UFPR usa resíduos de cervejaria para produzir shitakes

Estudo propõe a reutilização de biomassa (matéria orgânica), a reciclagem de nutrientes e a geração de novos produtos.

Por UFPR

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós Graduação em Agronomia – Produção Vegetal da Universidade Federal do Paraná (PGAPV/UFPR) utiliza resíduos descartados da produção cervejeira para produzir shitakes (Lentinula edodes), um tipo de cogumelo comestível. O estudo de mestrado de Gabriel Dias de Oliveira vai ao encontro das discussões mundiais sobre minimizar os impactos ambientais e propõe uma estratégia de agricultura sustentável ao propiciar a reutilização de biomassa (matéria orgânica), a reciclagem de nutrientes e a geração de novos produtos.

Dias decidiu pesquisar sobre o assunto ao ser procurado pelo produtor e proprietário da Fazenda Cogumelos do Vale Europeu, em Santa Catarina. Ele explica que o contato aconteceu devido à quantidade de resíduos provenientes da produção de cervejas artesanais na região catarinense que, por serem de difícil destinação, geralmente são levados a aterros sanitários ou doados para criadores de gado, para a alimentação animal. Esse processo gera custos indesejáveis para a empresa.

O pesquisador então constatou que o bagaço do malte de cevada possui as características químicas exigidas pelos fungos que geram cogumelos comestíveis e poderia ser utilizado na fungicultura. “Assim conseguiríamos transformar um material que causa impacto ambiental e gera custo para as empresas que o produzem em uma matéria-prima viável e acessível para os produtores de cogumelos que necessitam de novas tecnologias para o setor se desenvolver”, explica.

A tecnologia, uma nova matéria-prima eficiente para os produtores, mostrou-se funcional substituindo as matérias suplementares que já são utilizadas ou misturadas a elas. Para Dias, os resultados da pesquisa são inovadores, pois consistem na transformação de um resíduo considerado lixo no setor agroindustrial em algo necessário, com potencial, eficiência, viabilidade e acessibilidade. “Do ponto de vista da agroindústria, é a transformação do custo em lucro. Do ponto de vista do setor agrícola da produção de cogumelos comestíveis, significa evolução, inovação e crescimento produtivo, tendo em vista as projeções favoráveis de crescimento que o setor da fungicultura tem pelo mundo”, afirma.

Apesar das adversidades que enfrentou durante o desenvolvimento da investigação no mestrado, como poucas pesquisas na área e dificuldade em conseguir parcerias, a realização do estudo foi também uma realização pessoal para o pesquisador.

“EU QUERO FAZER A DIFERENÇA PARA AS PESSOAS E DESENVOLVER ESTA PESQUISA ME PERMITIU ISSO. TROUXE UM SENTIMENTO DE QUE EU POSSO E CONSIGO AJUDAR”

Gabriel Dias de Oliveira, pesquisador

Dias teve contato com a tradição da vida rural em sua cidade de origem, Venda Nova do Imigrante, no interior do estado do Espírito Santo. Essa vivência o ensinou a enfrentar as dificuldades e o instigou a se mudar para Curitiba e persistir na pesquisa. “Sempre me alimentei com esse sonho de fazer a diferença no mundo e sei que tenho capacidade e potencial para isso. Desde muito cedo estive envolvido com tradições e conceitos de vida simples e bonitos da vida rural, os quais trago sempre comigo para não ceder às dificuldades”, relembra.

Para a orientadora da pesquisa, a professora Francine Lorena Cuquel, do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da UFPR, a excelência do estudo está em usar a reciclagem ecológica para produzir um alimento saudável.

A dissertação de mestrado foi defendida em junho de 2021 e, em julho, Dias ingressou no doutorado, buscando dar continuidade às descobertas. Nessa nova etapa, ele espera que o estudo permita encontrar caminhos para inserir o uso dos resíduos na fungicultura em escala comercial. “Descobrimos que é possível o uso deste resíduo, mas ainda existem problemas a serem resolvidos para que ele possa ser inserido e utilizado no mercado agrícola pelos produtores”, explica.

Entre as respostas que ele pretende buscar durante a pesquisa no doutorado estão como melhor armazenar o material e como aumentar a produtividade dos cogumelos. O pesquisador também quer descobrir se a produção de alimentos a partir da reciclagem ecológica pode ser aplicada a outros tipos de resíduos.

“Esperamos ser capazes de entender todo o conjunto de fatores que envolvem essa produção, principalmente com foco nas respostas do fungo cultivado. Se conseguirmos compreender o todo, podemos aumentar a aplicabilidade do estudo para outros resíduos que tenham características similares e, assim, causar um grande diferencial para o meio ambiente, para os setores que produzem grandes quantidades de resíduos e para a produção de cogumelos”, explica.

A pesquisa de mestrado foi desenvolvida com as parcerias da Cervejaria Blumenau, que cedeu o resíduo, e da Funghi & Flora, que cedeu o material biológico. Para seguir com o estudo durante o doutorado, Dias busca novas parcerias.

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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