Na ONU, Trump insiste no negacionismo climático enquanto países sofrem desastres

Enquanto países cobram ação contra crise climática, Donald Trump defende combustíveis fósseis, ataca energias renováveis e nega mudanças climáticas, ampliando o negacionismo climático em palco global.

Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a negar a crise climática, chamando-a de “o maior golpe já aplicado ao mundo”. O discurso destoou das falas de líderes que veem seus países ameaçados por inundações, furacões e ondas de calor cada vez mais frequentes.

Ilana Seid, embaixadora de Palau, afirmou que ignorar o problema seria “uma traição aos mais vulneráveis”. Evans Davie Njewa, de Malawi, reforçou que vidas inocentes já estão em risco. A cientista Adelle Thomas, vice-presidente do IPCC e natural das Bahamas, lembrou da devastação causada pelo furacão Sandy em 2012: “As evidências não são abstratas, são vividas e mortais”.

Imagem aérea de Tuvalu, país no oceano Pacífico que está desaparecendo devido ao aquecimento global.
Imagem aérea de Tuvalu, ilha que corre risco de desaparecer. Dados de 2024 da NASA apontaram um aumento de quase 15 cm no nível do mar no país. Foto: Kalolaine Fainu/Guardian, Redux.

Trump também atacou energias renováveis, chamando a eólica de “piada” e a classificando como cara e ineficiente. Mas dados da ONU e da Agência Internacional de Energia Renovável mostram que as energias solar, eólica e hidrelétrica já são as fontes mais baratas para novos projetos de eletricidade. Para o cientista Michael Mann, esse ataque às energias renováveis faz parte de uma retórica de negacionismo climático que desconsidera dados científicos consolidados.

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O presidente dos EUA criticou o Acordo de Paris, do qual retirou o país em 2017, afirmando que os EUA pagavam mais que outros países. Na prática, o tratado prevê metas voluntárias  e os EUA são os maiores responsáveis históricos pela emissão de CO₂ acumulado: 24% desde 1850.

Ao defender “carvão limpo e bonito”, Trump ignorou milhões de mortes anuais ligadas ao combustível. O cientista Rob Jackson destacou: “Pessoas reais morrem por essa mentira”. Trump ainda ironizou propostas de reduzir o metano, alegando que ambientalistas querem “acabar com as vacas” — distorção que especialistas classificam como mais um sinal de negacionismo climático.

O IPCC já afirmou que é “inequívoco que a ação humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a terra”. Até mesmo relatórios do próprio governo Trump, em 2018, reconheceram os impactos em curso. Para cientistas e países vulneráveis, o negacionismo climático não é apenas discurso político, é uma ameaça concreta à sobrevivência.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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