Bioeconomia na Amazônia segue subaproveitada e Brasil tem só 0,2% do mercado

Investimentos em ciência, tecnologia e inovação são apontados como chave para fortalecer a bioeconomia na Amazônia e transformar a floresta em motor econômico sustentável.

O mercado global de produtos florestais movimenta cerca de US$ 175 bilhões por ano, mas a participação brasileira nesse setor não chega a 0,2% — pouco mais de US$ 300 milhões anuais. O dado do Projeto Amazônia 2030 evidencia um gargalo: mesmo reunindo um terço das florestas tropicais do planeta, o Brasil ainda não consegue transformar a bioeconomia na Amazônia em vantagem competitiva.

carbono Amazônia meio ambiente
Foto: Rogério Assis – Greenpeace

Embora o país concentre aproximadamente 12% da cobertura florestal mundial e abrigue a maior parte da maior floresta tropical do planeta, a falta de industrialização e de agregação de valor faz com que vizinhos como Bolívia e Peru liderem a exportação de produtos como a castanha-do-pará, apesar de o Brasil ser o maior produtor.

Trabalhador coleta castanha-do-pará em área de floresta. Um dos produtos com maior potencial da bioeconomia na Amazônia.
A castanha-do-pará é símbolo do potencial da bioeconomia na Amazônia, mas o Brasil ainda exporta com baixo valor agregado. Foto: Maurício Paiva.

A superação da dependência de modelos baseados no desmatamento ilegal e em práticas predatórias é um dos principais desafios. Ainda assim, quando se mostra economicamente viável, a bioeconomia na Amazônia tende a conquistar até setores mais conservadores, já que alia geração de empregos, aumento da renda e conservação ambiental.

O diretor da ONG The Nature Conservancy (TNC), Rodrigo Spuri, defende que a bioeconomia deve ser vista como um complemento ao agronegócio e não como substituta. Embora não alcance a mesma escala das commodities tradicionais, ela pode ganhar relevância comparável à de setores como a pecuária em estados amazônicos, ao estimular cadeias de valor regionais e abrir novas frentes de negócios.

Outro aspecto enfatizado é o potencial transformador da bioeconomia na Amazônia de mudar a percepção acerca da floresta: da visão de entrave ao crescimento para o entendimento dela como motor econômico e social. Para que isso aconteça, Spuri afirma que é preciso maior investimento em pesquisa científica, inovação e desenvolvimento tecnológico, capazes de gerar a estrutura necessária para produtos competitivos e sustentáveis a partir da biodiversidade brasileira.

Pesquisador em laboratório analisa amostras.
Investimentos em pesquisa e inovação são fundamentais para ampliar a bioeconomia na Amazônia e gerar valor sustentável. Foto: Design Studio.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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