria lucrativa, a mais rentável do planeta, suas ramificações e governança, o principal problema e causa da estatística perversa, de 70% das mortes em Manaus, 80 homicídios por mês. Apresentou o plano de governo para segurança e repressão ao tráfico e relatou a apreensão de 3 toneladas de drogas de janeiro a maio. Botão do pânico, parceria com empresas, registro e partilha de imagens, 800 novas viaturas, um conjunto de medidas administrativas e de qualificação de recursos humanos foram detalhadas para convidar o setor empresarial a debater e participar do desafio da redução da violência.

Educação, a saída

De volta ao CIEAM, de onde foi conselheiro e hoje na Unidade da Moto Honda em São Paulo, atuando fortemente na Abraciclo, o empresário Paulo Takeush participou da última Reunião Ordinária do Centro da Indústria, depois da qual falou à Follow-Up, sobre a crise, a parceria e o futuro. Para ele, crise é oportunidade de mudança para melhor. “No Brasil vamos todos aprender muito com essas dificuldades, por isso é importante essa união maior entre as entidades na defesa das melhores condições de trabalho. Na crise nos tornamos mais criativos e nos movimentamos para encontrar as soluções mais definitivas. “Indagado sobre o papel das entidades para acompanhar mais de perto a aplicação dos recursos públicos, dos impostos que todos reclamam, o empresário foi categórico: “Temos que exigir investimentos em educação de qualidade. Não há outro caminho. E não estou falando apenas de qualificação técnica. Isso é muito importante. Mais importante, porém, é Educação com letra maiúscula, como recuperação dos valores, de respeito, solidariedade, civismo, amor à pátria, à família e à ordem social. Educadas desse jeito as pessoas vão escolher seus representantes, de acordo, com os valores que elas defendem. É assim vai ser mais fácil acompanhar a aplicação dos impostos. ”

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“Não se deve desperdiçar uma crise”

Reproduzimos, aqui, a partir de hoje, pronunciamentos proferidos pelos agraciados, começando por Jaime Benchimol, em seguida Jorge Neves e, por fim, Serafim Correa, no Dia da Indústria, celebrado por iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, no último dia 22, relativos aos desafios, gargalos e proposições para o enfrentamento da crise que hora sacode a economia do Amazonas e seus reflexos no Polo Industrial de Manaus. Janelas de Oportunidades – Jaime Benchimol, economista e empresário do Grupo Bemol – Fogás.

“Quero agradecer a gentil lembrança do meu nome pela FIEAM e CIEAM para esta honrosa homenagem que aceitei na condição de poder compartilhar com os sócios, conselheiros, gestores e colaboradores das nossas organizações e também com a minha família. Ao refletir sobre a mensagem que poderia dar hoje cheguei a conclusão que não teria como evitar falar da crise atual, porém que poderia enfatizar os aspectos positivos que as crises de um modo geral, e esta em particular, oferecem para as empresas e para os líderes empresariais no Amazonas. Estamos diante de duas importantes “janelas de oportunidade” conforme veremos a seguir:

  1. Efeito saneador

A primeira janela tem a ver com as nossas empesas. Como empresários, temos pouca influência sobre a duração dessa crise e sobre a reações dos governos a ela. Os problemas que acumulamos no Brasil nos últimos anos se tornaram estruturais e provavelmente terão a duração de boa parte do mandato da atual presidente. Sabemos, contudo, que as crises têm um efeito saneador nos mercados. As empresas que sobrevivem a elas são as mais eficientes, aquelas que adotam práticas mais produtivas e as que apresentam melhor capacidade de adaptação ao novo cenário. Assim, não se deve desperdiçar uma crise, dizem os bons gurus da administração. As ineficiências e os excessos organizacionais acumulados nos anos de prosperidade precisam ser eliminados rapidamente nos primeiros meses da recessão ainda que a um custo financeiro, emocional e humano elevado. Ações que não tínhamos coragem tomar como, por exemplo, a descontinuidade de operações ou de investimentos deficitários, o desligamento de funcionários que não acompanharam a evolução do trabalho moderno e a digitalização e modernização de processos agora parecem urgentes e essenciais, sendo essas ações muito mais facilmente compreendidas e aceitas dentro das nossas organizações e da própria sociedade. Essas são medidas dolorosas, mas necessárias para salvar as empresas e os empregos dos que nelas permanecem. Neste momento, temos uma janela de compreensão que precisa ser aproveitada com humildade e com determinação. A crise induz também o consumidor a adotar mudanças mais rapidamente. Acreditamos, por exemplo, que ela irá acelerar ainda mais as rupturas em curso decorrentes da utilização da internet, do e-commerce e das milhares de soluções oferecidas pelos aplicativos disponíveis nos smartphones. Tenho visto com preocupação empresários ansiosos por saber quando a recessão acabará e quando tudo voltará ao que era. Não temos a resposta para a primeira pergunta, mas para a segunda, a resposta mais provável é que nunca mais voltaremos ao cenário igual ao de antes, pois o mundo pós-crise será diferente do anterior. E quanto maior for a crise, maiores serão as mudanças. Independentemente de sermos ou não ouvidos nos nossos pedidos de redução da carga tributária, teremos que reduzir os nossos custos e nossos preços, oferecer mais informação para os nossos Clientes, errar menos nos nossos serviços, inovar mais para nos diferenciarmos e convivermos com mais competição nos mercados em que atuamos. A sobrevivência nesse ambiente de Darwinismo empresarial dependerá das ações enérgicas que tomarmos agora a favor de nossas empresas.

  1. O Futuro da Zona Franca

A segunda janela de oportunidade diz respeito ao futuro da ZFM. Nosso modelo econômico tem sido baseado na disponibilidade de incentivos fiscais federais e estaduais que a atual crise está a desafiar. Precisamos continuar a defender e a atualizar esse modelo com todas as nossas forças pois não há nenhuma alternativa de curto e médio prazo para os enormes benefícios gerados pelos US$ 35 bilhões de faturamento do PIM, equivalente em valor à totalidade da safra brasileira de soja, por exemplo. É imperativo, entretanto, que busquemos – neste momento – atividades econômicas alternativas a partir das nossas verdadeiras vocações como o turismo, a mineração, a piscicultura, as atividades agrícolas já adaptadas ao nosso clima e ecossistema como plantações de pimentas, abacaxi, cupuaçu, mamão, etc além de reconsiderarmos a exploração das nossas riquezas nativas como madeira, castanha, essências, fragrâncias, peixes ornamentais que sustentaram a nossa economia, sem incentivos fiscais, durante décadas. É urgente diversificarmos a nossa economia. A essas alternativas eu adicionaria a indústria de tele-serviços, ou call-centers como são comumente conhecidas. Essa atividade que gera hoje mais de 1,5 milhão de empregos no Brasil, pode ser prestada à distância, requer baixo investimento de capital e se beneficiará da simpatia, juventude e facilidade de aprendizado da nossa população. Os investimentos nessa área, inclusive na infraestrutura de comunicação, poderão ser totalmente privados, porém será necessário reduzir a tributação excessiva de ICMS que incide sobre a comunicação e que aumenta a nossa distância econômica com o restante do Brasil e com o mundo. Esse tributo alcança 33% sobre o valor dos serviços prestados. O estado do Acre, tendo identificado o mesmo potencial, criou há quatro meses 2.500 empregos em uma unidade da Contax, a maior empresa do setor no Brasil que sozinha emprega 107 mil pessoas, quase a totalidade dos empregos gerados no PIM atualmente. Precisamos agir agora para estudar e formatar essas alternativas removendo o excesso de burocracia, controles e restrições, inclusive as ambientais que paralisam os investimentos e nos condenam ao atraso. Penso que, durante a crise, as autoridades públicas e os agentes políticos estão com a janela da boa vontade aberta e mais sensíveis a acolher mudanças permitindo assim que redirecionemos o curso da nossa economia e da nossa história. Como líderes empresariais, precisamos aproveitar este momento para nos inserirmos em um mundo com menos incentivos federais, com menos regulação, com menos privilégios, com mais competição, com mais capitalismo e com mais liberdade para empreender.

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Prêmios, crises e oportunidades

A palavra grega krísis era usada na medicina pelos médicos antigos com um sentido emblemático. Quando o doente, depois de medicado, entrava em crise, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte. Crise significa, pois, ruptura, separação e superação, por isso sempre está associada à tomada de decisão, definição e crescimento. “Assim, não se deve desperdiçar uma crise, dizem os bons gurus da administração”, elevou o tom do discurso o empresário Jaime Benchimol, um dos agraciados com a honraria do Industrial do Ano, no último dia 22, na festa da indústria, organizada por Cieam/Fieam, as entidades das indústrias da ZFM em crise. Para ele, abrem-se com a crise janelas de oportunidades. À frente de uma organização com 73 anos de crescimento, especialista em superação e profissionalismo, o empresário destacou o papel das adversidades para depurar a improvisação e o amadorismo, a incompatibilidade do verbo empreender com práticas improdutivas e não-criativas. Crise é ajuste ou antevisão permanente das mudanças. Atualização supõe modernidade, interatividade e obstinação, insumos básicos da eficiência que mantém empresas e empregos, com a redução de custos e com administração competitiva. Errar menos nos nossos serviços, inovar mais para nos diferenciarmos e convivermos com mais competição nos mercados em que atuamos.

Em sua fala, o economista Serafim Correa, outro agraciado com a medalha Industrial do Ano, discorreu sobre burocracia, transformada num fim em si mesma para comprometimento danoso da fluidez na economia, uma herança maldita da tradição lusitana, que persiste apenas em três países, Angola, Portugal e Brasil. Ex-prefeito de Manaus, ele reconheceu, por exemplo, a insensatez da legislação copiada do Estado de São Paulo, que obriga as empresas de Manaus a elaboração de um projeto insano que demora dois anos para ser entregue. O poder público devolve, assim, ao seu principal benfeitor o castigo cotidiano e implacável que pune aquele que lhe dá sustento.

O micro-empresário da festa, Jorge Neves, um professor de delícias da panificação e confeitaria portuguesa, uma das mais requintadas do mundo, estarreceu os presentes com algumas revelações. Uma delas é que não conseguiu emprego para dar aulas em sua especialidade, e que precisou correr o país para ministrar os mistérios e fascínios de sua profissão. Outra diz respeito à inexistência de insumos regionais no Estado, com certificação de origem, para produção de seu premiado confeito, o bolo amazônico, que utiliza ingredientes da floresta para a iguaria: cupuaçu, castanha do Brasil, sementes aromáticas do cumaru e puxuri, que compatibilizam sabor e saúde, através de alimentos saudáveis E ainda, revelou que, mesmo com mercado internacional aberto a seus produtos, prêmios e reconhecimento, ganha hoje três vezes menos em comparação ao período em que vendia informalmente seus doces na Feira da Avenida Eduardo Ribeiro. Seu lucro é tomado por elevadas e diversificadas modalidades de imposto. É bem verdade que os órgãos públicos de fomento à pesquisa e desenvolvimento, nominados cada em sua fala, reconheceram e apoiaram seu empreendimento.

Para sair da crise, portanto, além de investigar os caminhos de viabilidade, Benchimol, com autoridade pioneira, sugere as “… vocações como o turismo, a mineração, a piscicultura, as atividades agrícolas já adaptadas ao nosso clima e ecossistema como plantações de pimentas, abacaxi, cupuaçu, mamão, etc além de reconsiderarmos a exploração das nossas riquezas nativas como madeira, castanha, essências, fragrâncias, peixes ornamentais que sustentaram a nossa economia, sem incentivos fiscais, durante décadas”, precisamos depurar, racionalizar e dinamizar a cangalha fiscal e burocrática para diversificação, saúde e retomada da economia para benefício de todos.

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O Discurso do Rio Amazonas

Há 62 anos, presidente Getulio Vargas, numa de suas utopias nacionalistas, criou o INPA, com quem buscava contrapor os ensaios de ocupação estrangeira da região, expressos com a instalação do Instituto da Hileia Amazônica, sob a égide de Washington. A iniciativa, juntamente com a criação da Petrobras,  entre outras ações, se insere no caudal político do célebre Discurso do Rio Amazonas, onde exaltou o sentido do Brasil apropriar-se do Brasil ignoto pela imersão em sua realidade e possibilidades.”É tempo de cuidarmos, com sentido permanente, do povoamento amazônico… sois a terra do futuro, o vale da promissão na vida do Brasil de amanhã….O Amazonas deixará de ser, afinal, um simples capítulo da história da terra e…tornar-se-á um capítulo da história da civilização”.  Além do INPA, Petrobras, entre outras ações pontuais, Vargas editou a Lei nº 1.806, de 6 de Janeiro de 1953,  onde fincou as bases do seu Plano de Valorização Econômica da Amazônia, com a criação da respectiva superintendência  e outras providências, “… num sistema de medidas, serviços, empreendimentos e obras, destinados a incrementar o desenvolvimento da produção extrativa e agrícola pecuária, mineral, industrial e o das relações de troca, no sentido de melhores padrões sociais de vida e bem-estar econômico das populações da região e da expansão da riqueza do País.” Há poucas iniciativas legais mais visionárias que o detalhamento geopolítico, estratégico, científico, cultural e social que o detalhamento desta Lei que, a rigor, jamais deixou o papel.

De costas e de cócoras

Em seu Art. 8º, com a finalidade de atender à execução do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – é importante sublinhar – foi criado o Fundo de Valorização Econômica da Amazônia constituído com a) 3% da renda tributária da União b) 3% da renda tributária dos Estados, Territórios e Municípios, total ou parcialmente compreendidos na área da Amazônia Brasileira (Art. 2º) c)  as rendas oriundas dos serviços do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, ou sua exploração dos atos ou contratos jurídicos dela decorrentes; d) o produto de operações de crédito e de dotações extraordinárias da União, dos Estados ou Municípios. Na Lei, o Executivo delegou ao Congresso Nacional o detalhamento da proposta administrativa do Plano. Passaram-se 10 anos para a execução da tarefa e repasse, apenas parcial, dos recursos legais previstos. Em 1966, foi criada a SUDAM e em 1967, a ZFM. A promulgação, em agosto último, da Emenda Constitucional que prorroga a Zona Franca de Manaus, por mais 50 anos, dissociada das condições básicas de seu funcionamento, autonomia administrativa e infraestrutura para que ela alcance competitividade e sobrevivência, apenas mostra, antes e depois de Getulio Vargas, que o Brasil permanece de costas e de cócoras para a região.

Ficções e provocações

Transformado em cabo de guerra político, de um confronto estéril e nocivo que não beneficia em nada o interesse coletivo e constrange o bom senso, o modelo ZFM acaba de ser alvo de mais uma ficção eleitoreira com a notícia – em plena refrega pela indicação do nome do novo superintendente da Suframa – de “…estudos para devolver em breve R$ 3 bilhões confiscados do tesouro regional da autarquia para eventuais obras de infraestrutura”. A notícia, publicada numa revista de alcance nacional, anda na contramão do ajuste fiscal do governo e da escassez de recursos que tem levado o Planalto rever até seus investimentos prioritários, entre os quais, com certeza, não se encontra a ZFM. Neste momento, a região tem sido vista muito mais como fator de investimento e atração de recursos, como se viu na recente negociação do Brasil com a China. É nesse contexto histórico e conjuntural que precisa ser entendido o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados na terça-feira passada, de conversão da Medida Provisória 663/14, que aumenta em R$ 50 bilhões o valor total dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), elevando o limite máximo para R$ 452 bilhões, direcionando pelo menos 30% dos recursos do BNDES para financiamentos a tomadores situados nas Regiões Norte e Nordeste.

“Muleta desnecessária”

De imediato, assim como o Congresso Nacional da Era Vargas, a opinião do Brasil Sudeste não tardou a se levantar e maldizer a sugestão “nortista”. Como sempre tem ocorrido, medidas de favorecimento da redução das desigualdades regionais são tratadas como equívoco. No caso do BNDES, de costas e de cócoras para o Norte, eles argumentam que essas liberalidades engessam as decisões do banco, tirando-lhe eficácia. Hipocritamente, exigem que a região, que hoje acessa menos de 17% dos recursos do BNDES, ofereça as condições adequadas para atrair projetos de investimento. Ora, isso significa na pratica que o Banco só entraria para apoiar projetos tecnicamente habilitados e não para habilitar projetos básicos para ações de crescimento. Que a região se arranje com os próprios recursos, pois receber financiamentos do BNDES é “uma muleta desnecessária”.

Indústria festeja seus guerreiros

Apesar das dificuldades ou por causa delas, festejar os guerreiros da tribo cumpre, sempre, várias finalidades. A principal delas é reconhecer a determinação pela luta e a obstinação pela conquista. Celebrar os destemidos em momentos de adversidade é um convite geral à redobra de esforços na direção do fortalecimento que decorre da união. A união de todos é vital para criar saídas e dar a volta por cima dos momentos difíceis que impuseram à indústria e ao crescimento nacional e regional. Por isso, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), em solenidade nesta sexta-feira, 22, às 20 horas, no Clube do Trabalhador, realizará a 51ª edição do Industrial do Ano, o mais representativo evento da entidade que ocorre sempre em maio, mês da indústria (25). O Industrial do Ano de 2015 reunirá executivos do Polo Industrial de Manaus (PIM), autoridades políticas e jurídicas, e convidados. O anfitrião do evento, presidente da FIEAM, Antonio Silva, vai outorgar a Medalha do Mérito Industrial a Jaime Samuel Benchimol, diretor presidente do grupo Bemol e Fogás, e o deputado estadual Serafim Fernandes Correa. Também serão homenageados Chun Jae Lee, Industrial do Ano 2015, Jorge Carlos Seco Neves, o Microindustrial do Ano, e a Recofarma Indústria do Amazonas, Empresa Exportadora de 2014.

Crítica à ZFM: leviandade inaceitável Parte II

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Há alguns anos, uma empresa asiática interessada em implantar na Amazônia uma unidade fabril de placas fotovoltaicas, ouviu de um técnico de segundo escalão do MDIC a seguinte sentença: “ vocês podem instalar a fábrica em qualquer unidade da federação, menos na Zona Franca de Manaus”. Coincidentemente este era o lugar onde a empresa queria instalar-se prioritariamente. Tanto pelos incentivos, como pela oferta de energia natural, o empreendimento atenderia as demandas de uma região carente de alternativas energéticas. Na ocasião, movimentações da Seplan, pasta estadual de Planejamento, Fucapi, IPAAM e Comando Militar da Amazônia distribuíram convites para diversas empresas asiáticas de placas fotovoltaicas para mostrar os atrativos fiscais e demandas regionais. Vale lembrar que diariamente ocorre a precipitação de 30 mil MW do Astro-Rei. Esse mesmo técnico, ironicamente conhece de perto o modelo ZFM e as demandas de pesquisa e desenvolvimento da região. A tal empresa visitou Manaus com planos de investimentos na ordem de US$ 50 milhões. Esta estória sem agá é o emblema do boicote sistemático promovido por um escalão intermediário das pastas de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Fazenda e Planejamento. Muitos deles não estão a serviço da brasilidade, da inserção deste modelo de acertos no sumário da Política Industrial do país, algo que não existe e não há interesse na sua estruturação. Esses tecnoburocratas tem outros interesses e trabalham a serviço sabe-se lá de quem. Com certeza não é da definição e estruturação integrada da indústria com as questões socioambientais alarmantes do Brasil. E vêm dizer que a Zona Franca de Manaus é uma “despesa com pouca comprovação de benefícios à sociedade”. Não houvesse coisa mais urgente a cuidar, todos os arautos dessa leviandade nociva deveriam responder na justiça o assédio moral de suas irresponsabilidades.

Arautos da desigualdade

Promover ajuste fiscal em cima de empreendedores e trabalhadores, exigindo que paguem a fatura da inépcia, do gasto público irresponsável, é injusto. Eis porque se deu a perda de credibilidade em todos os níveis que implodiu a economia e o crescimento. Incluir nessa prosódia o corte de benefícios setoriais, e os mecanismos de isenção fiscal, é mirar no trigo e resguardar o joio. Foram esses arautos da manutenção das desigualdades regionais que vetaram a ampliação dos benefícios da ZFM com a anulação das atribuições legais da Suframa. Foram eles que promoveram o desvio enganoso de suas verbas, esvaziando atribuições e autonomia para induzir o desenvolvimento regional. E são eles que vetam PPB, as licenças que autorizam o início da produção, em nome de interesses inconfessos. Pela Lei 8.387, de 30/12/1991, essa liberação não pode comprometer a produção por mais de 120 dias e apenas cinco itens não podem receber incentivos na ZFM: armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passeio. Uma empresa na área de medicamentos, coerente com a biodiversidade amazônica, teve seu projeto travado por quase 5 anos, entre outras, com projetos industriais vetados por manobras obscuras. São eles que não sabem explicar que rumo tomaram as verbas de Pesquisa e Desenvolvimento que o CAPDA, em 18 de novembro último, em ata, confirmou a remessa de quase um bilhão de reais para o Programa Ciência sem Fronteiras e lá não chegou. A única despesa com a Zona Franca é o tempo perdido para demonstrar para o Brasil que não há desembolso de um centavo de despesa federal com empresas que queiram produzir em Manaus.

À margem da Lei

Criada pelo Decreto-Lei nº 288, de 28/02/1967, este modelo, baseado em benefícios fiscais, previa a implantação de polo industrial, comercial e agropecuário, numa área física de 10 mil km² em Manaus. Com o passar dos anos, apesar de sua inserção constitucional, a sanha desses burocratas foi deformando o projeto original que, mesmo sendo integralmente prorrogado por mais 50 anos, em agosto último, virou um amontoado de inconstitucionalidades. “Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais”, diz o artigo 43 da Constituição. Ao arrepio da Lei nº 9969 de 11/05/2000 – criada para fazer funcionar o modelo ZFM que formalizou as Taxas de Serviços Administrativos da Suframa (TSA) – há 14 anos esses recursos são progressivamente confiscados pela União. A ilegalidade reduziu drasticamente as ações de desenvolvimento e de diversificação econômica na região, onde há três anos não são celebrados convênios de infraestrutura com os governos estaduais ou municipais. No mesmo período, ora argumentando superávit primário, ora repasses para o BNDES, ou programas de outras pastas, de agronegócios, educação, ciência e tecnologia, alheios às demandas vitais da região, confiscam verbas de P&D. Há programas de biotecnologia, tecnologia da comunicação e informação, que tiveram verbas de R$ 90 mil/ano, glosadas desde 2012. Em toda a Amazônia atuam somente 500 cientistas, apesar do bioma agasalhar 20% da biodiversidade da terra, com respostas para as demandas de fármacos, cosméticos, alimentos e energia numa modulação sustentável. Qualquer país sério faria deste almoxarifado de germoplasma uma biópolis com milhares de pesquisadores. Os burocratas usam o discurso da preservação e da intocabilidade para tratar o modelo ZFM como reserva de oportunidades para interesses alheios à região. Nesse meio tempo, parques tecnológicos como o CT-PIM e o CBA, para desenvolver novas matrizes econômicas de biotecnologia e tecnologia da informação, microeletrônica, comunicação digital e nanotecnologia, saídas evidentes e coerentes para a emancipação progressiva dos incentivos, são relegados vergonhosamente ao descaso. Não bastasse esse festival de ilegalidades, o modelo industrial agoniza com a falta de competitividade, custos elevados da infraestrutura energética, logística e de comunicação, absolutamente precária, onerosa e de equacionamento improvável, à vista do confisco ilegal de seus recursos. Não lhes importa que o esvaziamento da ZFM dê lugar aos negócios do tráfico ou à derrubada da floresta, impeça o desabrochar da indústria do conhecimento, baseada na biologia molecular da evolução das espécies que aqui vicejam e que esconda a resposta para as demandas vitais da humanidade. Muito menos é razão de desassossego que os indicadores encolhidos do faturamento e ampliação do desemprego, com redução dos índices de produção industrial por 13 meses seguidos, revelem um retrato em branco e preto desse paradigma leviano da gestão federal da ZFM, e da irresponsabilidade dos cobradores hipócritas da comprovação de seus benefícios.

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Crítica à ZFM: leviandade inaceitável

MANAUS – Padece de fundamentação a afirmação, publicada pelo Estadão nesta segunda-feira, 18, do economista Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper, segundo o qual “O programa Bolsa Família é barato e muito eficaz, e custa 0,5% do PIB. Mas há outras despesas com pouca comprovação de benefícios à sociedade. A Zona franca de Manaus e os subsídios do BNDES custam, cada um, o equivalente às despesas do Bolsa Família por ano”. Ao afirmar que a Zona Franca de Manaus é uma “ despesa com pouca comprovação de benefícios à sociedade”, é porque além de desinformado, se vale de sofismas para demonstrar afirmações vazias de argumentos, incoerentes no formato e levianas de conteúdo. O Brasil de Marcos Lisboa desconhece o Brasil da exclusão que os burocratas e arautos do descaso fazem questão de remover da geografia obtusa.

Desinformação grosseira

Seria a “despesa não comprovada” de Marcos Lisboa um atestado de desinformação ou má-fé? Como burocrata de primeiro escalão da Receita Federal ele não tem direito de ignorar que não há custeio público no modelo industrial da Zona Franca de Manaus. Há renúncia. Nenhum centavo sai da União para as empresas instaladas na ZFM. A isenção parcial de impostos só se aplica a partir da inserção do produto no mercado. E se não houvesse o modelo como Marcos Lisboa defende, não haveria renúncia nem essa generosa remessa de recursos federais à União. Criado para reduzir as desigualdades regionais através de renuncias fiscal, o modelo ZFM foi transformado historicamente num exportador de recursos para a União. A maior parte, 54,42% da riqueza produzida pelos benefícios fiscais, volta para os cofres da União de acordo com os estudos feitos pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade FEA/USP. Foram analisados os efeitos que os incentivos fiscais concedidos a indústrias instaladas na região têm na distribuição de riquezas entre funcionários, proprietários e governo. Para o pesquisador Jorge de Souza Bispo, autor da tese “Criação e Distribuição de Riqueza pela Zona Franca de Manaus”, a configuração assim aparece: 54,42% vão para o governo; 27,28% são distribuídos entre os empregados; e apenas 1,82% fica com os empresários. Em compensação, no restante do país o governo recebe 41,54% de toda a produção; os empregados ficam com 36,31%; e os empresários, com 6,44%. Para o autor, foi uma conclusão surpreendente, pois mesmo com os incentivos fiscais, as empresas locais geram em média 31% de riqueza sobre o faturamento, enquanto no restante do país as demais plantas criam aproximadamente 50%.

Dados da Receita

O modelo Zona Franca de Manaus, açoitado por uma crise que decorre da omissão de responsabilidades federais no que se refere ao provimento de infraestrutura, que solapou historicamente sua competitividade, comparece com 50% dos impostos recolhidos pela União na Região Norte. E o Amazonas é um dos oito estados da Federação que mais recolhem do que recebem recursos. A exportação de recursos para a União arrecadou em 2012 R$ 8,958 bilhões, e recebeu de volta apenas R$ 2,535 bilhões, uma informação que não poderia escapar a um economista, que ignorar a diferença entre assistencialismo e empreendedorismo. Na aritmética das transferências constitucionais, a renúncia fiscal real gira em torno de R$ 6 bilhões. No portal da Receita Federal, esses dados estão claros, assim como estão claros numa consulta rápida e acessível, os impostos federais recolhidos pela cadeia integral do modelo Zona Franca de Manaus, que gera 120 mil empregos no chão de fábrica, 600 mil indiretos no Amazonas e, a partir daí, aproximadamente 2 milhões ao longo da distribuição de seus produtos em todo território nacional.

Benefícios para o Brasil

Os benefícios seriam maiores para esta parcela esquecida da brasilidade se os recursos de Pesquisa e Desenvolvimento e as Taxas da Suframa, recolhidas ambos junto às empresas locais, não fossem confiscados pela União progressivamente ao longo de mais de uma década, algo em torno de R$ 3 bilhões. Este modelo gera, sim, muitos benefícios não só ao Amazonas, mas ao Brasil, os brasileiros que consomem os produtos fabricados aqui. Esse discurso raivoso da renúncia é risível se esta for comparada à renúncia histórica da indústria automobilística. Aqui, as empresas instaladas, comprovadamente, lucram menos que outros arranjos industriais do país, mesmo assim patrocinam integralmente o orçamento da Universidade do Estado do Amazonas, a maior universidade multi-campi do planeta, presente em 62 municípios, além dos fundos estaduais de turismo, fomento e interiorização do desenvolvimento, que permitem, por exemplo, financiar os projetos de cadeias produtivas no interior. São mais de R$ 1,3 bilhão anual de investimentos, entre universidade, Centro de Educação Tecnológica, turismo e programas de agroindústria para a população ribeirinha. Voltaremos…

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Os peixes, o discurso e o desafio

Há uma unanimidade preocupante em torno da aquicultura no Amazonas como uma das óbvias e novas matrizes econômicas. Urge sair do discurso ideológico das potencialidades para a prática efetiva e imediata da necessidade. Por isso é contundente a proposta de revisão fiscal para aquicultura do Estado, sugerida por Muni Lourenço, líder empresarial do setor agrícola, no contexto tributário comparativo com Rondônia, para defender a viabilidade dessa deliciosa economia pesqueira. Do vizinho, vem para o consumo local 80% do tambaqui ali produzido, com apoio fiscal do Estado. Rondônia e Roraima, a propósito, subsidiam até os tanques de produção. Em Manaus e adjacências metropolitanas, 1300 piscicultores pagam caro a ração do Centro-Oeste e padecem de fomento e suporte técnico para empinar seus negócios. O modelo ZFM isenta insumos para a indústria, mas tributa ração, frete, energia e o resto de uma cadeia que, assim, jamais será produtiva, como quer o anúncio governista. Além de isentar, é preciso ordenar – frigoríficos regionais desperdiçam toneladas diárias de proteína animal – e integrar pesquisa, desenvolvimento e mercado dessa equação. Por que não integrar as tecnologias que Embrapa  e Inpa disponibilizam, incluindo modelagens adaptadas para a produção de milho em várzea e terra firme no Estado? Grande parte dos pequenos piscicultores não têm acesso à informação nem são assistidos por técnicos do IDAM, o órgão estatal de assistência técnica. Falta combustível para as visitas, e comunicação para monitoramento da instrução que orienta na direção do mercado e da competitividade.

Em novembro último, mestrandos do INPA publicaram uma cartilha par disseminar e consolidar o aprendizado sobre os conceitos básicos das técnicas de criação de peixes, do cálculo dos custos de produção, manejo, definição de sistemas de produção, comercialização e dos benefícios do trabalho associativo, ou seja, a liturgia que leva à benção final do empreendimento. Faltam elementos simples de planejamento, legislação, qualidade da água e do solo, alimentação e nutrição, produção e sanidades dos peixes, ou seja, premissas e ferramentas de uma cultura empreendedora. Atualmente, a metade de um tambaqui é o dobro do preço do equivalente em peso e proteína de frango. Portanto, aquicultura é uma atividade da indústria de alimento que atende a uma classe diferenciada num estado que é campeão nacional de consumo de peixe per capta. Não conseguimos manter a produção pesqueira nos padrões de consumo da pesca tradicional/extrativa, cuja safra é desperdiçada escandalosamente. Por tudo isso, custos, demandas e premissas de infraestrutura para consolidar essa matriz econômica, ainda vai demorar a gerar resultados.

A Afeam (Agência de Fomento do Estado), em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), apoio do IDAM e demais atores públicos, inicia nova maratona de promoção do empreendedorismo regional, em confronto com a anestesia do assistencialismo estéril. A meta é propiciar acesso ao crédito pelos agricultores familiares, associações e cooperativas que já trabalham com os recursos ordinários do Fundo de Apoio, recolhido junto às empresas do polo industrial de Manaus, para fortalecer cadeias não-predatórias do interior, entre elas aquelas que trabalham na produção de alimentos. São ensaios e avanços que, pensados estrategicamente, podem se constituir em opções de longo prazo, necessariamente atrelados à Universidade do Estado do Amazonas na formulação de um programa estratégico, integrado de qualificação de recursos humanos na perspectiva de novas modulações de negócios, coerentes com a vocação amazônica de bioportunidades, com menos anúncio e mais coesão de esforços para fazer acontecer.

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