A burocracia, a interatividade e a inovação

Em seu discurso de agradecimento, na sexta-feira passada, o economista Serafim Corrêa, outro agraciado com a medalha Industrial do Ano, discorreu sobre burocracia, bateu no peito assumindo a mea-culpa, quando prefeito, por não ter virado o jogo burocratista, transformada num fim em si mesmo, e apontou a urgência de algumas saídas. Este comprometimento danoso da fluidez na economia, uma herança maldita da tradição lusitana, que persiste apenas em três países, Angola, Portugal e Brasil, deve ser removido. Ex-prefeito de Manaus, ele reconheceu, por exemplo, a insensatez da legislação copiada do Estado de São Paulo, que obriga as empresas de Manaus a elaboração de um projeto insano de segurança contra incêndio, que demora dois anos – nas mãos desaparelhadas do Corpo de Bombeiros – para ser entregue. O poder público, prometeu o governador José Melo, vai reduzir em 95% esse entrave. “Não podemos tratar o contribuinte, aquele que gera emprego e renda, com formalismo vazio, precisamos ser companheiros e ter um canal aberto de comunicação entre o governo e o setor privado para equacionar os problemas do cotidiano”. Ele se referia, na fala de encerramento, ao papel do setor produtivo no desenvolvimento do Estado e na criação de projetos de interesse social. E defendeu que os recursos de Pesquisa e Desenvolvimento em Informática (P&D) da Zona Franca de Manaus sejam empregados para apoiar a diversificação da economia, fomentando projetos como o de piscicultura. Reportou-se aos R$ 992 milhões enviados pelo CAPDA ao Programa Ciência sem Fronteira, recursos de P&D, que deveriam estudar nossas riquezas e gerar emprego e renda na região. E deu o exemplo da Samsung, cujo presidente, Sa Chun Jae Lee, foi laureado com o título de Industrial do Ano. “É a segunda indústria que mais gera empregos no Amazonas, com cerca de sete mil funcionários, e que realiza fortes investimentos nas áreas de pesquisa e inovação no Estado com a UEA, preparando os jovens para um futuro melhor”.

 

A indústria sombria do tráfico

Nesta quarta-feira, o secretário de Segurança, Sérgio Fontes, em conversa com as empresas do CIEAM, relatou os projetos e programas de governo para o que ele aponta como o mais preocupante para o cidadão e governo no Amazonas e no Brasil, a violência. Para ele, a indústria do tráfico e a organização criminosa que a sustenta são a causa principal da violência no Amazonas, o primeiro aglomerado urbano que a produção e a rota do tráfico privilegiam. E alertou que, da encosta da cordilheira dos Andes, a droga se movimentou na direção da fronteira com o Brasil, onde já estão ocupados 10 mil hectares de cultivo de coca, com uma produção anual de 100 toneladas, às margens do rio Javari, na fronteira do Amazonas com o Peru. E lembrou que, a partir dessa produção e de sua ampliação – que se dá com a manipulação sombria das populações tradicionais – o Brasil, segundo maior consumidor de cocaína do mundo, em 10 anos, se nada for feito, será o primeiro, no lugar dos Estados Unidos. A Polícia Federal conta com apenas 80 policiais em Manaus e 20 na fronteira, para monitorar a imensidão e multiplicidade de rios amazônicos que ali se formam. O secretário Sérgio apontou nesta indústria lucrativa, a mais rentável do planeta, suas ramificações e governança, o principal problema e causa da estatística perversa, de 70% das mortes em Manaus, 80 homicídios por mês. Apresentou o plano de governo para segurança e repressão ao tráfico e relatou a apreensão de 3 toneladas de drogas de janeiro a maio. Botão do pânico, parceria com empresas, registro e partilha de imagens, 800 novas viaturas, um conjunto de medidas administrativas e de qualificação de recursos humanos foram detalhadas para convidar o setor empresarial a debater e participar do desafio da redução da violência.

Educação, a saída

De volta ao CIEAM, de onde foi conselheiro e hoje na Unidade da Moto Honda em São Paulo, atuando fortemente na Abraciclo, o empresário Paulo Takeush participou da última Reunião Ordinária do Centro da Indústria, depois da qual falou à Follow-Up, sobre a crise, a parceria e o futuro. Para ele, crise é oportunidade de mudança para melhor. “No Brasil vamos todos aprender muito com essas dificuldades, por isso é importante essa união maior entre as entidades na defesa das melhores condições de trabalho. Na crise nos tornamos mais criativos e nos movimentamos para encontrar as soluções mais definitivas. “Indagado sobre o papel das entidades para acompanhar mais de perto a aplicação dos recursos públicos, dos impostos que todos reclamam, o empresário foi categórico: “Temos que exigir investimentos em educação de qualidade. Não há outro caminho. E não estou falando apenas de qualificação técnica. Isso é muito importante. Mais importante, porém, é Educação com letra maiúscula, como recuperação dos valores, de respeito, solidariedade, civismo, amor à pátria, à família e à ordem social. Educadas desse jeito as pessoas vão escolher seus representantes, de acordo, com os valores que elas defendem. É assim vai ser mais fácil acompanhar a aplicação dos impostos. ”

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Redação BAA
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