Agenda Parlamentar – A vocação do Amazonas é a indústria

Coluna Follow-Up

O lançamento da Agenda Legislativa da Indústria do Amazonas, realizado na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), reforçou a necessidade de aprofundar a interlocução entre o setor industrial e o Parlamento Estadual e Federal. As manifestações dos parlamentares presentes evidenciaram disposição para um diálogo contínuo, qualificado e orientado ao interesse público.

As lideranças do Polo Industrial de Manaus reiteraram, naquela ocasião, que a contribuição da indústria ultrapassa o âmbito produtivo. O setor exerce papel estruturante na economia e nas instituições do Estado, apoiando políticas públicas essenciais e contribuindo para a estabilidade fiscal e social do Amazonas.

Essa contribuição se expressa em dados concretos, que devem ser compreendidos como base objetiva para o aperfeiçoamento das políticas de desenvolvimento. No último ano, a atividade industrial destinou aproximadamente R$ 6 bilhões a mecanismos diretos de financiamento público e institucional.

Destacam-se cerca de R$ 2 bilhões ao Fundo de Fomento ao Turismo, aplicados pelo Estado em áreas estratégicas como saúde e infraestrutura; R$ 600 milhões ao Fundo de Micro e Pequenas Empresas; aproximadamente R$ 2,5 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação; e mais de R$ 800 milhões destinados ao financiamento integral da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), instituição presente em todos os municípios.

Somam-se a esses valores os efeitos indiretos da arrecadação tributária, que sustentam o orçamento estadual e municipal e fortalecem políticas públicas em diversas áreas. A atividade industrial instalada no Amazonas constitui, portanto, um dos pilares da capacidade fiscal e da geração de renda e riqueza do Estado.

Diante desse cenário, torna-se fundamental avançar na discussão sobre a aplicação desses recursos. O desafio não se limita ao volume arrecadado, mas à sua capacidade de promover desenvolvimento equilibrado, reduzir desigualdades regionais e fortalecer as vocações econômicas do interior.

O Parlamento Estadual, como representante legítimo da sociedade amazonense, desempenha papel central na construção de um novo ciclo de desenvolvimento. A partir de suas atribuições constitucionais, pode contribuir para aprimorar mecanismos de planejamento, investimento e governança, ampliando a efetividade das políticas públicas. Nesse contexto, algumas questões orientam o debate:

• De que forma os recursos gerados pela indústria podem alcançar, com maior eficiência, os municípios do interior?

• Como estimular novas cadeias produtivas integradas ao Polo Industrial de Manaus?

• Como fortalecer arranjos produtivos locais capazes de gerar emprego, renda e autonomia econômica fora da capital?

• Como alinhar investimentos em inovação às vocações regionais da bioeconomia e da floresta em pé?

• Como superar as deficiências em infraestrutura que elevam os custos industriais e comprometem a competitividade?

• Como qualificar melhor a mão de obra local diante dos desafios da concorrência?

Essas reflexões apontam para a necessidade de um planejamento mais integrado, capaz de conectar a capacidade produtiva instalada em Manaus ao potencial econômico e social do conjunto do Estado.

A indústria tem interesse direto na expansão de cadeias produtivas, na qualificação da mão de obra e na redução das desigualdades regionais, não apenas por responsabilidade institucional, mas por visão estratégica de longo prazo.

Como contribuição estratégica, o setor industrial tem buscado, de forma contínua, encomendar estudos sobre sua efetividade e seus impactos na sociedade. Esses levantamentos metodológicos apontam avanços socioeconômicos relevantes, demonstrando que a média salarial da indústria, somada aos benefícios, supera a média nacional. Trata-se de um universo de aproximadamente 130 mil empregos diretos.

O objetivo não é revisar o modelo, mas aperfeiçoá-lo.

As contribuições apresentadas pelos parlamentares reforçam a importância de construirmos, em conjunto com o setor produtivo, instrumentos mais eficientes de planejamento e acompanhamento dos investimentos, de modo a transformar recursos financeiros em resultados sociais mensuráveis.

A Zona Franca de Manaus demonstrou, ao longo de décadas, sua capacidade de gerar riqueza e preservar a floresta. O passo seguinte consiste em assegurar que essa riqueza alcance, com maior precisão e amplitude, todo o território amazonense.

A vocação do Amazonas é a indústria. Seu fortalecimento, aliado a políticas públicas eficazes, pode consolidar um desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e equilibrado para o Estado.


Follow-Up é publicada às quartas, quintas e sextas feiras no Jornal do Comércio do Amazonas sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal Brasil Amazônia Agora 

Luiz Augusto Rocha
Luiz Augusto Rocha
Luiz é advogado, empresário, presidente do Conselho Superior do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

Artigos Relacionados

A reforma tributária e o Amazonas: a hora de discutir o próximo passo

A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.