Prática sustentável eleva em até 10% a produção agrícola e reduz impacto ambiental

A rotação de culturas se faz uma prática sustentável por contribuir significativamente para melhorar a qualidade do solo, pois favorece o equilíbrio nutricional, reduz o esgotamento de nutrientes específicos e aumenta a matéria orgânica

Modelos de agricultura sustentável tem se fortalecido com a adoção de práticas inovadoras que promovem ganhos tanto para os produtores, quanto para o meio ambiente. Entre essas estratégias, destaca-se a rotação de culturas, uma técnica milenar que tem recebido mais atenção por seu potencial de aumentar a produtividade agrícola em até 10%, conforme apontam estudos recentes.

A rotação de culturas consiste no plantio alternado de diferentes espécies vegetais na mesma área, seja durante uma mesma temporada agrícola ou entre as safras. Essa prática contribui significativamente para melhorar a qualidade do solo, pois favorece o equilíbrio nutricional, reduz o esgotamento de nutrientes específicos e aumenta a matéria orgânica. Diversificar as espécies plantadas também ajuda a controlar pragas e doenças, quebrando seus ciclos biológicos.

De acordo com Henrique Debiasi, pesquisador da Embrapa, em entrevista à CNN Brasil, a adoção de um sistema diversificado de produção proporciona maior eficiência no uso de nutrientes e reduz a presença de plantas daninhas de difícil controle, o que diminui a necessidade de herbicidas e fertilizantes químicos, prejudiciais ao meio ambiente.

Além de aumentar a produtividade e melhorar a saúde do solo, essa técnica atua diretamente na captura e sequestro de carbono, processo crucial no combate às mudanças climáticas. Isso ocorre pois ao alternar culturas e incorporar resíduos vegetais ao solo, os produtores favorecem o aumento da matéria orgânica, o que melhora a estrutura do solo e retém o CO₂. Isso reduz a quantidade desse gás liberado na atmosfera, um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

O que não é aproveitado da produção, como palha e restos vegetais, é convertido em adubo natural, enriquecendo o solo e promovendo um ciclo mais equilibrado de nutrientes.

A rotação de culturas se faz uma prática sustentável por contribuir significativamente para melhorar a qualidade do solo, pois favorece o equilíbrio nutricional, reduz o esgotamento de nutrientes específicos e aumenta a matéria orgânica
Efeitos da rotação de culturas e monocultura na Fazenda Experimental Swojec, da Universidade de Ciências Ambientais e da Vida de Breslávia. Na faixa dianteira, a rotação de culturas (batata, aveia, centeio, ervilha) está sendo aplicada; na faixa traseira, centeio tem sido cultivado por 45 anos consecutivos | Foto: Leslaw Zimny/Domínio público

Sustentabilidade e lucro

Com avanços tecnológicos na agricultura, tornou-se possível implementar a rotação de culturas sem abrir mão das culturas comerciais principais, como grãos. Técnicas modernas e planejamento agronômico avançado permitem que o produtor mantenha o fluxo de caixa estável, enquanto colhe os benefícios ecológicos e produtivos da diversificação. Isso transforma a rotação de culturas em uma estratégia não apenas ambientalmente vantajosa, mas também economicamente viável.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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